XVIII

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando…

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira…

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo. . .

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse…

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena…”

. Alberto Caieiro in Poemas Completos de Alberto Caieiro .

2 comentários sobre “XVIII

  1. Fabricio Carlos disse:

    seguir viajem/tirar os pé da terra firme e seguir/viagem (engenheiros do hawaii)

    meu lembrei dessa musica…

    Gostei desse poema, a simplicidade talvez seja a melhor de não viver se arrependendo… muito bom…

  2. Patricia Costanti disse:

    e… “Quem me dera encontrar o verso puro, o verso altivo e forte, estranho e duro, que dissesse a chorar, isto que sinto!” (Florbela Espanca). Esses portugueses Evy, sabem muito da vida, rs. Saudades imensas de você minha querida. Beijo enorme.

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