12.11 [18] R.I.P. Stan Lee

Sem palavras….😭

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Resenha: Livro das Perguntas

Livro: Livro das Perguntas
Autor(a): Pablo Neruda
Editora:
 L&PM
Páginas: 155

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Espetacular!

“As lágrimas que não se choram
esperam em pequenos lagos?
Ou serão rios invisíveis
que escorrem até a tristeza?”.

Perguntas. Perguntas poéticas maravilhosamente tecidas por Neruda de forma que você não consegue parar de virar as páginas. Cada pergunta te arranca um suspiro, um sorriso, um sinal de aquiescimento ou negativa. Realmente uma idéia espetacular, original e muito poética.

“Em que idioma cai a chuva
sobre as cidades dolorosas?”.

Leitura recomendadíssima!

Fomos ingênuos. Como eu, muitos!

Roubartilhei daqui:

REGOZIJEM-SE COM O OURO DE NOSSOS GARIMPOS, COM A MADEIRA QUE PODEMOS EXPORTAR, ORGULHEM-SE COM AS SAFRAS IMENSAS DAS TERRAS FÉRTEIS, ONDE, PLANTANDO, TUDO COLHEREMOS. CULTIVEMOS O OTIMISMO, A CONFIANÇA, ABAIXO OS NEGATIVISTAS.

Duas coisas eram pior que o câncer para a Alta Hierarquia do Novo Exército: os espíritos negativistas e os comunistas. Eram caçados e isolados. Na altura do Grande Ciclo de Combate à Abertura da Igreja, também apelidada de Coliseu, os comunistas tinham se tornado bichos raros, quase extintos.

Um pouco pela repressão, e muito pelo desencanto, extinguiam-se, do mesmo modo que aves e animais da fauna brasileira. Com a diferença que os bichos podiam se dar ao luxo de reservas particulares, onde se tentava a sua reprodução em cativeiro. Já em cativeiro, os comunistas definhavam.

A última notícia sobre o que estava acontecendo ao norte, foi dada por um Ministro, o dos Negócios Imobiliários, cargo criado pela necessidade de se controlar a especulação, não somente nas grandes cidades, como em toda área do litoral, onde os loteamentos se sucederam, velozes e devastadores.

Na verdade, o Ministro cuidou voraz e imediatamente de proteger o seu grupo. Controlou a entrada de arrivistas, eliminou concorrentes. Uma tarde, célebre, ele declarou na televisão: “Devemos estar orgulhosos pela conquista que acabamos de fazer. Um grande feito deste governo que pensa no futuro”. Porque, disse ele, a história vai nos registrar como o Esquema que deu ao país uma das grandes maravilhas do mundo. Não é apenas a África que pode se orgulhar do seu Saara, o deserto que foi mostrado em filmes, se tornou ponto turístico, atração, palco de aventuras, celebrado, glorificado.

A partir de hoje — e ele sorriu, embevecido — contamos também com um deserto maravilhoso, centenas de vezes maior que o Saara, mais belo. Magnificente. Estamos comunicando ao mundo a nona maravilha. Breve, a imprensa mostrará as planícies amarelas, dunas, o curioso leito seco dos rios.”

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Resenha: A Divina Comédia – Inferno

Livro: A Divina Comédia: Inferno
Autor(a):  Dante Alighieri
Editora:
 Abril
Páginas: 432

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Deixai toda esperança, vós que entrais

“Quem poderá em palavras sem rima
dizer das chagas e do sangue plenos
que vi, mesmo que muita vez o exprima?”.

Ninguém. Penso eu após ler essa obra fantástica. Uma criação única e criativa, apesar de toda dificuldade que encontrei ao ler. Não há como negar que é um clássico da literatura mundial já que abarca toda a cultura e o conhecimento do homem medieval (o texto, apesar de não existirem dados precisos, é aprox. de 1300).

A edição da Coleção Abril traz a tradução ótima de Jorge Wanderley e contém notas bibliográficas para cada um dos 34 cantos (Os 3 livros que compõe A Divina Comédia são divididos em 33 cantos, sendo que o Inferno possui um canto a mais que serve de introdução ao poema) e auxiliam na leitura. Mas tenho que confessar que não li todas as notas e mantive a leitura em sua grande maioria apenas nos versos.

Foi a minha primeira, e de maneira alguma a última, leitura dessa obra magistral de Dante Alighieri. Tenho que dizer que não me sinto madura o suficiente para dizer que entendi completamente sua obra, mas compreendi ao menos a estrutura e o sentido das 9 divisões em círculos do Inferno.

O que me levou a ler A Divina Comédia – Inferno? Vai ser difícil de acreditar, mas foi uma personagem de HQ conhecida por Dominó da Marvel Comics. Um amor antigo dessa personagem era apaixonado por este livro e apelidou Dominó de Beatrice por conta do anjo que aparece para auxiliar a viagem de Dante ao Inferno.

Foram quatro estrelas, para um livro que provavelmente darei cinco quando o ler novamente, com calma e a ponto de estudar cada nota bibliográfica num outro momento de minha vida. Afinal, como disse Borges sobre essa obra: “A divina comédia é uma cidade que nunca teremos explorado de todo”

29.10 [18] – Dia Nacional do Livro

“Uns meditam, outros oram. Eu leio, uma xícara de café e um bom livro a tira colo, isso me acalma a alma. Sim, sou daqueles que leem ouvindo música”.

. Driu Kilberg .

Governar

Os garotos da rua resolveram brincar de governo, escolheram o presidente e pediram-lhe que governasse para o bem de todos.

– Pois não – aceitou Martim. – Daqui por diante vocês farão meus exercícios escolares e eu assino. Clóvis e mais dois de vocês formarão a minha segurança.

Januário será meu Ministro da Fazenda e pagará o meu lanche.

– Com que dinheiro? – atalhou Januário.

– Cada um de vocês contribuirá com um cruzeiro por dia para a caixinha do governo.

– E que é que nós lucramos com isso? – perguntaram em coro.

– Lucram a certeza de que têm um bom presidente. Eu separo as brigas, distribuo tarefas, trato de igual para igual com os professores. Vocês obedecem, democraticamente.

– Assim não vale. O presidente deve ser nosso servidor, ou pelo menos saber que todos somos iguais a ele. Queremos vantagens.

– Eu sou o presidente e não posso ser igual a vocês, que são presididos. Se exigirem coisas de mim, serão multados e perderão o direito de participar da minha comitiva nas festas. Pensam que ser presidente é moleza? Já estou sentindo como esse cargo é cheio de espinhos.

Foi deposto, e dissolvida a República.

Carlos Drummond de Andrade in Rick e a Girafa

OS MÚSCULOS

Todos os domingos, pela manhã, enquanto os outros homens se reuniam no bar da esquina, ou iam para a várzea, ele ficava no quintal, remexendo a terra. O quintal media 4 metros quadrados, o máximo que a administração do com junto residencial fornecia. Ali, ele tinha alface, beterraba e couve.

Naquela manhã, ao passar o rastelo sentiu alguma coisa prendendo os dentes da ferramenta. Forçou, era resistente. Abaixou-se e notou fios prateados que saíam da terra. Era arame, novo. Quando tinha revirado a terra para adubar, tinha cavado fundo sem encontrar nada. Além disso, arame velho estaria enferrujado. Tentou puxar o fio, estava bem preso. Buscou um alicate, conseguiu pouca coisa. Cavou. O arame penetrava na terra alguns metros. Cavou mais. Como é que tinham feito uma coisa dessas, da noite para o dia? Preocupado com a horta, parou a pesquisa. Regou um pouco as sementes, pensando se o arame não ia prejudicar a germinação.

No dia seguinte, levantou-se bem cedo, para observar. O arame tinha crescido. Nos três canteiros, havia brotos de dez centímetros de altura. Um araminho espigado, vivo, forte. Teria sido um pacote errado de sementes? Não, era loucura. Semente de arame?