Impulsividade

Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. […] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

. Clarice Lispector in Aprendendo a Viver .

Recordações

Era cedo demais para acordar quem quer que fosse com a notícia e, de qualquer maneira, não havia ninguém que pudesse compartilhar dos meus pensamentos ou das minhas recordações. Quão depressa, num instante, anos de vida feliz se transformam em recordações! Os longos e lentos preparativos dos últimos sete anos tinham chegado ao fim. O dia que eu tanto temera chegara. A solidão final ia começar”.

. Pearl S. Buck in A Grande Travessia .