Não-dor

Respirou fundo. Morangos, mangas maduras, monóxido de carbono, pólen, jasmins nas varandas dos subúrbios. O vento jogou seus cabelos ruivos sobre a cara. Sacudiu a cabeça para afastá-los e saiu andando lenta em busca de uma rua sem carros, de uma rua com árvores, uma rua em silêncio onde pudesse caminhar devagar e sozinha até em casa. Sem pensar em nada, sem nenhuma amargura, nenhuma vaga saudade, rejeição, rancor ou melancolia. Nada por dentro e por fora além daquele quase-novembro, daquele sábado, daquele vento, daquele céu azul – daquela não-dor, afinal”

. Caio Fernando Abreu in Estranhos Estrangeiros .

9 comentários sobre “Não-dor

  1. Ruberto Palazo disse:

    Penso se essa “não-dor” não é algo parecido como uma fuga consciente do que pode nos levar a dor, entao evitamos… ensinamos o cerebro a buscar a rua vazia, deixamos o vento nos tocar e nos levar para onde a vida quiser, ou para onde nao exista dor…

    Beijos

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