Resenha: Jane

Livro: Jane
Autora: Aline Brosh McKenna
Ilustrador: Ramón K. Pérez
Editora: @pipocaenanquim
Páginas: 228
Nota: 5/5

Essa graphic novel me conquistou pela ilustração lindíssima da capa e o all star vermelho. Quando soube que era uma releitura contemporânea do romance clássico Jane Eyre de #CharloteBrönte, não tive outra saída, precisei comprar e ler.

Começo dizendo que as ilustrações (arrasta pro lado pra ver algumas) são realmente de cair o queixo e eu amei todas elas, faz com que toda a história fique ainda mais interessante do que é. São do ilustrador premiado Ramon K. Pérez e trazem um charme especial para o roteiro de Aline Brosh McKenna em sua estreia no mundo dos quadrinhos.

Jane perde seus pais muito cedo para o mar, e desde então é forçada a viver de maneira invisível na casa da tia e primos que ignoram a sua presença. Quando fica mais velha, decide partir em busca do seu lugar no mundo que definitivamente não é ali e com apenas uma mala nas mãos, e uma bolsa de estudos que conquistou por suas habilidades em desenho, se muda para Nova York, tendo que arranjar um emprego às pressas para se manter.

Jane acaba como babá da pequena Adele, filha de um empresário milionário e extremamente soturno que guarda um segredo no terceiro andar do apartamento gigantesco em que mora. Agora que li o clássico, posso dizer que essa releitura traz os pontos fortes e todo mistério que envolve a trama dessa história.

A narrativa aliada as ilustrações belíssimas torna tudo ainda mais envolvente e é impossível parar de ler até que esteja na última página. Assim como na obra clássica, me afeiçoei a Jane desde o começo e torci por ela durante toda sua jornada de descobertas e crescimento.

Super recomendo a leitura!
#blogentreaspas#leiamaismulheres#graphicnovel#read

Morria

“Sentia que morria em cada morte que testemunhava”.

. Micheliny Verunschk in O Som do Rugido da Onça .

Em comum

“Chilenos e ingleses tinham vários traços de carácter em comum: resolviam tudo com a ajuda de síndicos e advogados; sentiam um apego absurdo à tradição, aos símbolos pátrios e às rotinas; proclamavam-se individualistas e inimigos da ostentação, que desprezavam como um símbolo de arrivismo social; pareciam amáveis e controlados, mas eram capazes de grandes crueldades”

. Isabel Allende in Filha da Fortuna .

25.07 [21] – Dia Nacional do Escritor

“— Quero ser escritora quando eu crescer — falei.
— Quer? — perguntou minha tia. — Ah, que legal, mas você também vai precisar arrumar um emprego.
— Escrever vai ser meu emprego — respondi.
— Você pode escrever quando quiser. É um passatempo ótimo. Mas vai ter que ganhar a vida.
— Como escritora.
— Não seja boba.
— Estou falando sério.
— Querida… Pessoas negras não podem ser escritoras.
— Por que não?
— Apenas não podem.
— Elas também podem, sim! Eu tinha mais convicção quando não sabia do que estava falando”.

. Octavia E. Butler in Filhos de Sangue e Outras Histórias .

Gramas de Pânico

“No interior da gaiola, o pássaro não tinha para onde fugir do medo— todos os seus instintos estavam contrariados, a sua experiência não lhe dava garantias do que ia acontecer… O seu peso continha o próprio pássaro— gramas de pânico”.

. José Luis Peixoto in O Caminho Imperfeito .

Primeiros a morrer…

“Os bichos foram os primeiros a morrer. Em seguida, as crianças. O caminho do mar transformado em uma vala comum e inconstante. Crianças e bichos, todos tombados na água sem nenhum ritual, como duras tábuas de madeira despencadas em um túmulo semovente. Longe de suas famílias, nunca encontrariam o caminho para qualquer terra sem males onde pudessem se reunir com seus ancestrais”.

. Micheliny Verunschk in O Som do Rugido da Onça .

Por isso…

“Eu não acredito”
“Por isso”, Yoda disse com ênfase, “você falhar”.

Mestre Yoda, personagem de
. George Lucas, Donald F. Glut e James Kahn in Star Wars V – O Império Contra-Ataca .

Casamento

“O bom do casamento é enviuvar”

. Isabel Allende in Filha da Fortuna .

Resenha: O Engenhoso Fidalgo D. Quixote da Mancha (volume 2)

Livro: O Engenhoso Fidalgo D. Quixote da Mancha
(Volume 2)
Autor: Miguel de Cervantes
Editora: @grupoabril
Páginas: 374
Nota: 4/5

Confesso que, apesar da genialidade narrativa de Cervantes continuar intacta, achei a leitura desse volume mais morosa e me encantei mais pelo volume 1. Pode ser, pela mudança a olhos vistos de Dom Quixote que se mostra mais retido. É nítido que em diversas passagens que, claramente ele buscaria incitar e provocar, neste está menos incisivo.

É possível ver a mudança de sua natureza também através das digressões e diálogos com alguns personagens, onde mostra um intelecto mais aprimorado. Ainda assim, são diversas as cenas dignas de nota ao longo dessa leitura e que tornariam essa resenha infinita. Mas gostaria de destacar algumas que chamaram mais a minha atenção:

O duelo com o Cavaleiro dos Espelhos, que na verdade era vizinho de D. Quixote e estava tentando dissuadí-lo de sua louca empreitada, desafiando-o colocando em cheque a beleza de Dulcinéa, a donzela de nosso protagonista.

O encontro com um casal misterioso que diz conhecê-lo por um livro com seus feitos e decidem recebê-lo com toda pompa e honraria que um cavaleiro merece, apenas para zombar e rir de suas peripécias. O casal inclusive prega uma peça em Sancho Pança, nomeando-o governador de uma ilha.

A novela do “Curioso Impertinente”, a história de um triângulo amoroso contada pelo vigário de uma aldeia, enquanto D. Quixote dorme e sonha com gigantes. É a mais famosa história contada neste volume e que foi inclusive publicada separadamente depois.

Por fim, o duelo final do nosso Cavaleiro da Triste Figura com o Cavaleiro da Lua, nova tentativa do vizinho de D. Quixote em tirá-lo da loucura e que por fim dá certo, já que o vence em frente à uma multidão de expectadores.

Humilhado e derrotado, D. Quixote finalmente retorna à sua casa, ficando doente e melancólico. Em seu leito de morte, recobra a consciência e pede perdão à sua sobrinha e a Sancho que fica a seu lado até o último suspiro!

Recomendadíssimo!!
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Podia ou não

“Ela não era ‘todo mundo’. Era ela mesma. Sabia o que podia suportar e o que não podia”.

. Octavia E. Butler in Filhos de Sangue e Outras Histórias .