Resenha: O Pálido Olho Azul

Livro: O Pálido Olho Azul
Autor(a): Louis Bayard
Editora:
 Planeta do Brasil
Páginas: 432

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Para aqueles que gostam de um bom triller de suspense e mistério, O Pálido Olho Azul é um prato cheio. Sua história acontece no século XIX e é surpreendentemente bem narrada por Bayard que ainda soma a excentrica pessoa de Edgar Alan Poe à trama, o que dá um toque especial à história.

Um corpo é encontrado na tradicional Academia de West Point pendurado em uma árvore por uma corda não curta o bastante o que mantia os pés do cadete apoiados no chão. Não bastando, seu coração fora arrancado. Seria um suicidio seguido da cruel agressão de seu corpo, ou um sórdido assassinato? Para desvendar esse mistério, August Landor, um renomado detetive, é chamado a serviço da Academia. Landor nomeia como seu ajudante nada mesmo que Poe e é então que a busca pela verdade se inicia.

A história é fascinante e a narrativa de Bayard, totalmente desprovida de sentimentalismo, torna tudo muito real. Fiquei impressionada com a linguagem usada no livro que parece reviver o século em que se passa a história. Sem contar que o relacionamento de Poe e o detetive Landor foi muito bem elaborado mantendo o interesse do leitor preso na história.

Leitura recomendada!

Inteligência Poderosa

Painting of Emily Jane Brönte.

Ela devia ter nascido homem – um grande navegador. Sua inteligencia poderosa teria produzido novas esferas de descoberta a partir do conhecimento acumulado pelas antigas; e sua vontade férrea jamais teria se acovardado por qualquer oposição ou dificuldade, nunca teria desistido, a não ser em caso de morte. Tinha cabeça para lógica e uma capacidade de argumentação pouco usual em um homem, que dirá em uma mulher. Contrabalançando esse dom, havia sua teimosa tenacidade, que a tornava impermeável a qualquer contra-argumentação, sempre que seus próprios desejos e senso de justiça estavam em jogo.

Constantin Héger
Emily
deixou uma forte impressão no famosos pedagogo belga. Embora contaminado pelo preconceito da época contra o potencial das mulheres como escritoras e intelectuais, sua admiração fica evidente no depoimento que deixou sobre a jovem.
(Rodrigo Lacerda na Apresentação de O Morro dos Ventos Uivantes da Editora Zahar)

A vida já é difícil o bastante

“o amor vai chegar
e quando o amor chegar
o amor vai te abraçar
o amor vai dizer o seu nome
e você vai derreter
só que às vezes
o amor vai te machucar mas
o amor nunca faz por mal
o amor não faz jogo
porque o amor sabe que a vida
já é difícil o bastante”

. Rupi Kaur in Milk and Honey .

Resenha: Grandes Esperanças

Livro: Grandes Esperanças
Autor(a): Charles Dickens 
Editora:
 Abril
Páginas: 656

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Não é a toa que é um clássico da literatura mundial. Logo de início se é conquistado pelo narrador e principal protagonista dessa história: Pip. Quando digo de iníco, quero dizer logo nas primeiras linhas mesmo. Pip é encantandor, e sua linguagem tem o apelo da ingenuidade da criança que torna impossível não criar uma ligação com ele. E acho que começa daí o encanto dessa obra.

Grandes Esperanças é uma história cheia “disso que chamamos de ‘minha vida'”, como diria Caio F. Tristeza, horrores, medo, insegurança, culpa e principalmente “grandes esperanças”. Pip, é um menino órfão que é criado por uma irmã muito mais velha de temperamento inflamável e seu marido, o ferreiro Joe com quem Pip cria um laço de amizade e amor muito bonito. Certo dia, ele recebe um convite e visita uma mulher muito rica, que vivia reclusa em sua mansão com sua filha adotiva, Estela. Nesta visita é que Pip conhece um mundo completamente diferente da pobreza em que vivia, trabalhando  demais e sonhando de menos. Ele sai da casa, sentindo-se inferior às duas mulheres, mas tão encantado com Estela, que compromete-se a voltar na semana seguinte e assim o faz, por diversas vezes.

Confesso que a primeira vez em que fiz esta resenha, eu não toquei no nome de Estela, porque senti nela um quê de Chaterine Earneshaw e fiquei muito condoída por Pip e seu sofrimento por ela. Mas acabei deixando uma personagem e fato importante de lado, que é justamente ao conhecê-la e a sua riqueza que o que antes lhe parecia suficiente, agora lhe parece pouco demais e Pip começa então a almejar outras conquistas e vivências. A ter… Grandes Esperanças.  Continua vivendo na maior pobreza, até que um dia recebe uma fortuna para alcançar suas “grandes esperanças” e vai viver em Londres, deixando Joe e sua irmã para trás.

Nesse novo mundo, cheio de regalias antes jamais imaginadas, Pip passará por diversas situações perigosas devidas à sua rápida ascensão social, porém preserva sua ingenuidade quase infantil dos primeiros capítulos e mantém uma afetividade descuidada em relação a Joe, seu grande amigo da infância. Muitas são as reviravoltas na vida de Pip e a história guarda grandes surpresas e um final surpreendente. Gostei principalmente da maneira como o autor ao longo do texto vai mostrando como Pip não perde suas esperanças, se agarra a elas mesmo quando já sabe do fim inevitável, recusando-se a acreditar que elas terão um fim.

Uma obra realmente fantástica, embora eu tenha que confessar que achei alguns capítulos cansativos e com informações irrelevantes ao contexto da história, mas é raro quando isso acontece e no todo a leitura é bastante prazerosa e flui com facilidade.

Recomendo!

Fechar os olhos, ou despertar?

Roubartilhei daqui:

“A vida de um ser humano vale mais que a de um animal”

Foi essa frase que li num lugar bastante inusitado. Estava estudando em um livro sobre Segurança no Trabalho. Falava sobre normas técnicas e tudo mais no trabalho. Para não deixar o ensino difícil os autores contaram uma história. Então uma parte dessa história era um acidente numa empresa e num certo momento as pessoas precisavam entrar em uma sala que poderia estar contaminada com gás tóxico. Uma das pessoas que estava na empresa possuía um ratinho de estimação. Depois de alguma discussão por fim decidiu-se lançar o ratinho na tal sala e ver o que acontecia. O animalzinho acaba morrendo e a conclusão sobre porque usar o animal é a frase que citei no início do texto.

É realmente difícil uma situação em que alguma pessoa precisa se arriscar. E em geral não demora muito para escolhermos usar animais para preservar nossa pele. E esta escolha não é insana. Ela tem uma série de questionamentos éticos e morais. Mas acima de tudo, não importa o que o ser humano decida, a frase acima está totalmente equivocada.

A começar que os seres humanos são animais. A frase opõe humanos aos animais. Em princípio nos acostumamos a chamar os animais não-humanos de “animais” e considerar a nós mesmos como algo superior. Algo tão superior que nem lembramos mais que somos animais. Esquecemos que assim como um cachorro, uma vaca, um cavalo, nós partilhamos órgãos de reprodução, digestão, temos cérebro, etc. Somos inclusive 98% de genética idêntica à um chimpanzé. Eu sei que para muitos é uma ofensa aceitar este fato, mas é um fato.

Em segundo lugar é preciso ver que esta classificação de “quem vale mais” é confusa. Mesmo as pessoas que aceitam de bom grado que animais são inferiores e que devem ser usados em experiências científicas, mesmo elas com seus preconceitos tem dificuldades em avaliar entre o que vale mais: um ser humano corrupto e desumano ou um animal de resgate que foi treinado para salvar vidas? Porém, mesmo com esta dificuldade, esta comparação permanece ainda absurda.

Quem convive com animais sabe bem do que estou falando. Eles não são “computadores regidos por instintos”. Animais não humanos são diferentes de nós, mas são seres com personalidade, individualidade, gostos igual qualquer ser humano.

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Deste dia…

Ainda a tempo do #diadosnamorados: se isso não é amor, eu não sei o que é  🎑🍃#wutheringheights #omorrodosventosuivantes#livrofavoritodavida #cathyandheathcliff #emilybrontë #coleção 📚📖💞

“Seja qual for a matéria de que as nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais”. 

. Emily Brönte in O Morro dos Ventos Uivantes .

PS. Quando fui guardar os livros que percebi que tinha ficado uma edição de#wh de fora porque fica separada na estante junto com os demais livros da Coleção Clássicos Universais da Editora Abril  Tenho 16 edições diferentes desse livro e esperando a 17ª chegar da Saraiva 
PS.2 Essa cadeirinha linda com almofada fofa com desenho maravilhoso de O Morro dos Ventos Uivantes foi feita com todo #capricho#talento e #amor pelaLucieide Oliveira do 100Cadeiras & Outras Coisas! Deem uma olhada na página e no trabalho dela!! Super recomendo 

Resenha: O Sentimento do Mundo

Livro: O Sentimento do Mundo
Autor(a): Carlos Drummond de Andrade 
Editora:
 Record
Páginas: 128

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

O Sentimento do Mundo!
Eu adoro Drummond. Suas poesias são cheia de “Sentimento do Mundo” e não falo só deste livro. Tudo que já li de Drummond até hoje traz como marca registrada muito sentimento. Este livro, além disso, é um livro contemporâneo, moderno e com várias críticas a sociedade, ao modo melancólico e um pouco sonhador de Drummond! O livro é dividido em três partes:

Alguma poesia, com poemas sobre o cotidiano, política, críticas a sociedade e algumas culturas que importamos para o Brasil. Confesso que esta foi a parte que menos gostei. Daqui destaco os poemas “Toada do Amor”, “Poema que Aconteceu” e “O Sobrevivente”.

Brejo das Almas, ainda sobre o cotidiano porém mais romântico, embora com toques de realidade. Destaco desta parte, “Soneto da Perdida Esperança”, “Segredo” e “Convite Triste”.

Sentimento do Mundo, a parte que mais gostei do livro. Emoção, cotidiano, crítica e romance tudo junto. O sentimento do mundo literalmente. Destaco “Sentimento do Mundo”, “Os ombros suportam o mundo”, “Mãos Dadas” e “Mundo Grande”. Deste último poema citado, segue um dos trechos mais lindos de Drummond, em minha opinião:

“Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar”.

Leitura recomendada!