VIII

Peguei emprestado daqui.

Amar é o que se quer. É. E, talvez, haja algo de amor
nisto que parece ser um inocente barco de passar por
abismos.
Crescerá o amor na travessia. Doem fundo
as ausências, as que permanecem hoje e aquelas
que se vão
pelos futuros dias,

quando florir o jardim.
As pedras se porão a cantar. Mas necessário
se faz,
em bom grau, prestar atenção. Há outra realidade,
a do amor, a da poesia, de onde se ouve a canção
das pedras.
E a dos portos, das montanhas, dos desertos…

Amar é o que se tem. Nenhum
outro poder há. Nem no céu, nem aqui, nem dentro
do átomo,
nem no futuro. O amor é o que se pode
ter. Nada mais. Os versos não são
versos,
são – é bem provável – avariados barcos.

. Dauri Batisti .