Perdas

Durante os primeiros poucos dias naquele lugar estranho, não me teria sentido pior se tivesse perdido braços e pernas em lugar de casa e família. Não tinha dúvida de que a vida jamais seria a mesma. Só conseguia pensar em minha própria confusão e infelicidade.  {…} Eu estava sem pai, sem mãe ─ até sem a roupa que sempre usara. Mas de alguma forma, a coisa que mais me espantara, depois de uma semana ou duas, foi que na verdade eu tinha sobrevivido. Lembro-me de um momento em que secava tigelas de arroz na cozinha, e de repente me senti tão desorientada que tive de interromper o que fazia e fitar minhas mãos por longo tempo; pois quase não podia acreditar que aquela pessoa secando tigelas era realmente eu”

. Arthur Golden in Memórias de uma Gueixa .