29.09 – 101 anos sem Machado de Assis

A moral é uma, os pecados são diferentes

. Machado de Assis .

Meme: Amor

Recebido da amiga Poetriz:

REGRAS:

1) Convidar 5 blogs:

2) Responder as perguntas:

  • UM AMOR? Livros.
  • UMA DOR? Já dizia Shakespeare “Toda despedida é dor…”.
  • UMA COR? Verde e Roxo.
  • UM SONHO? Biblioteca de Alexandria.
  • UM DESEJO? Não deixar de sonhar.
  • UMA MÚSICA? Nice Dream – Radiohead
  • UM AMIGO (A)? Minha irmã.
  • UMA FRASE? “Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta“. (Camille Claudel)

Não há

Como nos sonhos,
atrás das altas portas não há nada,
nem sequer o vazio.
Como nos sonhos,
atrás do rosto que nos contempla não há ninguém.
Anverso sem reverso,
moeda de uma única efígie, as coisas.
Essas misérias são os bens
que o precipitado tempo nos deixa.
Somos nossa memória,
somos esse quimérico museu de formas inconstantes,
essa pilha de espelhos rotos”

. Jorge Luis Borges in Elogio da Sombra .

Selo: Blog de Cristal

Este ganhei carinhosamente da Léia do Borboletas a Caminho:

Como ela não colocou nenhuma regra em relação à quantidade, ofereço-o a todos os queridos blogs que estão em “Entre Amigos” e “Leio & Recomendo” linkados aqui no “Entre Aspas”.

Vocês merecem 😀

Luz das Velas

O amor nasce, vive e morre pelo poder – delicado – da imagem poética que o amante vê no rosto da amada. O amor prefere a luz das velas. Talvez porque seja isto tudo o que desejamos da pessoa amada: que ela seja uma luz suave que nos ajude a suportar o terror da noite.

Rubem Alves in Ostra Feliz Não Faz Pérola

12.09 – 61º Aniversário de Caio

Quem diria que viver ia dar nisso?”

. Caio Fernando Abreu in Cartas.

Poemas Inconjuntos – I

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno —
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no fato de aceitar —
No fato sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável”

. Alberto Caieiro in Poemas Completos de Alberto Caieiro .

Salvo aqueles que amamos…

Creio não ter um único inimigo ou, se os tive, nunca fui informado disso. A verdade é que ninguém pode ferir-nos, salvo aqueles que amamos

. Jorge Luis Borges in Elogio da Sombra .

“Já não sinto mais nada”

Nas tardes seguintes, Bruno retornou ao ponto da cerca onde os dois costumavam se encontrar, mas Shmuel nunca mais apareceu. Depois de quase uma semana ele se convenceu de que o que havia feito fora tão terrível que jamais seria perdoado, porém no sétimo dia ficou extasiado ao ver Shmuel esperando por ele, sentado de pernas cruzadas no chão, como sempre, e olhando para a poeira debaixo de si.

“Shmuel’, disse ele, correndo na direção do amigo e sentando-se, quase chorando de alívio e arrependimento. “Eu sinto tanto, Shmuel. Não sei por que fiz aquilo. Diga que me perdoa.”

“Tudo bem”, disse Shmuel, olhando para ele. Seu rosto estava todo machucado e Bruno fez uma careta, por um instante se esquecendo das desculpas que estava pedindo.

“O que aconteceu com você?”, ele perguntou, mas não esperou pela resposta. “Foi a bicicleta?” Porque uma vez isso aconteceu comigo lá em Berlim há uns dois anos. Eu caí da bicicleta quando estava indo rápido demais e fiquei todo roxo durante semanas. Está doendo?”

“Nem sinto mais”, disse Shmuel.

“Parece que dói.”

“Já não sinto mais nada”, disse Shmuel.

“Bem, sinto muito pela semana passada”, disse Bruno. “Eu odeio aquele tenente Kotler. Ele pensa que é o manda-chuva, mas não é.” Bruno hesitou por um instante, sem querer perder o fio da meada. Sentiu que deveria dizer mais uma vez e com muita sinceridade. “Eu sinto muitíssimo, Shmuel”, disse numa voz bem clara. “Não posso acreditar que não contei a ele a verdade. Nunca desapontei um amigo dessa maneira antes. Shmuel, estou envergonhado de mim mesmo.”

Quando Bruno disse isso, Shmuel sorriu e balançou a cabeça e Bruno soube que estava perdoado. Então Shmuel fez algo que nunca havia feito antes: ele ergueu a parte de baixo da cerca como sempre fazia quando o amigo lhe trazia comida, mas desta vez ele estendeu a mão por baixo e a manteve lá, esperando até que Bruno fizesse o mesmo. Os dois meninos apertaram as mãos e sorriram um para o outro.

Foi a primeira vez que eles se tocaram.

John Boyne in O menino do Pijama Listrado