Avançam

{…} e, após mais alguns minutos ao lado do amigo, conseguiu levantar-se do chão. Fico impressionada com o que os seres humanos são capazes de fazer, mesmo quando há torrentes a lhes descer pelos rostos e eles avançam cambaleando, tossindo e procurando, e encontrando”

. A Morte, personagem de
Markus Zusak
in A Menina que Roubava Livros .

O direito de matar

No começo da Gênese está escrito que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro, o Gênese foi escrito por um homem e não por um cavalo. Nada nos garante que Deus desejasse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado Deus para santificar o poder que usurpou da vaca e do cavalo. O direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa sobre a qual a humanidade inteira manifesta acordo unânime, mesmo durante as guerras mais sangrentas.
Esse direito nos parece natural porque somos nós que estamos no alto da hierarquia. Mas bastaria que um terceiro entrasse no jogo, por exemplo, um visitante de outro planeta a quem Deus tivesse dito: “Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas”, para que toda a evidência do Gênese fosse posta em dúvida. O homem atrelado à carroça de um marciano ─ eventualmente grelhado no espeto por um habitante da via-láctea ─ talvez se lembrasse da costeleta de vitela que tinha o hábito de cortar em seu prato. Pediria então (tarde demais) desculpas à vaca.

Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser

Aquilo que nos une

O livro estava aqui para nos testar, para ver se alguém aqui perceberia que aquilo que nos une é muito maior do que qualquer coisa que nos divida. Que ser humano é muito mais importante do que ser judeu ou muçulmano, católico ou ortodoxo”

. Geraldine Brooks in As Memórias do Livro .

Microconto III

Meu amanhecer foi sem sol. Amanheceu apenas, escuro e frio.

Lyani } 07/12/2008

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21.02 – 106º Aniversário de Anais

Me nego a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária a estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Me adapto a mim mesma”

. Anais Nïn .

+ Selos e + Meme

Estes todos recebi do Paulo Roberto do Palavras apenas…

Meme:

Voce pode:

Ter 10 amigos.
Rir com 9.
Conhecer 8.
Conversar com 7.
Festejar com 6.
Se abrir com 5.
Contar com 4.
Chorar com 3.
Precisar de 2.
Só não pode esquecer de 1:

“EU”

Voce esta proibido de me abandonar…
Quando vc receber esta mensagem, mande para os que vc
não quer perder a amizade em 2009…

Este eu indico para TODOS os meus queridos leitores e amigos. 😀

Selos:

Indico para:

  1. Poetriz;
  2. Samacc;
  3. Sandra;
  4. Karlinne;
  5. Maria.

Indico para:

  1. DZ;
  2. John Doe;
  3. Fabricio Carlos;
  4. Rafael Rabelo;
  5. Robson Ribeiro.

😀

A Inspiração da Leitura

Fala-se às vezes de ‘inspiração’ a propósito de quem escreve uma obra. Mas nunca se diz isso de quem a lê. Mas lê-la é escrevê-la outra vez. E é preciso estar-se inspirado para o conseguir bem. A inspiração possível de quem escreve um livro cumpre-se nele sem mais para o autor. Mas a de quem o reescreve, ou seja lê, é sempre variável. Ela varia não só com o desgaste da repetição da leitura, mas ainda com a variação dessa variação e o motivo dela. Porque por arranjos incognoscíveis pode alternar a adesão com a repulsa e recuperar depois em adesão o que repelira e o contrário. Como pode tudo ter que ver com razões mais cognoscíveis ou razoáveis e tudo depender assim de um insulto que nos doeu ou de um vinho que nos caiu mal. Um livro que se escreveu é imutável. O mesmo livro que se lê não o é. A inspiração de quem escreveu deu o que tinha a dar. A de quem o recebe varia e não se esgota. Porque se se esgotar, o livro não tinha nenhuma”

. Vergílio Ferreira in Escrever .

Para escapar

Muitas vezes nos refugiamos no futuro para escapar do sofrimento. Imaginamos uma linha na pista do tempo, e pensamos que a partir dessa linha o sofrimento presente deixará de existir”

. Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser .

A Verdade

A verdade algumas vezes a escolho de um romance. Na vida real, recebemo-la como ela sai dos encontrados casos, ou da lógica implacável das coisas; mas, na novela, custa-nos a sofrer que o autor, se inventa, não invente melhor; e, se copia, não minta por amor a arte. O romance que estriba na verdade o seu merecimento é frio, é impertinente, é uma coisa que não sacode os nervos, nem tira a gente, sequer uma temporada, enquanto ele nos lembra, deste jogo de nora, cujos alcatruzes somos, uns a subir, outros a descer, movidos pela manivela do egoísmo. A verdade! Se ela é feia, para que oferecê-la em painéis ao público?! {…} Isto é que eu submeto à decisão do leitor inteligente. Fatos e não teses é o que eu trago aqui. O pintor retrata uns olhos, e não explica as funções do aparelho visual”

. Camilo Castelo Branco in Amor de Perdição .

Acalma e cura

Acordou e viu que estava só em casa.
Saiu e tomou a direção do cais. Queria ver o Vltava. Queria sentar-se em sua margem e olhar a água, pois a visão de água fluindo acalma e cura. O rio corre de século em século, e as histórias dos homens se desenrolam na margem. Acontecem para ser esquecidas amanhã e para que o rio não pare de correr”

. Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser .