Inventário do Ir-remediável – Trecho I

Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair e me quebrar inteiro na queda para depois restar incompleto, destruído talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morto, mais indefinido – e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou”.

. Caio Fernando Abreu .

2 comentários sobre “Inventário do Ir-remediável – Trecho I

  1. Leandro disse:

    Caio F. é a minha sanidade e loucura. Aprendi, lendo, que os contos escritos por ele são uma realidade interna, expressa nos personagens (muitos sem nomes) dele. Acho que o escritor-contista como ele dão vazão aos sentidos da vida: dor, amor e loucura. Este fragmento que li, já li muitas vezes, e releio sempre. Sou quem acredita que o conto é um breve reflexo no espelho da vida que temos. Seja na ficção ou realidade (inventada), escrever sempre é um ato corajoso, pois não sabemos ao certo se estamos falando a verdade ou escrevendo a mentira. Caio F. é a escrita verdadeira, no meio de tanta mentira.
    Parabéns pelo blog
    Leandro Toral

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