Menos que uma voz

Esse teto baixo, paredes vazias, ausência de cor e de céu… O sol e o céu do Rio e do Amazonas… nunca mais… Só essas paredes, e esse cheiro insuportável… Agora escuto a  minha própria voz zunindo e sinto fagulhas na cabeça, e a voz zunindo, fraca, dentro de mim… Não posso mais falar. O que restou de tudo isso? Um amigo, distante, no outro lado do Brasil. Não posso mais falar nem escrever.  Amigo… sou menos que uma voz…”

. Milton Hatoum in Cinzas do Norte .