Fala-se às vezes de ‘inspiração’ a propósito de quem escreve uma obra. Mas nunca se diz isso de quem a lê. Mas lê-la é escrevê-la outra vez. E é preciso estar-se inspirado para o conseguir bem. A inspiração possível de quem escreve um livro cumpre-se nele sem mais para o autor. Mas a de quem o reescreve, ou seja lê, é sempre variável. Ela varia não só com o desgaste da repetição da leitura, mas ainda com a variação dessa variação e o motivo dela. Porque por arranjos incognoscíveis pode alternar a adesão com a repulsa e recuperar depois em adesão o que repelira e o contrário. Como pode tudo ter que ver com razões mais cognoscíveis ou razoáveis e tudo depender assim de um insulto que nos doeu ou de um vinho que nos caiu mal. Um livro que se escreveu é imutável. O mesmo livro que se lê não o é. A inspiração de quem escreveu deu o que tinha a dar. A de quem o recebe varia e não se esgota. Porque se se esgotar, o livro não tinha nenhuma”
. Vergílio Ferreira in Escrever .
Muito Bom seu blog.
Quando puder visite o meu.
É por isso que gosto de reler alguns livros que me são caros…
Beijos!
♥
Resta-me dizer amém…
bom demais aqui, ta linkada!
bj
Ju
Bonito, aplicável a prática, inspirador, ao encontro de tudo o que penso.
Beijos
Concordo plenamente!
Beijos!
A ‘química’ entre leitor e o lido, é sempre fudamental. A compreensão depende disso.
Olá, sou da confraria. Venho vez por outra visitar o seu blog e acho que nunca deixei recado. Mas desta vez vai…
Seu post tem a ver com um dos últimos que escrevi. Estava há dias lendo um livro que não conseguia terminar, empaquei e não havia o que fazer para prosseguir. Tenho certeza que o livro não é ruim, o problema sou eu leitora, que não estou no momento daquele livro.
Afinidade entre o leitor e o livro, ou o autor também é importante. Mas o vital é a nossa compreensão do relato ali transmitido.
Depois aproveite para me visitar.
Beijo.