Doce Veneno

Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no final do dia e aquilo que mais deseja: seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente vai viver mais do que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento porque, a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço.

. Carlos Ruiz Zafón in O jogo do Anjo .

Que livro é você?

Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra.

Meu Resultado:

“Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis
Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro… Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade – um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem. “Memórias póstumas de Brás Cubas” (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.

 

*Encontrei o teste no Twitter do Leopastor

Porto

Um porto é uma morada encantadora para uma alma cansada das lutas da vida”

. Charles Baudelaire in Pequenos Poemas em Prosa .

VIII

Peguei emprestado daqui.

Amar é o que se quer. É. E, talvez, haja algo de amor
nisto que parece ser um inocente barco de passar por
abismos.
Crescerá o amor na travessia. Doem fundo
as ausências, as que permanecem hoje e aquelas
que se vão
pelos futuros dias,

quando florir o jardim.
As pedras se porão a cantar. Mas necessário
se faz,
em bom grau, prestar atenção. Há outra realidade,
a do amor, a da poesia, de onde se ouve a canção
das pedras.
E a dos portos, das montanhas, dos desertos…

Amar é o que se tem. Nenhum
outro poder há. Nem no céu, nem aqui, nem dentro
do átomo,
nem no futuro. O amor é o que se pode
ter. Nada mais. Os versos não são
versos,
são – é bem provável – avariados barcos.

. Dauri Batisti .

Dez

Uma heroína minha, a doutora Charlene Bell, diz que todo mundo tem um termômetro de dor que vai de zero a dez. Ninguém faz qualquer mudança enquanto não chegar ao dez. Nove não serve. No nove, você ainda tem medo. Só o dez vai fazer com que você se mexa e, quando chegar lá, saberá. Ninguém pode tomar essa decisão por você”

. Vicki Myron (com Brett Witter) in Dewey: Um gato entre livros .

23.04 [09] – Dia Mundial do Livro

Hoje, 23 de abril, é o Dia Internacional do Livro. Na Alemanha, as celebrações do sétimo Dia Internacional do Livro começaram por antecipação, já no domingo (21), com uma noite de leituras em Berlim.

As leituras de Siegfried Lenz e Per Olov Enquist foram o ápice da festa na Casa das Culturas. Lenz, o autor do livro Deutschstunde (“Aulas de Alemão”), leu algumas narrações bem humoradas de viagens da sua obra Zaungast (“Penetra”), que foi lançada especialmente para o Dia Internacional do Livro.

O lema da festa deste ano é “Viajar com o livro”. O autor sueco Per Olov Enquist apresentou-se com seu romance histórico O quinto Inverno do Magnetizador, que trata do paço real da Dinamarca, no século 18.

Mas também pensou-se nas crianças. Na tarde do domingo houve um grande programa de teatro, contos de fadas e oficinas de pintura e histórias em quadrinhos. Dois rapazes apresentaram uma canção hip-hop, intitulada Das sind die Bücher (“São os livros”), sobre o objeto principal da festa literária.

O Dia Internacional do Livro foi criado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), em 1995. Desde então, ele vem sendo celebrado em todo o mundo no dia da morte de William Shakespeare e de Miguel de Cervantes, o 23 do abril.

Nesta terça-feira, haverá cerca de 4.000 eventos comemorativos em livrarias alemãs. As despesas totais, no valor de 20 mil euros (cerca de R$ 41 mil, 1 euro = R$ 2,08), foram financiadas pela Sociedade das Editoras e Livrarias e pela Associação do Comércio Livreiro Alemão. Não houve apoio financeiro dos cofres públicos.

Fonte: Folha Online Ilustrada

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Bem-vindo à Iowa

Existe uma planície de mil milhas no meio dos Estados Unidos, entre o rio Mississipi, à leste, e os desertos do oeste. Ali há colinas ondulantes, mas não montanhas. Também rios e riachos, porém poucos grandes lagos. O vento desgastou os afloramentos rochosos, transformando-os primeiro em poeira, depois em terra, então em solo, finalmente, em terra negra, boa para agricultura. Nesse lugar, as estradas são retas, chegando ao horizonte em longas linhas ininterrúptas. Não há esquinas, apenas curvas ocasionais, quase imperceptíveis. Essa terra foi topografada e demarcada para fazendas; As curvas são correções nas linhas topográficas. A cada milha, exatamente, cada estrada é cortada por uma outra, quase perfeitamente reta. Dentro, estão mil milhas quadradas de terra cultivável. Tome um milhão dessas milhas quadradas, amarre-as e terá uma das regiões agrícolas mais importantes no mundo. As Grandes Planícies. A Cesta de Pão. As Terras Centrais. Ou, como muita gente pensa, o local por cima do qual se voa ao ir para algum outro lugar. Deixe-os com seus oceanos e montanhas, suas praias e resorts de ski. Eu fico com Iowa.
No noroeste de Iowa, no inverno, o céu engole as casas de fazenda. Em um dia frio, as núvens escuras que sopram pelas planícies parecem revolver a terra, como se ela estivesse sobre um arado.
Na primavera, o mundo está plano e vazio, cheio de terra soprada e pés de milho arrancados, esperando para serem replantados, e o céu e a terra estão em perfeito equilíbrio, como um prato em cima de uma vareta. Mas, se você vier no verão, juraria que o solo está prestes a erguer-se e despejar o céu para fora da paisagem. O milho está com quase três metros de altura, as folhas verdes brilhantes enzimadas com resplandescentes franjas douradas. A maior parte do tempo você está enterrado nele, perdido entre paredes de milho, porém basta subir no topo de uma pequena elevação na estrada, com apenas alguns metros de altura, e consiguirá ver infindáveis campos de ouro sobre verde, fios sedosos que brilham ao sol. Essas sedas são os orgãos sexuais do milho, que contém o pólem, voam em amarelo-ouro durante um mês e depois lentamente morrem, tornando-se marrons sobre o severo calor do verão.
É disso que eu gosto no noroeste de Iowa: está sempre em mudança. Não do jeito que os suburbios mudam, à medida que uma loja  de certa rede de restaurantes toma o lugar de outra, ou do jeito que as cidades mudam, à medida que prédios se amontoam à outros, cada vez mais altos, mas do jeito que o campo muda, lentamente, para trás e para frente, em um movimento suave que sempre desliza avante, contudo nunca muito depressa.

Vicki Myron (com Brett Witter) in Dewey: um gato entre livros

Lua sinistra e embriagante

Eu a compararia a um sol negro, se pudéssemos conceber um astro negro que vertesse luz e felicidade. Mas ela lembra mais facilmente a lua, que sem dúvida a marcou com sua temível influência; não a lua branca dos idílios, semelhante a uma noiva fria, mas a lua sinistra e embriagante, suspensa ao fundo de uma noite tempestuosa e empurrada pelas núvens que correm; não a lua mansa e discreta a visitar o sono dos homens puros, mas a lua arrancada do céu, vencida e revoltada, que as Feiticeiras tessálias obrigam duramente a dançar sobre a relva apavorada! {…} Há mulheres que inspiram o desejo de vencê-las e desfrutá-las; mas esta dá vontade de morrer lentamente sob seu olhar”

. Charles Baudelaire in Pequenos Poemas em Prosa .

17.04 [09]

É, fico mais um ano velhinha hoje. 🙂
Uma data importante e feliz pra mim, pois foram mais 12 meses de muita literatura, amizade e carinho que compartilhei com todos vocês! Só tenho a agradecer…
E claro que não podia passar totalmente em branco, afinal eu mereço né? (modestaaa). Me dei de presente o livro 1984 – George Orwell:

Promoção imperdível do Submarino por apenas (o.o) R$9,90 🙂

Vácuo

19 de outubro

Ah, esse vácuo medonho que sinto no meu seio! Muitas vezes penso… Se pudesses uma vez, uma só vez, apertá-la ao peito, todo esse vácuo haveria de se encher.

J. W. Goethe in Os Sofrimentos do Jovem Werther