Papel e Tinta

Contra qualquer prognóstico, sobrevivi aqueles primeiros anos na corda bamba de uma infância anterior à penicilina. Nessa época, a morte ainda não vivia no anonimato e era possível vê-la e sentir seu cheiro por todo lado, devorando almas que nem tinham tido tempo para pecar.
Já naqueles tempos, meus únicos amigos eram feitos de papel e tinta. Na escola, tinha aprendido a ler e escrever muito antes das outras crianças do bairro. Onde meus colegas viam manchas de tinta em páginas incompreensíveis, eu via luz, ruas, gente. As palavras e o mistério de sua ciência oculta me fascinavam e, para mim, eram a chave que abria um mundo sem fim e a salvo daquele caos, daquelas ruas e daqueles dias turvos em que até eu podia intuir que uma sorte minguada me esperava”

. Carlos Ruiz Zafón in O Jogo do Anjo .

9 comentários sobre “Papel e Tinta

  1. Samuel disse:

    É dificil acreditar que mesmo depois de ‘crecidas’ muitas pessoas ainda só vejam um borrão de tinta na beleza de um livro…
    Eu viajo… e acontece como aqui “eu via luz, ruas, gente.”
    fico imerso na história…
    It’s Fantastic!

  2. Edu disse:

    Cara Lyani,

    Curioso trecho. Interessante adjetivo para um livro: “amigo de papel e tinta”. Muito apropriado para você, que continua a nos apresentar belos “amigos de papel de tinta”
    Um ab
    Edu

  3. fátima disse:

    “/alguém que nos transe um beijo/
    /Que a química alucina/
    / põe direção/
    /// vence/
    /// molha a boca…/
    “/Acende as artérias num tráfego intenso/””
    Obrigada pela visita
    Abraços

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