Resenha: Intérprete de Males

Livro: Interprete de Males
Autora: Jhumpa Lahiri
Editora: @taglivros
Páginas: 208
Nota: 4/5

Intérprete de Males é o primeiro livro publicado da autora inglesa Jhumpa Lahiri. Filha de indianos, Lahiri escapa dos esteriótipos e nos descreve as singularidades de seus personagens em situações comuns com delicadeza e empatia.

Um casal em crise que volta a conversar quando a energia é cortada por uma hora durante cinco dias, um guia indiano que observa os costumes americanizados de uma família, uma jovem que se apaixona por um homem comprometido, um rapaz que se sente sozinho em Boston, uma família que acolhe um vizinho durante uma guerra, enfim…

Histórias de um dia a dia que mesclam culturas e que fariam sentido se ambientadas em qualquer lugar do mundo! Somos presenteados ainda com detalhes da cultura indiana: pratos, costumes, cheiros, memórias, vestimentas que permeiam os contos de forma sutil respeitando o cenário de cada conto e tornando tudo agradável e familiar.

Impossível não se identificar com as situações e personagens e não se sentir próximo deles através do cuidado na escrita da autora. Adorei a leitura e super recomendo!!

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Mais importante

“Fora de meus estudos, era a leitura a coisa mais importante de minha vida”.

. Simone de Beauvoir in Memórias de uma Moça Bem-Comportada .

Perda

“tudo escorre e
tudo é perda
mesmo quando estou fazendo
o que imaginei que gostaria de estar fazendo”.

. Aline Bei in O Peso do Pássaro Morto .

Méritos

“As alegrias e as tristezas dos homens correspondem a seus méritos”.

. Simone de Beauvoir in Memórias de uma Moça bem Comportada .

Meu lugar.

Eu resolvera há muito, consagrar a vida aos trabalhos intelectuais. Zaza escandalizou-se um dia, declarando, provocante: “Por nove filhos no mundo, como fez mamãe, é tão importante quanto escrever livros”. Eu não via denominador comum entre dois destinos. Ter filhos, que por sua vez teriam filhos, era repetir ao infinito o mesmo refrão tedioso. O sábio, o artista, o pensador criavam um mundo diferente, luminoso e alegre em que tudo tinha sua razão de ser. Nele é que eu queria viver; estava resolvida a conquistar o meu lugar”.

. Simone de Beauvoir in Memórias de uma Moça Bem-Comportada .

Medo

“Como fazem os outros? Como farei eu? Parecia-me impossível viver a vida inteiro com o coração torturado pelo medo”.

. Simone de Beauvoir in Memórias de uma Moça Bem-Comportada .

“Eu estava só: pela primeira vez compreendi o sentido terrível dessa palavra, Só: sem testemunha, sem interlocutor, sem a quem recorrer. Minha respiração no peito, meu sangue nas veias, a confusão na minha cabeça, tudo isso não existia para ninguém”.

. Simone de Beauvoir in Memórias de uma Moça Bem-Comportada .

Resenha: Duna

Livro: Duna
Autora: Frank Herbert
Editora: @editoraaleph
Páginas: 680
Nota: 5/5 (💜)

Extraordinário
Há anos que estou para ler esse livro que foi indicação de um amigo muito querido e hoje me pergunto porque demorei tanto! Duna é um livro com uma história incrível e cheia de reflexões, o que tão bem caracteriza o seu gênero literário, a ficção científica. Além disso muitos dos questionamentos levantados nessa trama são extremamente atuais e podem se encaixar perfeitamente a alguns dos nossos acontecimentos cotidianos.

Duna é como ficou conhecido o planeta Arrakis, composto por um gigantesco deserto onde vivem enormes criaturas chamadas de “vermes”, pouquíssima água, algumas cidades e um povo nômade, os Fremen. As condições do planeta são severas e para sobreviver ao deserto é preciso utilizar um traje que reaproveita a água do corpo. É esse o nível de escassez de água do planeta conhecido como Duna. Além disso Duna possui “A Especiaria” que é um tipo de tempero especial que pode proporcionar a expansão da inteligência humana e permitir viagens intergaláticas e que só é encontrado neste planeta.

O ano é 10 mil, a humanidade já se espalhou pelas estrelas e a Terra é apenas uma lembrança. A sociedade é comandada por um Imperador e é composta por uma Guilda Espacial, duas casas que disputam entre si pelo governo de Duna, os Atreides (considerados os bons moços) e os Harkonnen (considerados os degenardos) e as Bene Gesserit, uma ordem de mulheres com poderes e propósitos misteriosos.

Da união do Duque Leto Atreides e da Bene Gesserit Lady Jéssica, nasce Paul Atreides, herdeiro da casa e suspeito de ser “O Escolhido”, o messias esperado pela ordem Bene Gesserit há anos e que tem o propósito de liderar o povo de Duna e salvá-lo de sua casa rival. Os três vão para Arrakis e acabam caindo numa armadilha ardilosa do Barão Vladmir Harkonnen, uma criatura terrível que abusa sexualmente de escravos e mantém sua população à base do medo.

É muito difícil explicar em poucas palavras a profundidade dessa história e tudo que disse é bastante superficial em relação à todas as suas vertentes filosóficas, religiosas e ambientais. Acompanhamos nesse livro a jornada de um herói e sua incessante busca pelo conhecimento, ponto bastante abordado nesse livro. A trama é muito bem amarrada, a narrativa de Herbert é genial e empolgante e apesar de alguns momentos se tornar um pouco cansativa nos detalhes e descrições, são extremamente necessários para o desenrolar da história.

Acho interessante abordar também toda a preocupação do autor em relação ao nosso meio ambiente que fica bem explícita em Duna principalmente pelo personagem Kynes, o planetólogo de Arrakis e pai de Chani. O que me faz lembrar de dois pontos muito relevantes nessa história: as personagens femininas são sensacionais e é impossível não se tornar fã de pelo menos uma delas, ou todas elas; e o livro traz textos complementares maravilhosos, incluindo um glossário que ajuda muito na leitura e compreensão.

Afora tudo isso, quero deixar registrado o quanto eu fiquei apaixonada pela personagem Alia, irmã de Paul Atreids e protagonista de uma cena simplesmente FANTÁSTICA e que com certeza é a razão pela qual eu vou continuar a leitura dos próximos dois livros para pelo menos fechar a trilogia.

É um livro de ficção científica de peso e que indico muito a leitura!
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Esquisito

“acho bonito,
mas acho esquisito também,
o amor.
quando longo
é coisa de quem mente
porque
se for pra ser sincera…”.

. Aline Bei in O Peso do Pássaro Morto .

Vida

“Eu amava a vida: não podia admitir que ela se transformasse amanhã em um lamento sem esperança”.

. Simone de Beauvoir in Memórias de uma Moça Bem-Comportada .