Preciso Escrever

Sempre precisei escrever. Não que não pudesse viver sem escrever. Eu viveria, mas estaria morta. Não morta, mas como se o ar me faltasse incessante. E preciso respirar as vezes. Preciso colocar em algum lugar aquilo que não entendo porquê não consigo manter minha alma calada e o peso do que não entendo é grande demais. E então escrevo. Sempre. Faz tempo que não o faço, pelo menos não como antes que ficava horas e horas escrevendo histórias longas, longos poemas, palavras sem fim. As vezes rabisco num cantinho de um caderno algumas palavras que não encontram eco. As vezes escrevo na minha alma. Sozinha, pensando, fico escrevendo sem o fazer, e enquanto escrevo assim, acho tudo tão bonito. O problema é quando invento de colocar isso no papel. Tudo que escrevo perde o brilho. O brilho que tinha enquanto ainda não tinha transbordado para o mundo. Não gosto do que escrevo, mas preciso escrever. É tão natural quanto abrir os olhos de manhã. E a necessidade vem como vêm a sede. É preciso beber água. Faz algum tempo que não tenho essa necessidade nítida. Mas a necessidade obscura, aquela que não percebo, essa está sempre comigo, quando escrevo na última página do caderno no metrô. Quando fico sonhando acordada. Quando ouço uma música e escrevo um trechinho em algum lugar. Há um mundo interno que não compreendo em mim. Eu, que sou o meu próprio mundo e sou um mundo estranho a mim. Carrego no fundo dos olhos a tristeza do meu mundo. A sede de palavras, a fome de ilusões, a saudades dos sonhos não cultivados. E sempre fui assim estranha. Porque meu mundo as vezes é tão grande, que transbordo-me.

{ Lyani } 26/11/2006

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License.