As coisas não ditas

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“Sem que eu soubesse,
as coisas não ditas haviam crescido como
cogumelos venenosos
nas paredes do silêncio”

. Lya Luft in O Silêncio dos Amantes .

Nem toda história tem um final feliz

─ Você ─ ele disse, e a voz mais parecia um susssuro contido. ─ Você é que é consumida por baboseiras.
Aquela subita ferocidade me assustou. Eu me afastei.
─ Você ─ ele prosseguiu, agarrando meu punho. ─ Todos vocês, do mundo seguro, com seus
air bags, e suas embalagens hermeticamente fechadas e suas dietas livres de gordura. Vocês é que são os supersticiosos. Vocês se convencem de que podem tapear a morte, e se sentem absolutamente ofendidos quando descobrem que não podem. Vocês ficam sentados em seus apartamentos confortáveis e assistem à guerra, e nos vêem sangrando, pela televisão. E pensam: “Que horror!”, e depois se levantam e tomam outra xícara de café expresso.
Estremeci quando ele disse aquilo. {…}
─ Coisas ruins acontecem. Algumas coisas muito ruins aconteceram comigo. E eu não sou diferente de mil outros pais nesta cidade cujos filhos sofrem. Eu convivo com isso. Nem toda história tem um final feliz. Cresça, Hanna, e aceite isso

. Geraldine Brooks in As Memórias do Livro .

Palavras trocadas entre o tímido e o excêntrico

Cartas de Fernando Pessoa vão a leilão e governo português chia

Michael Kimmelman

THE NEW YORK TIMES, EM LISBOA

O último burburinho envolvendo o legado cultural de uma nação é revelado aqui – e, para variar, não tem relação com vasos roubados ou preciosas heranças de guerra, e sim a correspondência de um poeta. Os herdeiros de Fernando Pessoa, o celebrado escritor português, planejam leiloar, no outono (primavera, no Brasil), sua correspondência com Aleister Crowley, o místico alpinista e escritor inglês, praticante de magia negra, do começo do século 20. O ministro da cultura de Portugal, José Antonio Pinto Ribeiro, está entre os que se mostraram, nos últimos dias, preocupados diante da possibilidade de que as cartas saiam do país.

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