Responder e não Reagir

“Precisamos estar atentos para responder ao mundo ao invés de reagir. Reações podem ser violentas e desagradáveis e nem sempre levam aos resultados esperados. Ações verdadeiras e puras podem transformar o mundo. Por isso, Sua Santidade o 14º Dalai Lama afirma: ‘Compaixão nem sempre vem de entranhas. Tem de ser treinada, praticada através da mente consciente, lúcida, clara'”.

Monja Coen in A sabedoria da Transformação .

Resenha: Excalibur

Livro: Excalibur
Autor(a): Bernard Cornwell
Editora:
 Record
Páginas: 532

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

E tudo termina em lágrimas…
“Você não pode deixar uma história sem final, Derfel” – foi o que Igraine, Rainha de Powys e patrona de Derfel, disse. “Precisa de um final, aqui e agora” – insistiu a Rainha – “Esse é o objetivo das histórias. A vida não precisa de finais bem-feitos, por isso as histórias devem tê-los”

Derfel preferia não ter que continuar. Contou a história de Artur até sua maior vitória e realização no Mynydd Baddon, e tinha vontade de terminar ali, mas ele concordava com a sua Rainha: “a vida não tem finais bem acabados, por isso devo continuar com esta narrativa sobre Artur”. E continuou. Apesar de Merlin ter avisado “É melhor não saber do futuro. Tudo termina em lágrimas, e é só o que há”. E foi só o que houve. Lágrimas.

Artur buscou a sua vida inteira o que naquela época era impossível. Ele queria a paz numa época de guerra, justiça numa época de ignorâncias, gentilezas numa época de selvagens. Teve alguns momentos de felicidade, raros momentos de paz, nenhuma justiça, mas conseguiu uma vitória: manter a Britânia longe do ‘poder’ desvairado de um Rei que não nasceu para governar: Mordred.

A história, apesar das diferenças em alguns personagens e passagens, é muito bela, muito trágica e vale a pena ser lida. Senti um pouco de cansaço nas descrições das muitas guerras e por isso as quatro estrelas. Tive que concordar com a Rainha Igraine: “Nem todo mundo gosta de ouvir sobre lanças e mortes, Derfel”, mas a narrativa de Cornwell é fantástica e todos aqueles que tem alguma simpatia pelas histórias de Artur tem que ler essa trilogia.

Leitura recomendada!

Resenha: O Inimigo de Deus

Livro: O Inimigo de Deus
Autor(a): Bernard Cornwell
Editora:
 Record
Páginas: 518

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Fascinante!
Acho que me acostumei à densidade e ao ar árido da narrativa de Cornwell, por que achei esse livro fantástico. Desde o começo até a última linha fiquei emocionada e estarrecida diante dos acontecimentos. Claro, são acontecimentos novos para o meu conhecimento da história de Rei Artur e seus cavaleiros, mas foram excepcionalmente narrados nesse volume (devem ter sido igualmente narrados no volume 1, o Rei do Inverno, mas naquele eu ainda não havia me acostumado e estava chocada com as novas versões de personagens e história)

A leitura da saga está me fazendo conhecer personagens até então desconhecidos para mim e me mostrando novas versões dos conhecidos: é uma nova versão de Guinevere, Lancelot, Morgana e até Nimue que fui entender só no final deste livro e lendo a nota do autor que em outros romances ela é chamada de Vivien. Tudo se encaixou, e mesmo assim é uma nova história cheia de muita emoção, realidade, vivacidade e claro: tragédias.

Neste volume há ainda o encanto da lindíssima e tristíssima história de Tristan e Isolda que em minha ignorância eu não sabia ter ocorrido na época de Rei Artur. A história, nesta versão foi lindamente narrada. Como disse Derfel, o narrador (pelo qual acabei simpatizando muito):

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LOUCURAS de Compras

 

Essa #compulsãobenéfica que também ficou conhecida como #loucuramansa por José Mindlin!!

Aprender a Ver

Aprender a ver – habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este é o primeiroensino preliminar para o espírito: não reagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam. Aprender a ver, tal como eu o entendo, é já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, o poder não «querer», o poder diferir a decisão. Toda a não-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo — tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que é já doença, decadência, sintoma de esgotamento, — quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de «vício» é apenas essa incapacidade fisiológica de não reagir. — Uma aplicação prática do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-á a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, ao novode qualquer espécie deixar-se-o-á aproximar-se com uma tranquilidade hostil, — afasta-se dele a mão. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outras coisas, em suma, a famosa «objectividade» moderna é mau gosto, é algo não-aristocrático par excellence.

Friedrich Nietzsche in Crepúsculo dos Ídolos.

Resenha: O Rei do Inverno

Livro: O Rei do Inverno
Autor(a): Bernard Cornwell
Editora:
 Record
Páginas:  546

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Acho que assim como Igraine, Rainha de Powys, casada com Brochvael e patrona de Derfel, o narrador dessa história, eu ansiava pelo romance e beleza que sempre imaginei na história de Rei Artur. Assim como ela, também, imaginava feitos grandes para personagens como Morgana e Lancelot e ficava esperando flores onde as paisagens só podiam ser áridas, como a realidade: nua e crua.

A história começa com Derfel, um dos mais próximos guerreiros de Artur, reescrevendo a lendária história do próprio Artur a pedido da Rainha Igraine. Gostei muito desse recurso utilizado pelo autor, pois faz com que pareça ainda mais real a nossos olhos. Além disso, a narrativa é bastante objetiva e prende a atenção. O Rei do Inverno é o primeiro livro da coleção “As Crônicas de Artur” e é grande a diferença dessa história com outras tantas já contadas sobre ele. Cornwell, pelo que pude notar na leitura e pelo que escreveu em sua “nota do autor” foi o mais fiel possível aos fatos históricos da época e embasou sua pesquisa em recentes descobertas arqueológicas deste imortal personagem, o que deixa tudo ainda mais interessante.

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