31.10 – 105º Aniversário de Drummond

C. Drummond de A.

 

Eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica
e nenhuma força o resgata.”

. C. Drummond de A. . 

29.10 [07] – Dia Nacional do Livro

 

Um país se faz com homens e com livros“.

. Monteiro Lobato .  

O dia 29 de outubro foi escolhido para ser o “Dia Nacional do Livro” por ser a data de aniversário da fundação da Biblioteca Nacional, que nasceu com a transferência da Real Biblioteca portuguesa para o Brasil. Seu acervo de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, moedas, medalhas, etc., ficava acomodado nas salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, no Rio de Janeiro. A biblioteca foi transferida em 29 de outubro de 1810 e essa passou a ser a data oficial de sua fundação.

Fonte: IBGE

Amar

Porque quem ama nunca sabe o que ama 
Nem sabe por que ama, nem o que é amar… 
Amar é a eterna inocência, 
E a única inocência não pensar…”
 

. Alberto Caeiro .

Caio F. me disse

Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra?{…}Você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, “apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo”. Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a “função social”, nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.

. Caio Fernando Abreu in Carta ao Zézim .

Cultivar

As pessoas que se comprazem no sofrimento, que gostam de sentir-se infelizes e fazer aos outros infelizes, jamais poderão orgulhar-se de sua beleza. O mau humor, o sentimento de frustração, a amargura marcam a fisionomia, apagam o brilho dos olhos, cavam sulcos na face mais jovem, enfeiam qualquer rosto. Essa é a razão porque a mulher, que cultiva a beleza, deve esforçar-se para ser feliz. Felicidade é estado de alma, é atmosfera, não depende de fatos ou circunstâncias externas

. Clarice Lispector in Correio Feminino .  

Mundo Grande

 { Corbis }

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.

. Carlos Drummond de Andrade .

Recompensa

Não há maior recompensa do que um escritor saber que um livro, escrito na solidão e na dúvida, atingiu o coração de um semelhante com um signifcado ainda maior do que aquele que o próprio autor pensou transmitir ao escrevê-lo

. Pearl S. Buck in A Grande Travessia .

Leitura

Certas pessoas lêem para confirmar o seu próprio desespero. Outras para se curar

. Anais Nïn .

A mulher que matou os peixes

{ Clarice Lispector }

Essa mulher que matou os peixes infelizmente sou eu. Mas juro a vocês que foi sem querer. Logo eu! Que não tenho coragem de matar uma coisa viva! Até deixo de matar uma barata ou outra. Dou minha palavra de honra que sou pessoa de confiança e meu coração é doce: perto de mim nunca deixo criança nem bicho sofrer.”

. Clarice Lispector .

Eu tinha 19 anos quando li o livro. Estava arrumando os livros da primeira biblioteca em que trabalhei. Aquele trágico pesadelo bibliográfico que conto em algum outro post. O fato é que, estava sentada com uma pilha de livros a minha volta, pegando um ou outro e separando por assunto, guardando nas estantes. Quando pego este. Li o nome e sorri. Achei estranho e lá estava eu, lendo a primeira página. E a próxima. E mais uma. De repente, tinha terminado e estava encantada. Esse foi o meu primeiro contato com Clarice…pelo menos foi o primeiro contato de verdade, aquele que toca, que marca, que faz lembrar. Já tinha lido Clarice para o vestibular, lido em jornais, ouvido em aulas de colegial e cursinho, mas nunca busquei Clarice e voltei a lê-la muito tempo depois, porquê entre esse primeiro encantamento e a verdadeira paixão, houveram belos livros como O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brönte. E ela reavivou-se em mim através de uma citação, encontrada ao acaso: “A vida é um soco no estômago“. Sim, é sim… e que soco! E aí, Clarice nasceu de verdade no meu mundo!

Qualquer coisa!

Mal teve consicência da dor, atento apenas aos braços de Meggie à sua volta, ao modo com que sua cabeça se inclinava para ela. Mas conseguiu virar-se até poder ver-lhe os olhos, e olhou para ela. Tentou dizer, Perdoe-me, mas viu que ela o perdoara havia muito tempo. Ela sabia que acabara levando a melhor. Depois quis dizer algo tão perfeito que ela se sentisse consolada para sempre,  compreendeu que isso também não era necessário. Fosse ela o que fosse, era capaz de suportar qualquer coisa. Qualquer coisa!

. Collen McCullough in Pássaros Feridos .