Repara

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”

. José Saramago in Ensaio sobre a Cegueira .

Consolo

{ Corbis }

É certo que quanto maior é a causa da dor,
maior se faz a necessidade de para ela encontrar consolo,
e este ninguém pode me dar além de ti.
Tu é as causa da minha pena, e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer, de me fazer feliz, ou trazer consolo
“.

. Carta de Heloísa a Abelardo .

Tristeza

Voltei àquelas sepulturas pouco depois, e parada ali descobri que tristeza era uma coisa muito pesada. Meu corpo pesava duas vezes mais do que um momento atrás, como se aquelas tumbas me puxassem para baixo, para junto delas”

. Arthur Golden in Memórias de uma Gueixa .

Eu existo

Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado ao espelho e se surpreendido consigo próprio. Por uma fração de segundo a gente se vê como a um objeto a ser olhado. A isto se chamaria talvez de narcisismo, mas eu chamaria de: alegria de ser. Alegria de encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade que eu não me imaginei, eu existo”

. Clarice Lispector in A Descoberta do Mundo .

Blindness

Ensaio Sobre a Cegueira, uma adaptação do romance homônimo do premiado com o Nobel, José Saramago, conta a história de uma epidemia de cegueira que varre o mundo.

Na pele de esposa de um médico que consegue enxergar a morte, Julianne Moore também vê a crueldade e a degradação que a cercam. Gradativamente, ela se conscientiza da responsabilidade que sua posição singular lhe impõe.

 

Nós nos achamos tão fortes, sofisticados e sólidos. Mas então uma coisa dá errado e tudo desaba. Patinamos sobre gelo fino. Qualquer coisa pode acontecer e acontece – disse Meirelles a jornalistas após da exibição do filme para a imprensa”

. Fernando Meirelles .

Meirelles, acompanhado do roteirista Don McKellar, disse que ambos se sentiram inspirados pelo fato de o romance de Saramago aparentemente refletir os desastres naturais da vida real, as doenças e nossos temores recentes com segurança alimentar.

Fonte: Jornal Correio do Brasil

Yoroido

Não nasci nem fui criada para ser uma gueixa de Kioto. Eu nem ao menos nasci em Kioto. Sou filha de um pescador de uma aldeiazinha chamada Yoroido, no Mar do Japão. Em toda a minha vida não falei de Yoroido a mais do que um punhado de pessoas, nem sobre a casa onde cresci, ou sobre minha mãe e meu pai, ou sobre minha irmã mais velha ─ e certamente não falei sobre como me tornei uma gueixa ou como foi ser uma. A maior parte das pessoas teria preferido seguir com suas fantasias de que minha mãe e avó, foram gueixas, e de que comecei a treinar minha dança quando fui desmamada, e assim por diante. 

{…} Eu cresci em Yoroido, e ninguém sugeriria que é um lugar charmoso. Quase ninguém o visita. As pessoas que moram lá nunca têm ocasião de sair. Provavelmente você está imaginando como é que eu saí de lá. E é aí que começa a minha história.

. Arthur Golden in Memórias de uma Gueixa .

Nunca de morte natural…

O amor nunca morre de morte natural. Ele morre porque nós não sabemos como renovar a sua fonte. Morre de cegueira e dos erros e das traições . Morre de doença e das feridas; morre de exaustão, das devastações, da falta de brilho”

 

Anais Nin .

Memórias

Uma árvore sem folhas e galhos ainda é considerada uma árvore? O coração morre lentamente, perdendo as esperanças como folhas. Até que, um dia, nada resta. Nenhuma esperança. Não resta nada.
Ela se pinta para esconder o seu rosto. Seus olhos são águas profundas. O resto é escuridão. O resto é segredo.
Não podemos pedir ao sol, mais sol.
Nem à chuva, menos chuva.
Mesmo assim, conhecer a bondade, depois de tanta maldade, ver que uma menina mais corajosa do que ela imaginava teria suas preces atendidas…
Isso não é o que chamamos de felicidade?
Afinal, estas não são as memórias de uma Imperatriz, nem de uma Rainha. Estas são memórias de um outro tipo”

. Memórias de uma Gueixa .

Nathan & Beatrice

Ela chamava-se Beatriz. Ele chamava-se – não vem ao caso. Mas não era Dante, ainda não. Anos mais tarde, tentaria lembrar-se de como tudo começou. E não conseguia. Não conseguiria, claramente. Voltavam sempre cenas confusas na memória. Misturavam-se, sem cronologia, sem que ele conseguisse determinar o que teria vindo antes ou depois daquele momento em que, tão perdidamente, apaixonou-se por Beatriz”.

  . Caio Ferando Abreu in Os Dragões não Conhecem o Paraíso .

E mais sobre eles aqui

As Memórias do Livro

Aos Bibliotecários¹

São duas horas da manhã em Sydney quando Hanna Heath, uma conservadora de livros, é acordada por um telefonema que lhe traz excelentes notícias. A Hagadá de Sarajevo, raro manuscrito judeu medieval desaparecido em 1992, durante a guerra civil, foi reencontrada na capital da Bósnia. E Hanna foi a escolhida pelas Nações Unidas para estudá-la e restaurá-la para uma exposição. A Hagadá é uma obra-prima única, que nasceu e sobreviveu por séculos apesar do anti-semitismo e até mesmo da própria doutrina judaica. Para começar, aquele exemplar ricamente iluminado do livro que recontava o Êxodo para as famílias judaicas na celebração do Pesach não devia ter sido criado. Afinal, contrariava cânones religiosos da época, que poribiam qualquer tipo de ilustração. Só isso já fazia da Hagadá uma raridade. E propunha um de seus maiores enigmas: por que e por quem fora feita? Mas o fato de ter sobrevivido a séculos de perseguições e intolerância religiosas na Europa trazia outros mistérios. Como atravessara a Inquisição Espanhola? O que significavam as anotações do século XVII em suas páginas? Como se salvara da perseguição nazista? Excitada com a maior oportunidade de sua carreira, Hanna chega a Sarajevo cheia de perguntas. Qual seria o estado do livro? Como fora salvo? Po que mãos passara até chegar às dela? Por que um bibliotecário muçulmano tinha se arriscado tanto para mantê-lo em segurança? à medida que se aprofunda no exame das páginas em pergaminho envelhecido, Hanna luta também para solucionar seus problemas pessoais. Envolve-se com o bibliotecário muçulmano responsável por ocultar a Hagadá na úlitma década e esforça-se para melhorar seu relacionamento com a mãe, uma neurocirurgiã respeitada que despreza a filha por ter trocado uma carreira médica pelos livros. Da encadernação carcomida de Hagadá, Hanna retira pistas minúsculas que começam a lhe dar as respostas que tanto buscava. Uma mancha de vinho, cristais de sal, um pêlo branco, uma asa de inseto… Cada um deses pequenos detalhes leva Hanna  e os leitores a um lugar distante, povaoado de personagens únicos cuja história se mistura à de Hagadá. As memórias do livro é uma jornada inteligente e bem construída rumo ao passado, para desvendar os segredos de um livro. Um romance marcante e erudito, com o ritmo cativante de um mistério inesquecível que só uma autora com o talento da vencedora do Pulitzer, Geraldine Brooks, poderia criar.

Fonte: Orelha do livro.

¹Dedicatória do Livro