Sobre o Jardineiro mais fiel

No momento em que ela fosse à polícia queniana, teria que oferecer uma lista de seus inimigos, reais e potenciais. Sua perseguição ao grande crime seria abortada na hora. Seria obrigada a desistir da luta. Jamais faria isto. O grande crime era mais importante para ela do que sua própria vida.
Bem, é importante pra mim também. Mais importante do que minha vida”

. John Le Carré in O Jardineiro Fiel .

Eu estou na metade do livro, mas já assisti o filme umas cinco vezes e acho que já posso comentar. É uma história simplesmente tocante, não só porque enreda a pobreza e sofrimentos do povo africano, parte da nossa humanidade, mas também pelo amor fiel que Justin devota a Tessa e Tessa devota a sua causa humana e à Justin. A cada linha do livro, eu fico mais apaixonada por Justin, o jardineiro de personalidade serena, bombardeado por todos os lados com a insistência de que sua jovem esposa não apenas ajudava o médico jovem e bonito em sua ong e trabalhos humanitários, mas sim tinha um caso com ele. Fiel à memória de Tessa, ele começa a investigar os fatos sórdidos de seu assassinato, não se deixando esmorecer pelo fato de parecer que todos ao seu redor sabem mais sobre Tessa e no que realmente trabalhava nas longas noites em seu laptop ou nas viagens que fazia com Blum (o médico), do que ele mesmo. E ele mergulha com toda sua fé no que ela escrevia e lia e refaz todos os passos dela, descobrindo finalmente a verdade. E faz dessa verdade a sua própria verdade, como fica claro no trecho acima citado, indo até o fim no trabalho de amor à humanidade que ela havia iniciado. Isso, com toda certeza, é amor de verdade.