Receita de Ano Novo

 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
 

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver. 
 

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre”

. Carlos Drummond de Andrade .

FELIZ 2009 a todos nós 🙂

Final de Ano = Amigo Secreto

Essa é uma tradição, pelo menos pra mim, que não pode faltar em dezembro. E este ano, não fiz parte apenas de 1 (o tradicional do meu trabalho), mas sim de 2 amigos secretos!

No primeiro, ganhei (claro *.*) um livro que queria há tempos: 

E o segundo foi muito especial pra mim, pois foi uma experiência totalmente nova: o amigo secreto da Incubadora Literária, que é o projeto que comecei a participar este ano. Lá conheci muitas pessoas especiais (embora virtualmente, já as sinto mais próximas) que partilham o mesmo gosto pelas palavras e pela leitura.  Além do presente, tinhamos também que enviar ao nosso amigo secreto, uma carta escrita a mão. Pra mim foi uma experiência maravilhosa e gratificante. A amiga que me tirou, Medéia, foi simplesmente um amor me enviando o livro que havia pedido, um segundo livro encantador (e que estou devorando, junto com o Cinzas do Norte) e uma carta que me emocionou bastante.

Nem preciso dizer o quanto estes presentes me fizeram feliz, não é? AMO ganhar livros, principalmente de pessoas especiais e com todo esse carinho que recebi delas. 🙂

Microconto I

Minhas linhas se perderam.  Me busco no espelho e não me acho.

{ Lyani } 09.12.2008

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Rangiku ♥ Gin

Eu acho que nunca contei minha paixão por Mangá aqui. Mas, deve ter ficado explícito em alguns posts, músicas, trechos, ou pra quem já visitou o meu outro blog. Isso vem de tempos, lá de quando eu tinha meus 10 ou 11 anos e corria da escola pra casa pra não perder Cavaleiros do Zodíaco. E depois vieram outros, alguns que marcaram, outros não. Angel Sanctuary foi um dos que marcaram. Sara e Setsuna, anjos condenados ao inferno pelo pecado mortal de amarem-se sendo irmãos de sangue. Chorei muito lendo, assistindo aos OVAs e ouvindo suas melodias maravilhosas. Chobits também marcou, com a Chii e sua fofura, ri demais com este. E então a Fla me apresentou Bleach. E com ele a Matsumoto Rangiku e o Ichimaru Gin. E esse marcou mesmo.  Não é novidade (eu acho)  pra ninguém que eu adoro as personagens más e os chamados anti-heróis que não são de todo maus, mas não são sonsos como os mocinhos. Sim, e não é só de Mangá, é de novela, seriado, quadrinhos… Alguns exemplos: Sephiroth do Final Fantasy, Wolverine do X-men, House do House M.D., Aizen do Bleach, Rosiel e Kira do Angel Sanctuary. Enfim, acho que é bem por isso que amo de paixão esse casal que citei acima. Gin é muito do mau. Ainda não se sabe ao certo se é realmente e completamente mau, ou se é um anti-herói. O fato é que ele é todo misterioso e sombrio. E muito sarcástico e eu sou completamente apaixonada por ele. E a Rangiku é uma personagem do bem. Mas não é certinha, santinha e enjoadinha como toda mocinha geralmente é. Ela é desajeitada, esquecida, vive enchendo a cara com sakê, extrovertida, engraçada e tem o “q” que me fez adorá-la: é apaixonada pelo Gin. Eu, que nem sou viciada em dramas e romances impossíveis, não preciso dizer que pra mim é o casal mais perfeito de todos né? Ele, mau, administrador do Hueco Mundo (inferno). Ela, doidinha mas do bem, vice-capitã da Sereitei (céu). E ambos se gostam, mas não dizem. E fica aquele amor subtendido nas falas, nas entrelinhas, nos suspiros, nos olhares. É simplesmente lindo.

E aí que eu contei tudo isso só porquê estava lendo uma citação de Clarice que se encaixou tanto na história desse casal, que decidi vir aqui publicar e achei que deveria dar essa introdução:

Olharam-se sem palavras, desalento contra desalento. Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos. Mas ambos eram comprometidos. Ela com sua infância impossível. {…} Ele, com sua natureza aprisionada. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, até vê-lo dobrar a outra esquina. Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.

. Clarice Lispector in Tentação .

Citação esta que conheci também com a Fla  🙂

Feliz Natal

A Melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida

Desconheço o autor da citação acima, mas achei-a perfeita para colocar aqui no blog, pois por aqui encontrei pessoas especiais que partilharam meu caminho, as palavras, os livros, os filmes, as opniões. Aprendi com cada comentário, com cada novo blog e amigo virtual que fui encontrando e lendo. E por isso, só tenho a agradecer.

Um Natal maravilhoso a todos vocês!!!! 🙂

Prazer de mergulhar…

Pertencia àquela espécie de gente que mergulha nas coisas às vezes sem saber por que, não sei se na esperança de decifrá-las ou se apenas pelo prazer de mergulhar…”

. Caio Fernando Abreu in O Ovo Apunhalado .

O Bibliotecário

Para se ser um bibliotecário, tem de se conhecer profundamente o Sistema Decimal Dewey, ser especialista em Internet e, se formos o novo bibliotecário Flynn Carsen (Noah Wyle), ter de salvar o mundo!

Wyle (E.R.) lidera um excelente elenco numa divertida e fantástica aventura recheada de acção e efeitos especiais passada à volta do mundo partindo da biblioteca Metropolitan até à selva Amazónica passando pelos Himalaias. Carsen, um estudante brilhante, consegue um emprego como bibliotecário, mas que, no entanto, se revela ser afinal um emprego muito especial: ser o guardião de maravilhosos tesouros como, entre outros, a espada Excalibur e a Caixa de Pandora, guardados numa zona secreta do edifício. É então que a Irmandade da Serpente, uma seita que busca o domínio do mundo, rouba da biblioteca uma das três partes da mágica Lança do Destino. Apenas Flynn, ajudado por uma bonita guarda-costas, tem os conhecimentos para travar aquele plano maquiavélico. Mas terá ele fibra de herói? Vai ter de a encontrar, pois terá de ultrapassar armadilhas mortais ou precipícios gelados em cada passo do seu caminho.

Fonte: Cineteka.com

Porque eu ainda não assisti esse filme é um mistério Oo
Alguém já assistiu pra me dizer se é bom?

Dezembro

XVII Desafio Incubadora Literária
Tema: Dezembro
Período para votação: 19 a 21 de Dezembro

De alguma forma aquela agitação nas ruas, nos correios, nas lojas, desenhavam um pequeno sorriso no canto de seus lábios. Havia um brilho a mais em seus olhos, e eram as pequenas luzes nas árvores, sacadas, janelas, que piscavam incessantes. A data ainda estava longe, mas parece que a alegria daquele momento, embora errônea e fora de foco, já começava a inspirar as pessoas desde os primeiros dias de dezembro. Podia até dizer ─ e dizia ─ que não gostava muito daquela época, mas no fundo, apesar daquela tristeza que dezembro sempre trazia, gostava da cidade enfeitada, das luzes piscando, do clima ameno e familiar, das ruas abarrotadas, do trânsito. De um modo inexplicável aquela magia, que tantos diziam existir, também a contaminava.

Aprendeu muito cedo a não acreditar em Papai Noel, e muito cedo perdeu grande parte da magia que aquele mês porporcionava. Depois, com o tempo, foi entendendo a realidade daquela época, o capitalismo, as vendas, as festas que não tinham em momento algum o intuito de lembrar ou celebrar o real motivo de tornar dezembro um mês especial. Sem contar a canseira do ano todo de trabalho, as contas se acumulando, o 13º usado pra comprar presentes e pagar as contas e um pouquinho para ajudar no IPVA e IPTU e outras tantas em janeiro. Contas ótimas para dar as boas vindas ao novo ano. E tudo isso aliado ao fato de ser o mês em que efetivamente inicia-se o Verão.

Ah, o terror do Verão. Ao contrário de muitos, nunca gostou dessa estação extremamente intensa e calorosa. Gostava muito mais do inverno, embora sua estação preferida fosse o Outono. Mas ainda assim, dezembro lhe trazia um sorriso tímido aos lábios e lembranças doces. Aquele bolo de carne moída de sua avó feito apenas para o almoço do dia 25, a árvore de Natal tirada daquela caixa em baixo da cama e montada entre carinhos e risadas, o stress das luzes que depois de colocadas nas janelas não funcionam, o sentimento de final de ano e tarefa cumprida, os amigos secretos e suas surpresas, o farfalhar dos embrulhos de presente, as cores verde e vermelho que se sobressaem em tudo.

Dezembro, um mês de sentimentos contraditórios; um mês como todos os outros e no entanto, Dezembro.

{ Lyani } 17/12/2008

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Rainha Inconquistada

A esposa do emir estava em pé, de costas para mim. Era uma mulher alta, e trajava um vestido bordado que caía pesadamente dos ombros e se estendia até o piso debaixo de seus pés. Seus cabelos, ainda um pouco úmidos, escorriam soltos pelas costas. As cores eram notáveis, pois havia muitas: dourado pálido, entrelaçado com âmbar reluzente, caloroso, iluminado por baixo com fios tão vermelhos quanto repentinas línguas de fogo. Apesar do meu nervosismo, eu já começava a pensar em como pintar aquilo. Então, ela se virou, e a expressão em seu rosto afastou todo aquele pensamento de minha mente.
Seus olhos também eram de uma cor notável: dourado escuro, como mel. Ela tinha chorado, como demonstravam o vermelhidão em volta dos olhos e o tom mosqueado irregular daquela pele branca. Não chovara agora, contudo. Seu olhar não era de tristeza, mas de raiva. Ela se mantinha rígida, como se fosse sustentada por uma haste de ferro. Apesar disso, ou talvez por causa do esforço que lhe custava aquela postura real, seu corpo balançava, agitado por um tremor que mal era discernível.
─ Você tem suas ordens. Comece o trabalho ─ disse.
─ Mas talvez a senhora prefira se sentar, ya emira? Porque vai levar algum tempo…
─ Ficarei em pé! ─ ela disse, e os olhos pareciam reluzir, úmidos.
Ela ficou em pé aquela tarde inteira, interminável. Minhas mãos tremiam sob aquele olhar feroz, magoado, enquanto eu abria minha caixa e arrumava os materiais. {…} Trabalhei sem fazer uma única pausa, e ela não se moveu nem desviou os olhos.
{…}
Depois de fazer minhas orações atrasadas, e de comer e beber alguma coisa, eu vislumbrei mais uma vez o pergaminho, com novos olhos e nova maneira de interpretá-lo. Então, vi claramente o que ela tinha feito. Ficara de pé para mostrar que não se abatia mesmo ante quaisquer atos insanos de violação por parte do emir. A imagem que ele levaria consigo era de uma rainha inconquistada, uma rocha que ele não podia quebrar. E percebi outra coisa, enquanto estudava o retrato. Não havia nele o menor indício das lágrimas nem do tremor que revelavam sua luta por trás daquela exibição de força. Eu sabia que ela não queria demonstrar aquilo, e nessa ocultação eu havia me tornado sua cúmplice.

Geraldine Brooks in As Memórias do Livro

Dewey – Um gato entre livros

O gato que mudou a rotina de uma cidade

A história real de um felino que mudou a rotina dos moradores de uma cidade é o mote de “Dewey — Um gato entre livros” (Editora Globo, R$ 24,90). A autora Vicki Myron, que encontrou o bichano ainda filhote na caixa de devolução de livros da Biblioteca Pública de Spencer, nos Estados Unidos, conta com a ajuda do escritor Bret Witter para narrar os 19 anos de convivência com Dewey.

Aos poucos, a simpatia e a docilidade do gatinho foram conquistando os funcionários e os freqüentadores da biblioteca. Nem as críticas das pessoas que consideravam a presença do animal prejudicial à saúde fizeram com que ele fosse expulso do local. E o felino ganhou nome e sobrenome, escolhido por votação pública: Dewey Readmore Books (em inglês, algo como Dewey Lê Mais Livros).

Graças ao gatinho, a Biblioteca Pública de Spencer acabou se transformando no ponto de encontro dos moradores da cidade. Gente que antes não se interessava pela leitura começou a passar algumas horas entre os livros, com Dewey no colo. Carinhoso, o felino parecia saber exatamente quem mais precisava dele para se aproximar.

Fonte: O Globo – Extra Online

Preciso dizer que eu quero??? *_*