Lembranças de Morrer

Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
{…}
Só levo uma saudade — é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas…
{…}
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nelas
— Foi poeta — sonhou — e amou na vida.

. Alvares de Azevedo .

O Segredo de Beethoven

 

Todos pensam que vivo no silêncio. Não é verdade. Em minha mente há uma constante abundância de sons. Nunca pára. Meu único alívio é anotar tudo. Deus enche minha mente com música e aí, faz o quê? Ele me deixa surdo e me nega o prazer que dá aos outros: ouvir minha obra. Esse é um Deus amoroso? Um amigo?”

. Beethoven .

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Sempre?

O que eu acho que pesa mesmo é a nossa disposição para tolher nossa vida própria em função do ser que amamos. Acho que se não cobrarmos do outro a nossa porção de amor, atenção e sacrifício que nos cabe, a vida se encarregará de cobrar de nós o nosso tempo perdido em função de quem não merecia – acabaremos por descobrir… E o que fazemos com as sobras depois que alguém come apenas um pedaço? O que fazemos conosco quando nossas crenças se desfizerem e ficarmos à mercê de uma vida sem esperanças? Quantas vezes seremos capazes de recomeçar?… Sempre? Sempre pode ser tempo demais…”

. Débora Böttcher .