Fragmento 154

Quem sou eu para mim? Só uma sensação minha.

O meu coração esvaia-se sem querer, como um balde roto. Pensar? Sentir? Como tudo cansa se é uma coisa definida!”

. Fernando Pessoa in O Livro do Desassossego .

Esquecer

Se não soubermos esquecer, nunca estaremos livres de tristeza”

. Bahya Ibn Pakuda .

Amizade

Um dia eu perdi a crença na amizade. Sim, passei anos da minha vida sem confiar em ninguém, a não ser em mim mesma. Mas logo eu percebi que isso era uma grande besteira. Porque as pessoas não são iguais. E não têm que ser aquilo que queremos que sejam. As pessoas são o que são. E se eu me magoo com isso, a responsabilidade é toda minha. Eu aprendi isso. Depois de sofrer bastante, mas eu aprendi. Não posso querer que ninguém mude. As pessoas é que têm que querer mudar. As pessoas é que têm que sentir a necessidade de mudar e mudar, caso sintam isso, caso QUEIRAM isso. Não eu. Tem uma lei na qual eu acredito, que é a Lei da Afinidade. Agente se une àqueles que nos são afins. Por isso têm certas pessoas com as quais temos um relacionamento tão simples e bom! Tão fácil. Com brigas também, mas com brigas fáceis de resolver. Com diferenças, também. Porque amizade é identificação e diferença, como dizia H. Hesse. Mas tem certas pessoas com as quais simplesmente a relação não flui. Talvez porque as diferenças sejam grandes demais. Grandes diferenças que fazem toda a diferença. Têm uma coisa chamada princípio que é difícil demais de passar por cima por causa de uma amizade, ou porque se quer estar ao lado de alguém. Têm outra coisa chamada opnião. Que apesar de ser mais fácil mudar, também é difícil. Há certas coisas que se pode aceitar, outras coisas simplesmente não. E é aí que a amizade vai se desgastando, se perdendo, até chegar a um ponto onde não há mais nenhuma sustentação. Não é culpa de ninguém. É a vida. E a vida, as vezes, é um soco no estômago, não é Clarice? Fazer o quê? Tem certas coisas que não se pode mudar. A natureza das pessoas é uma delas. E duas naturezas completamente diferentes jamais seriam felizes juntas. Somente no mundo da fantasia, onde tudo é lindo. Um mundo que criei uma certa vez. E que desmoronou, como um castelo de areia ao vento. Meu mundo não foi forte o suficiente para se sustentar. Não é culpa minha. E nem do vento. A areia é areia, tinha que se desfazer. O vento é o vento, tinha que soprar…  Embora não deixe de ser triste e ainda doa em dias de chuva como diria Caio F. Mas é passado e o importante é que hoje tenho raras ─ e poucas, mas verdadeiras ─ amizades que fazem o dia a dia mais doce e a vida mais agradável.

{ Lyani } 16/02/2006
Atualizado em 30/07/2008

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O maravilhoso mundo da Imaginação

Por Nanci Dainezi

Elfos, dragões, cavaleiros medievais, bruxas, vampiros e fadas são alguns dos personagens que povoam o rico universo da literatura fantástica. A imaginação dos autores é o terreno fértil para as tramas que, em geral, se desenvolvem longe do mundo real, em lugares encantados e repletos de surpresas.

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Sim

Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”

. Clarice Lispector in A Descoberta do Mundo .

Especialmente o amor

Tradução de Felipe:

Você já esteve apaixonado? Horrivel não é? Te deixa vulnerável. Te abre o peito e te abre o coração e quer dizer que alguém pode entrar em você e te detonar por dentro. Você constrói todas essas defesas. Constrói uma armadura completa, e por anos nada pode te machucar, aí­ uma pessoa estúpida, nada diferente de qualquer outra pessoa estúpida caminha para dentro da sua vida estúpida… Você dá a essa pessoa um pedaço de você. Essa pessoa não pediu por isso. Essa pessoa fez algo besta um dia, como te beijar ou sorrir para você, e aí a sua vida não é mais sua. O amor toma reféns. O amor entra em você. Te come por dentro e te deixa chorando na escuridão, e frases simples como “talvez devêssemos ser apenas amigos” ou “nossa, que perspicaz” se transformam em farpas de vidro movendo-se para dentro do seu coração. Dói. Não apenas na imaginação. Não apenas na mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, uma dor do tipo que-entra-em-você-e-te-arrebenta. Nada deveria ser capaz de fazer isso. Especialmente o amor. Eu odeio o amor”

. Neil Gaiman, Personagem Rose Walker in The Sandman #65 .

Casa feita de… livros?

Sim, literalmente!

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‘Casa de livro’, de Livio De Marchi, fica em Tambre d’Alpago. Móveis da casa também parecem ter sido feitos com livros.

O artista italiano Livio de Marchi, construiu uma casa com placas de madeira em formato de livros. A “Casa de Livro” fica em Tambre D’Alpago, onde De Marchi cresceu. (FOTOS: REPRODUÇÃO/LIVIODEMARCHI.COM)

Até a mesa e as cadeiras parecem ter sido feitas com livros.

Escrivaninha e Cama também tem semelhanças com livros.

Fonte: Mundo Bibliotecário.

Coisas Frágeis

Acho que prefiro me lembrar de uma vida desperdiçada com coisas frágeis, do que uma vida gasta evitando a dívida moral. {…} E me perguntei a que me referia com ‘coisas frágeis’. Parecia um belo título para um livro de contos. Afinal, existem tantas coisas frágeis. Pessoas se despedaçam tão facilmente, sonhos e corações também”

. Neil Gaiman in Coisas Frágeis .

Retrato de um Editor

José Olympio mudou a literatura brasileira do século XX, fez uma revolução gráfica na indústria editorial do país e ainda publicou livros de culinária e auto-ajuda.

Por Lucila Soares

Chega às livrarias, na semana que vem, uma obra admirável. José Olympio: o Editor e Sua Casa (424 páginas, 150 reais) é o primeiro grande inventário da produção da editora criada em 1931 por José Olympio Pereira Filho (1902-1990). Organizado por José Mario Pereira (o sobrenome é coincidência), o livro tem edição a cargo da Sextante, fundada por Geraldo Jordão Pereira (1938-2008), filho de José Olympio, e dirigida por Marcos e Tomás Pereira, netos do editor.

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Só queria ser feliz

… tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara”

. Caio Fernando Abreu in Morangos Mofados .