Inventário do Ir-remediável – Trecho I

Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair e me quebrar inteiro na queda para depois restar incompleto, destruído talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morto, mais indefinido – e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou”.

. Caio Fernando Abreu .

Felicidade Possível

Sem amor, sem compaixão, não há felicidade possível. E o amor nasce na paz do espírito. O bem estar material não é suficiente para alcançar a felicidade, se não for acompanhado por um desenvolvimento espiritual”.

. Javier Moro in As Montanhas de Buda .

DL 2011: As vidas de Chico Xavier

TEMA: Biografia e/ou Memórias
MÊS: Fevereiro


Livro:
As vidas de Chico Xavier
Autor(a): Marcel Souto Maior
Editora: Planeta
Páginas: 271

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

 

“Cisco Xavier” como se auto denominava, não gostava de honrarias e elogios. Se sentia constrangido e sua imensa humildade não lhe permitia a vaidade e o orgulho de sentir prazer ao ouvi-los. Mas ele entendia que era impossível para nós, encantados com sua bondade e iluminação de espírito, não lhe dirigir tais adjetivos. Chico Xavier, um espírito de luz.

Sou talvez uma pessoa suspeita para falar desta biografia, pois sou espírita há muitos anos. Nem acho correto me designar espírita ao escrever sobre Chico e não só isso, pois ser espírita é colocar em prática as maravilhosas palavras de Allan Kardec nosso codificador. Chico fez isso excepcionalmente bem. Eu ainda engatinho nessa longa jornada. Chico é um exemplo de vida, uma inspiração, um espírito iluminado e bondoso capaz de sacrifícios pela fé e mediunidade que estou muito longe de conseguir conceber o pensamento.

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21.02 – 107º Aniversário de Anais

A vida é um processo de crescimento, uma combinação de situações que temos de atravessar. As pessoas falham quando querem eleger uma situação e permanecer nela. Esse é um tipo de morte”.

. Anais Nin .

Primeiro Sol

XL Desafio Incubadora Literaria
Tema: Segundo Sol
Período para votação: 18/02 a 21/02

Não saberia dizer há quanto tempo estava ali sentado. Olhou para o relógio de pulso e sorriu. 12:51. Agora só faltavam nove minutos. Pegou seu Iphone, todo um ano de economia cabia na sua mão naquele momento, e deu check in no foursquare. O endereço exato de onde estava apareceu nas suas redes sociais. Estava em frente a Biblioteca Municipal, esperando os minutos passarem e o sol aparecer. Era um dia nublado e cinza de inverno. Abriu a página da internet pra ler as notícias e sorriu com uma delas que dizia que alguns astrônomos previam que a estrela Betelgeuse logo iria se tornar uma supernova e, em 2012, brilharia em nosso céu como um segundo Sol. Nada podia ser mais propício àquele momento. Twittou sua espera, blogou as esperanças e blipou Yellow do Coldplay para acalentar sua ansiedade. Os acordes da música o fizeram fechar os olhos por um minuto e já podia até sentir os raios de sol aquecendo-lhe a pele. O celular, que até fazia ligações, vibrou em sua mão e olhou pra tela pra verificar o que era embora já soubesse que era o alarme avisando: “Here Comes de Sun”. Não precisava mais olhar o relógio, sua espera demorou apenas mais um segundo e lá estava: o Sol. Tirou os fones do ouvido pra contemplar a mudança no ambiente. A rua iluminou-se, o tom das árvores mudou, os pássaros cantavam alegres e até as pessoas encapuzadas, para afugentar o frio, pareciam mais animadas. Podia quase jurar que tinha visto até um sorriso. Quase, porque não podia fingir que na verdade não estava notando nada ao seu redor além dela. Sim, os fios dourados sob a touca de lã esvoaçavam com o vento frio do inverno, os olhos cor-de-mel iluminados por um brilho diferente de qualquer outra estrela do universo, mais intenso que qualquer supernova. As mãos pequenas, cobertas por luvas, seguravam um livro de encontro ao peito e o leve sorriso que curvava seus lábios rosados pra cima sempre davam a impressão de que ela andava lembrando de coisas boas e bonitas. Ela passou por ele sem sequer notar-lhe a presença, mas ele não se importou. Vê-la era o suficiente. No Iphone, a notícia dizia que aquele era um dos mais severos dias de inverno e que o Sol não apareceria tão cedo. O segundo, é claro. Porque seu primeiro Sol sempre seria ela.

{ Lyani } 17/02/2011

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DL 2011: Clarice,

TEMA: Biografia e/ou Memórias
MÊS: Fevereiro


Livro:
Clarice,
Autor(a): Benjamin Moser
Editora: CosacNaify
Páginas: 648

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

 

Esse livro é simplesmente perfeito. E eu gostaria muito de conseguir escrever uma resenha à altura dessa biografia tão maravilhosamente escrita por Benjamin Moser. Algo assim bem profissional, literário e especial. Mas me é completamente impossível não ser passional ao falar de Clarice e dessa biografia. Eu era fã de Clarice até ler esse livro. Agora eu sou algo acima disso, se é que existe!

Benjamin Moser, um norte-americano que publicou essa biografia com o nome de “Clarice vírgula” provavelmente se referindo ao romance que ela inicia com uma vírgula “Uma Aprendizagem”, foi simplesmente impecável em sua escrita, na escolha dos nomes para os capítulos, na seleção de trechos de cartas, citações de seus romances e contos, enfim: impecável! Lançada nos Estados Unidos em 2009, foi resenhada com destaque pelo The New York Times e pela revista The Economist. Não é a toa todo esse sucesso! A obra é super completa e revela detalhes fundamentias da trajetória da escritora, desde sua origem até o sucesso e reconhecimento internacional.

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