Leituras de Fevereiro 2020

  1. Graça Infinita – #DavidFosterWallace: dobra todas as regras da ficção sem jamais sacrificar seu próprio valor de entretenimento. É uma exuberante e original investigação do que nos torna humanos – e um desses raros livros que renovam a ideia do que um romance pode ser;

  2. Em Algum Lugar nas Estrelas – #ClareVanderpool: é uma daquelas grandes histórias que permanecem com você por muito tempo, perfeita para ler entre amigos ou passar de pai para filho. Tudo que é real pode ser uma grande fantasia ou uma coincidência inevitável. Somos muito mais que um simples desejo do acaso. Nossos caminhos vão se cruzar no primeiro semestre de 2016 nesta obra premiada com o Printz Honow Award em 2016, indicada a outra dezena de prêmios e eleita o livro do ano em dezenas de listas preparadas pelos leitores;

  3. Os Contos de Fadas Como você Nunca Viu – #CleiaLira: nessa coletânea de contos das princesas, a autora nos apresenta princesas modernas, fortes, emponderadas e decididas, com romances, aventuras, surpresas e inspirações;

  4. Escolhi Você – #CleiaLira: Mel tem uma carreira promissora e brilhante. Porém, sua vida amorosa é um verdadeiro desastre: sua mãe acredita que a filha tem um radar para atrair cafajestes; seus relacionamentos não passam de alguns meses. Diante dessa situação, ela perdeu a esperança de encontrar o seu príncipe encantado. No entanto, ela quer ser mãe e, pressionada pela família, resolve usar um aplicativo de relacionamentos para encontrar o homem que vai ajudar a realizar seu grande sonho. Contudo, como nada na vida dessa garota é fácil, essa busca promete ser sua maior aventura;

  5. Mulheres que Correm com os Lobos – #ClarissaPinkolaEstés: abordando 19 mitos, Estés mostra como a natureza instintiva da mulher foi sendo domesticada ao longo dos tempos, num processo que punia todas aquelas que se rebelavam. Mas sua energia vital, segundo ela, pode ser restaurada por escavações “psíquico-arqueológicas” nas ruínas do mundo subterrâneo. Até o ponto em que, emergindo das grossas camadas de condicionamento cultural, apareça a corajosa loba que vive em cada mulher;

  6. Eu te darei o Sol – #JandyNelson: Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia. Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém.

Quais são as leituras de vocês pra esse mês?

Dois modos de ler

Existem dois modos distintos de ler os autores: um deles é muito bom e útil, o outro, inútil e até mesmo perigoso. É muito útil ler quando se medita sobre o que é lido; quando se procura, pelo esforço da mente, resolver as questões que os títulos dos capítulos propõem, mesmo antes de se começar a lê-los; quando se ordenam e comparam as ideias umas com as outras; em suma, quando se usa a razão. Ao contrário, é inútil ler quando não entendemos o que lemos, e perigoso ler e formar conceitos daquilo que lemos quando não examinamos suficientemente o que foi lido para julgar com cuidado, sobretudo se temos memória bastante para reter os conceitos firmados e imprudência bastante para concordar com eles. O primeiro modo de ler ilumina e fortifica a mente, aumentando o seu entendimento. O segundo diminui o entendimento e gradualmente o torna fraco, obscuro e confuso. Ocorre que a maior parte daqueles que se vangloriam de conhecer as opiniões dos outros estuda apenas do segundo modo. Quanto mais lêem, portanto, mais fracas e mais confusas se tornam suas mentes.

Malebranche in O Livro das Citações.
São Paulo: Companhia das Letras, 2008 p. 24.

07.01 [20] – Dia do Leitor

“Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos sob suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece”.

. Carlos Ruiz Zafón .

Leituras das Férias/Janeiro 2020

  1. Mulheres que Correm com os Lobos – #ClarissaPinkolaEstés: os lobos foram pintados com um pincel negro nos contos de fada e até hoje assustam meninas indefesas. Mas nem sempre eles foram vistos como criaturas terríveis e violentas. A analista junguiana Clarissa Pinkola Estés acredita que na nossa sociedade as mulheres vêm sendo tratadas de uma forma semelhante. Ao investigar o esmagamento da natureza instintiva feminina, Clarissa descobriu a chave da sensação de impotência da mulher moderna. Abordando 19 mitos, Estés mostra como a natureza instintiva da mulher foi sendo domesticada ao longo dos tempos, num processo que punia todas aquelas que se rebelavam. Mas sua energia vital, segundo ela, pode ser restaurada por escavações “psíquico-arqueológicas” nas ruínas do mundo subterrâneo. Até o ponto em que, emergindo das grossas camadas de condicionamento cultural, apareça a corajosa loba que vive em cada mulher. Clássicos dos estudos sobre o sagrado feminino e o feminismo, livro é o primeiro de uma série de longsellers da Rocco a ganhar edição com novo projeto gráfico e capa dura;

  2. A Livraria 24h do Mr. Penumbra – #RobinSloan: A recessão econômica obriga Clay Jannon, um web-designer desempregado, a aceitar trabalho em uma livraria 24 horas. A livraria do Mr. Penumbra — um homenzinho estranho com cara de gnomo. Tão singular quanto seu proprietário é a livraria onde só um pequeno grupo de clientes aparece. E sempre que aparece é para se enfurnar, junto do proprietário, nos cantos mais obscuros da loja, e apreciar um misterioso conjunto de livros a que Clay Jannon foi proibido de ler. Mas Jannon é curioso… ;

  3. A Conquista da Paz – Psicografia de #ElianaMachadoCoelho, Espírito #Schellida: Antonella e Enrico têm cinco filhos bem criados, adultos e independentes. A família é alicerçada em todos os sentidos, até que, subitamente, veem-se abalados pelo falecimento repentino do pai e situações impostas pela vida. Cada um com problemas diferentes, mas com a mesma origem: Perceval. O espírito Perceval, mestre das sombras, torna-se obsessor implacável de Bárbara, a filha mais nova do casal. Emancipada, a jovem era profissional esforçada e inteligente. Dona de bom-gosto, autoestima e muito vigor. Aos poucos, perde todas as suas conquistas e vê-se obrigada a retornar para a casa de sua mãe e se juntar às irmãs que também vivem imensos desafios. Na espiritualidade, a perseguição é intensa. Bárbara e sua família são envolvidas em terríveis tramas para que percam a vontade de viver e a fé, uma vez que a vida só lhes apresenta perdas. Como superar? Como vencer? Como criar novamente vontade e ânimo para viver? Como não ceder aos desejos mórbidos do obsessor e preservar a própria vida? Deus nunca nos abandona. Mas é preciso buscá-Lo. Este belo e surpreendente romance, traz-nos uma história fascinante, com reflexões e ensinamentos valorosos, mostrando-nos que somos capazes de desenvolver a fé, vencer obstáculos e desafios. Pela misericórdia Divina e a nossa determinação no bem, somos capazes de conquistar a paz;

  4. Castelos de Marzipã – Psicografia de #LygiaBerbiéreAmaral, Espírito #Schellida: existem mais de 340 milhões de pessoas vivendo com o diabetes no mundo. Calcula-se que este total irá saltar para 380 milhões até 2025 se nenhuma providência for tomada no sentido de prevenir a população e conscientizá-la da urgente necessidade de reverter este quadro. O diabetes, sobretudo o tipo 2, afeta 5,9 por cento da população adulta mundial. Quase metade deste imenso número de pessoas não sabe sequer que tem a doença, aumentando ainda mais o risco de suas possíveis complicações. O diabetes é a principal causa de cegueira no mundo e também a principal causa não traumática de amputações de membros inferiores. Enfartes são três a cinco vezes mais frequentes nos portadores da doença, dos quais 65 por cento apresentam pressão alta, para citar apenas algumas delas. Afinal, conteúdos genéticos à parte, será que existe uma explicação espiritual para o diabetes? Será possível que no mundo espiritual alguém programe, de livre e espontânea vontade, nascer ou vir a desenvolver essa doença ao longo da existência? Com que finalidade? Será que só quem come muito açúcar tem essa doença? Em que medida gostar muito de comer doces pode ser considerado uma compulsão? Todas as compulsões possuem uma raiz em comum? A resposta para essas e muitas outras perguntas é mais um dos temperos do romance “Castelos de Marzipã”, oitavo romance espírita e jornalístico de Lygia Barbiére Amaral;

  5. Graça Infinita – #DavidFosterWallace: neste romance, seguimos os passos dos irmãos Incandenza – membros da família mais disfuncional da literatura contemporânea -, conforme tentam dar conta do legado do patriarca James Incandenza, um cientista de óptica que se tornou cineasta e cometeu suicídio depois de produzir um misterioso filme que, pela alta voltagem de entretenimento, levava seus espectadores à morte. Enquanto organizações governamentais e terroristas querem usar o filme como arma de guerra, os Incandenza vão se embrenhar numa cômica e filosófica busca pelo sentido da vida. Graça Infinita dobra todas as regras da ficção sem jamais sacrificar seu próprio valor de entretenimento. É uma exuberante e original investigação do que nos torna humanos – e um desses raros livros que renovam a ideia do que um romance pode ser.

Quais são as leituras de vocês pra esse início de ano?

2020…

“Que seja doce (…)Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante”.

. Caio Fernando Abreu .

Feliz Ano Novo! 🎇🎆✨💛

Boas Festas

Desejo a todos os leitores do “Entre Aspas” um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de realizações!!

Resenha: O Labirinto do Fauno

Livro: O Labirinto do Fauno
Autor(a): Guilhermo Del Toro & Cornelia Funke
Editora:
Intrínseca
Páginas: 320

Nota: 5 ❤
(1.Não gostei 2.Gostei pouco; 3.Gostei; 4.Gostei bastante; 5.Adorei)

Que livro, meus senhores! Que livro!
Esse livro é o caminho contrário, já que a maioria dos filmes vieram de livros e este é um livro que nasceu de um filme. Guilherme Del Toro, o diretor do filme, pediu a Cornelia Funke (autora da trilogia Coração de Tinta! Quem não conhece, eu super recomendo!) que transformasse suas belas e mágicas imagens em palavras. E o resultado foi que ela fez mágica também! Nunca consegui assistir ao filme até o final, pois confesso tenho sérios problemas com o Espanhol (no entanto agora TEREI que ver) e quando vi o livro corri comprar pois meu problema tinha sido resolvido.

E que história, meu Deus! Já era super fã da narrativa de Cornélia que me conquistou na trilogia que citei mais acima, mas agora confirmei minha admiração, pois além de ser extremamente fiel ao filme (pelo menos até onde consegui assistir), ainda acrescentou alguns contos dentro do contexto do Labirinto que deixou tudo ainda mais mágico. A forma como descreve os personagens e as cenas, as maravilhas que consegue criar através das palavras é uma junção de encantamento e assombro ao mesmo tempo, aliado ao toque triste da história em si. Não tem como não se apaixonar pelas personagens, não tem como não sofrer e sorrir com elas, não tem como não sentir raiva e impotência diante de certos acontecimentos e a angústia que só uma boa história, impecavelmente narrada, é capaz de trazer.

Com um final que me tirou lágrimas dos olhos pela coragem e pela crueza, Cornélia e Guilhermo conseguiram transbordar sentimentos através de uma literatura fantástica extremamente atual, embora a história se passe na década de 40, numa Espanha facista, onde os horrores e brutalidade da realidade se fundem a contos de “fadas” nada convencionais.

Vale muito a pena a leitura! Vale muito a pena TER esse livro que tem um trabalho editorial lindíssimo: capa dura, corte colorido, ilustrações fantásticas. Estou literalmente apaixonada. É obvio que se tornou um dos meus favoritos e acredito que é um livro que todos deveriam ler, reler, refletir, amar…

Vai passar…

Olhe, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai agüentar, mas agüenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai agüentar, mas agüenta: as dores da vida. Pense assim: agora tá insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. Você acha que não porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já tá lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traqueia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo – é difícil de acreditar, eu sei – vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. “É melhor viver do que ser feliz”. Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, eu sei como dói. Mas passa. Está vendo a felicidade ali na frente? Não, você não está vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.

Antônio Prata in Adulterado.
São Paulo: Moderna, 2009 p. 113-115.

Conforto e Refúgio

“A única lembrança de casa que Ofélia levou foram alguns dos seus livros. Ela segurou um deles com firmeza no colo e acariciou a capa. Ao abri-lo, as páginas brancas reluziram em contraste com as sombras da floresta, e as palavras que saltaram dele ofereceram conforto e refúgio. As letras eram como pegadas na neve, uma paisagem vasta e clara intocada pela dor, agradáveis demais para serem esquecidas”.

. Guilhermo del Toro e Cornélia Funke in O Labirinto do Fauno .

CENSURA NÃO!

EU SOU CONTRA A CENSURA!!!
Quem decide o que os filhos vão ou não ler são os pais e não o GOVERNO!! Há situaçōes bem mais sérias a serem feitas por tal e que estão bem longe de serem resolvidas. Só lembrando que algumas HQ’s, principalmente a em questão não é para crianças e sim para público juvenil-adulto, já que todos sabemos que HQ’s historicamente tem cenas de guerra, violência, massacres, enfim… (mas isso OK, o que incomoda é o amor) O que não impede que pais leitores deixem seus filhos ler com a devida supervisão e trabalhando com os temas abordados. Cada um sabe o melhor momento. Quem não quer também, não tem o menor problema. É só deixar de ter PREGUIÇA, LER e averiguar o que seu filho está consumindo/lendo e pronto!!! O que mais me indigna é que esses pais não são tão criteriosos com a TV/internet e certas letras de músicas, como o são com os livros!!! Pra finalizar… Quem quer compra, quem não quer NÃO COMPRA!! Simples assim!! E VIVA A LIVRARIA!! 📚📚📚❤️❤️❤️