Chove demais…

Roubei daqui:

chove demais no que eu escrevo. não há espaço para céu limpo. a cidade é sempre cinza. os muros sempre sujos. o vento sempre leva alguma coisa. os cabelos. um papel. a barra de um vestido. as folhas da calçada. há dores demais no que eu escrevo. não existem amores perfeitos. as fotos estão sempre rasgadas. as frases no avesso. na cama, sempre sobra um maldito travesseiro. no som, apenas os discos úmidos. que rodam. e rodam. ecoando pelo apartamento suas letras tristes. rimas imperfeitas. há exagero demais no que escrevo. tempestades em copos pequenos. gritos. berros. palavrões. os arranhões são sempre rasgos. enormes. de ponta a ponta. abrindo o corpo pra que me enxerguem por dentro. roubem o que tenho escondido. me dissequem. há mentiras demais. medos demais. talvez seja preciso usar outra vida naquilo que escrevo. não a minha. por aqui, chove demais.

Eduardo Baszczyn

Esquisita

E se me achar esquisita,
respeite também.
Até eu fui obrigada a me respeitar
“.

. Clarice Lispector .

Blogagem Coletiva de Março: OSCAR

Clique aqui para saber quem bolou e como funciona esse meme!!!

1 – Você já leu algum livro cuja adaptação pro cinema ganhou um Oscar? Qual?
“O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway
“Memórias de uma Gueixa”, de Arthun Golden
“As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, de C. S. Lewis

2 – Que impressão você teve sobre a adaptação? Foi fiel a história? Ficou melhor, pior, diferente? Mereceu a estatueta?
Dos três que citei acima só assisti os dois últimos. Tanto Memórias de uma Gueixa, quanto Crônicas de Nárnia viraram ótimas adaptações para o cinema. É claro que nem tudo é perfeito, sempre há modificações, e é muito difícil e raro o filme ser melhor que o livro, mas acredito que mereceram sim as estatuetas!

3 – Já aconteceu o oposto, de após um filme ganhar um Oscar, você buscar o livro pra ler? Qual? Por que?
Após o filme ganhar o Oscar só com Memórias de uma Gueixa. Mas após assistir o filme, já aconteceu várias vezes: O Jardineiro Fiel, O Leitor, A Outra (que o livro no qual foi baseado é A irmã de Ana Bolena), Operação Valquíria e depois de assistir O Discurso do Rei, também tenho vontade de lê-lo.

Especial: CURIOSIDADES SOBRE AS BIBLIOTECAS

As bibliotecas são lugares onde temos acesso a conteúdos que nos ensinam e nos divertem. E o mais importante: de graça. Neste especial, vamos mostrar tudo – ou quase tudo – o que você gostaria saber sobre bibliotecas, mas nunca teve chance de descobrir (a não ser que você esteja super acostumado com o cotidiano delas). O que significam aqueles números e letras de localização nas lombadas dos livros? Qual foi a primeira biblioteca brasileira a ser aberta ao grande público? São algumas das curiosidades que mostraremos aqui. No final, apresentamos um guia das bibliotecas públicas no Estado de São Paulo.

Março é um mês onde muitos trabalhos escolares começam a encher a agenda dos alunos e as bibliotecas costumam ser a salvação para eles. Em março também é comemorado o Dia do Bibliotecário (dia 12), tema abordado pela Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo especial de março de 2007. Então, nada melhor do que falar sobre bibliotecas neste espaço!

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22.03 [11] – Dia Mundial da Água

♫ Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão…

Águas escuras dos rios
Que levam
A fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população…

Terra! Planeta Água… ♫

. Planeta ÁguaGuilherme Arantes .

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Fragmento 225

Tantas vezes, tantas, como agora, me tem pesado sentir que sinto – sentir como angústia só por ser sentir, a inquietação de estar aqui, a saudade de outra coisa que se não conheceu, o poente de todas as emoções… Ah, quem me salvará de existir? Não é a morte que quero, nem a vida: é aquela outra coisa que brilha no fundo da ânsia…”

. Fernando Pessoa in O Livro do Desassossego .

DL 2011: O Bobo da Rainha

TEMA: Romance Épico
MÊS: Março


Livro:
O Bobo da Rainha
Autor(a): Philippa Gregory
Editora: Record
Páginas: 517

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

 

Primeiramente tenho que confessar que desde que assisti o filme A Outra com Natalie Portman e comecei a acompanhar The Tudors no Liv (na época People&Arts), me apaixonei perdidamente pelas histórias de intriga, paixão, traição, amor e ódio da corte Tudor. Foi então que descobri Philippa Gregory e seus incríveis livros sobre esse período tão conturbado da história da Inglaterra.

Neste livro fabuloso, Philippa nos presenteia com a história da Rainha Mary, filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão. A corajosa, determinada, nobre e generosa Rainha Catarina que foi tirada do trono, trocada por Ana Bolena e esquecida numa casa rural qualquer até a morte, sozinha e sem poder ver sua única filha, em nome de uma paixão que desestruturou a vida do Rei para sempre. As consequencias dessa paixão alcançaram até mesmo Mary, que foi obrigada a se declarar bastarda, negar sua fé verdadeira e cuidar de Elizabeth, filha de Ana Bolena e Henrique, como sua dama mais inferior.

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Quando?

Quando os livros e as palavras haviam começado a significar não apenas alguma coisa, mas tudo?”.

. Markus Zusak in A Menina que Roubava Livros .

14.03 [11] – Dia Nacional da Poesia

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!”

. Florbela Espanca .

Uma espécie de vício

XL Desafio Incubadora Literaria
Tema: Biblioteca
Período para votação: 15/03 a 18/03

Era uma espécie de vício. As vezes, doentiu. Tinha que caminhar, todos os dias no mesmo horário, para aquele prédio imponente no centro da cidade. E aquele dia, especificamente, era um dia muito frio pra se sair à rua por qualquer motivo. O sol não aparecia há alguns dias e pela previsão do tempo, ainda demoraria um bom tempo para voltar a brilhar no céu. Teve ímpetos de permanecer no aconchego aquecido de casa, mas sabia que se não fosse ficaria com o sentimento de que algo essencial lhe faltava. E era sempre assim. Quando deu por si, lá estava com sua touca de lã e as luvas cobrindo as mãos, parada em frente a Biblioteca Municipal. Nem o frio, nem a falta de sol, ou qualquer outro problema climático lhe tirariam aquele prazer. Mal podia conter o sorriso, e como se fosse a primeira vez que vinha ali, ao entrar, observava cada detalhe. As altas estantes de madeira, as poltronas de leitura, as mesas para pesquisa e claro, os livros. As lombadas coloridas e diversificadas que, ao contrário das pessoas, eram convidativas e pareciam querer chamar sua atenção para esta ou aquela história. Sempre se perguntava se a garota loira que fora ontem, antes de ler o livro que trazia para devolver, seria a mesma de hoje ao escolher outro título para leitura. Seria a mesma amanhã, depois de mais um livro lido. Ou a leitura a modificava a cada dia? Correu as estantes com os olhos, com as pontas do dedo, encantada como todos os dias com aquele lugar mágico. Puxou um ou outro livro da estante e os folheou, saboreando o som das folhas virando, o cheiro típido do papel envelhecido. Esquecia-se de tudo naquele lugar. Os problemas, a vida, as dificuldades, tudo parecia distante e até mesmo não existir diante daqueles corredores e estantes abarrotados de livros, de vida! Depois de percorrer quase todo o salão, olhou o grande relógio que batia as horas em suaves ruídos, possíveis de ouvir apenas pelo silêncio sagrado daquele santuário. 12:51. Escolheu o título que queria e exatamente uma hora depois que entrara, saía da Biblioteca segurando-o de encontro ao peito e um sorriso leve curvando os lábios rosados pra cima. Sabia que seus olhos estavam iluminados pela felicidade de ter visitado seu lugar favorito na cidade, no seu mundo. Não se importava de ter uma espécie de vício assim, que lhe fazia tão bem.

{ Lyani } 12/03/2011

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