Cinzas do Norte

Carreguei Jano até o sofá. Os olhos entreabertos, virados para o teto, me assustaram. Chumaços de algodão, em frasco de álcool e duas ampolas quebradas sobre a mesa de centro. Subi até os quartos. Ninguém. Procurei Macau nos fundoas da casa, não vi o DKW. Quando voltei, Fogo farejava a cabeça do dono. Gemeu, erguendo os olhos amarelos e murchos para mim. Peguei o pulso de Jano e senti uma palpitação fraca, demorada. Não sei quanto tempo fiquei ali, ouvindo ganidos, perto dos dois: quatro olhos que já não se encontravam.
Parecia que toda uma época se deitara para sempre”

. Milton Hatoum in Cinzas do Norte .

Fico muito feliz e só tenho a agradecer o carinho do meu leitor Arquilau, por ter me concedido a possibilidade de ler esse romance fabuloso. Como muito bem descrito na orelha: belo, amargo e maduro. Adorei.