Noite… Dia!

Era noite.

A lua banhava o asfalto com seu inexaurível brilho prateado enquanto o silêncio reinava imperioso na rua deserta.

Nenhum som, nada!

As paredes geladas das casas, de dia tão coloridas, agora pareciam fazer parte de um velho filme em branco e preto.

Frio!

Até mesmo o vento que soprava gelado estava silencioso. Até as árvores que balançavam ao vento não emitiam som. Era como se o velho filme estivesse no volume mínimo para que alguém pudesse falar ao telefone. Como se estivesse esquecido, apagado, congelado na tela.

Muito lentamente, imperceptivelmente,  o negro do céu começou a clarear. O vento cessou e as árvores pararam de balançar, agora dando espaço às cores. O brilho do sol veio chegando tímido, a lua se despedindo.

As paredes começaram a esquentar com suas cores vibrantes. O verde das árvores se iluminaram com o sol. Os pássaros…

Ah! O canto dos pássaros!

O canto encantado adentrou na tela sem permissão. Mas, para que permissão? Agora a vida tomava conta do local. Cores, vozes, canto! Era como se o volume tivesse sido novamente aumentado e a cena descongelada. O sol agora brilhava intenso e as pessoas conversavam alegres.

Era dia!

{ Lyani } 27/01/2000

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11 comentários sobre “Noite… Dia!

  1. Roberta disse:

    Você tem um jeito tão peculiar quando escreve.
    Uma doçura… uma riqueza em contar os detalhes mais importantes…
    Amo ler o que você escreve… e amo ainda mais quando vejo as datas e percebo que seu talento é nato…
    Que você nasceu com esse dom maravilhoso e o aprimora a cada texto escrito…
    Pelos meus cálculos esse mesmo você escreveu aos 18 anos… (na verdade ainda 17…quase 18)
    Uma bela idade pra se ser doce.. e uma idade pouca para se ser tão boa no que se faz… e você já era… na verdade já era ótima…

    Amo-te…

    Bjinhos

  2. Edu disse:

    Cara,

    Vi você lá no meu cantinho e pensei…como ela chegou aqui? Fui até as nuvens esvaziadas do Jasão e lhe encontrei.
    Quase oculto, incógnito e anônimo, meu cantinho é uma tentativa de trazer um pouco de dia a esta noite que todos temos em nós. Brincadeira de escrever.
    Brincar porque cada vez que me deparo com textos como este seu, aqui no “ “, percebo que nunca passarei disto, um brincalhão.
    Texto lindo, título de blog maravilhoso, porque o que é a vida senão o que acontece entre este nosso abrir e fechar de aspas.

    Um ab

    Qualquer Um

  3. elcio disse:

    A forma como você descreve faz com que a gente se sinta dentro do texto, dentro da paisagem e dos acontecimentos, isso é coisa de quem sabe…rsss…boa noite, abraço na alma.

  4. Fabricio Carlos disse:

    Impossivel não se imaginar nessa rua… impossivel não sentir a solidão do lugar…
    … mas sinceramente para mim essa rua deserta também passou um sensação de conforto…

    solidão & conforto… dificil de se ver por aí…

    se for por medo de agulha, vc nunca ira fazer tatuagem, pois são várias agulhas que se utiliza… mas sinceramente doí menos do que ir ao dentista… (e vc fica 1 ano sem doar sangue)…rsrs

    bjs…

  5. Pavón (Ruberto) disse:

    Uauuu… é lindo o modo como vc descreve a transição da noite fria e silenciosa para o dia vivo ao som dos passaros cantantes… parece que nossa alma triste encontra a luz e amanhece feliz a cada dia…. muito bom mesmo!!

    Beijos

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