Apenas

Não há inocentes. Apenas diferentes graus de responsabilidade”

Lisbeth Salander, personagem de
Stieg Larsson in “A menina que brincava com fogo”

Tortura

Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
– E ser, depois de vir do coração,

Um punhado de cinza esparso ao vento! …

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!

– E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento …

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!

. Florbela Espanca in Livro de Mágoas .

+ Presentes!

Estes dois lindos selos ganhei da querida Ariadne…

do Mil Pedaços:

Este não tem regras, apenas repassar a dois blogs! Então…

e do Anti Conto de Fadas:

Esse tem algumas regras:

– Escrever uma lista com oito características suas ou do seu bichinho:

Minhas calopsitas (Nina e Lelo): São lindas, carinhosas, brincalhonas, comilonas, inteligentes (sim!), limpinhas (elas tomam banho de chuveiro!), dengosas e fofas! ;P

– Convidar oito blogueiros para receber o selinho:

DZ, Poetriz, Samacc, Aquela… , Florescer, To be continued… , Trovador, Teorias Impossíveis.

– Fazer um comentário no blog de quem deu o selo; (ok!)
– Comentar nos blogs ou enviar um e-mail aos que vão receber o selinho. (ok!)

Poemas Inconjuntos – II

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é”

. Alberto Caieiro in Poemas Completos de Alberto Caieiro .

Confraria dos 50

Achei que não fosse conseguir chegar a esse número. Afinal, minha média de leitura anual estava sendo 12, ou seja, mísero um livro ao mês. Vou usar a desculpa da falta de tempo, mas era também um pouco de falta de ânimo. Trabalhava longe de casa, uma viagem por dia. Sem contar as horas de trabalho malucas que incluíam feriados, finais de semana, noites e madrugadas. As horas livres eram usadas pra dormir ou vegetar na frente do computador pra tentar esquecer um pouco a loucura. Às vezes eu vegetava na frente da TV também. Lia também, mas muito pouco e por isso achei que jamais chegaria a marca dos vinte, quanto mais dos cinqüenta. Mas eis que a vida foi por outros caminhos. Mudei de emprego, de ares, fiquei mais próxima de casa, trabalhando em horário de gente normal e aí o vício da leitura me acometeu novamente, agora com tempo suficiente para dedicar a ele. Cheguei aos vinte, aos trinta e finalmente aos cinqüenta. Passei dos cinqüenta com quatro livros de folga. Nem acreditei. Foram leituras muito gostosas. Do lazer à cultura. Do drama ao romance e à comedia. Li autores que não conhecia como John Boyne e seu maravilhoso “O menino do pijama listrado”, Sophie Kinsela e sua coleção hilariante sobre Becky Bloom. Viajei no tempo para a Grã-Bretanha de Rei Arthur e as mulheres magníficas de sua vida em “As Brumas de Avalon” de Marion Zimmer Bradley. Viajei para o espaço com Douglas Adams e seus fantásticos personagens na coleção “O guia do mochileiro das Galáxias”. Fui apresentada a Jane Austen através de “Persuasão”, a Stieg Larsson através de “Os Homens que não amavam as mulheres”, a Sara Gruen através do emocionante “Água para elefantes“. Mas também li autores já meus conhecidos, como Clarice Lispector (sempre!), Caio Fernando Abreu, Baudelaire, Borges. Fiquei amedrontada com “1984” de George Orwell e sua tão terrível sala 101. Ri com Mario Prata e suas “100 melhores Crônicas“. Chorei com John Le Carrè e o Jardineiro mais fiel do mundo inteiro. Enfim,  vivi muito nestas maravilhosas páginas da vida. Agradeço muito a  Paula Silva e Nelida Capela por terem lançado esse desafio e agora quero um novo!!! 🙂