DL 2011: 1822

TEMA: Livro-Reportagem
MÊS: Maio


Livro:
1822
Autor(a): Laurentino Gomes
Editora:
Planeta
Páginas: 352

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)


A leitura deste livro só confirmou que Laurentino Gomes é um ótimo autor na minha opinião. Mais uma vez nos traz fatos históricos muito bem embasados e próximos da realidade, dismistificando certos momentos gloriosos da história do país e elevando alguns outros esquecidos (dos quais, confesso, alguns eu sequer sabia que existiam). Por esse motivo, a leitura me foi bastante relevante.

Laurentino mostra aos leitores neste novo livro, que país a corte de D. João VI deixava para trás ao retornar a Lisboa em 1821 e no qual seu filho, D. Pedro I daria o Grito do Ipiranga. Também nos relata as enormes dificuldades do Primeiro Reinado até a abdicação em 1831, retorando a portugal para enfrentar seu irmão D. Miguel, que havia lhe usurpado o trono de Portugal, e a morte em 1834, com apenas 36 anos de idade.

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Medidas

Agente só descobre isso depois de grande(…). Que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor”.

. Manoel de Barros in Memórias Inventadas .

Uma geração descobre o prazer de ler…

Fiquei muito feliz com a edição da Revista Veja desta semana (18/05/2011), quando me deparei com esta reportagem:

Ler obras juvenis ou best-sellers é apenas o começo de uma longa e produtiva convivência com os livros. Essa é a lição que anima os jovens a se aventurarem na boa literatura atual e nos clássicos“.

Ler é indispensável para aqueles que querem se expressar bem: mostra as diversas possibilidades da língua, aumenta o vocabulário e enriquece o conhecimento. “E a forma mais eficiente de saber e de humanizar-se, colocando-se no papel do outro. Deixa a pessoa mais próxima da civilização e mais distante da barbárie” diz o escritor Miguel Sanches Neto, exemplo de cidadão que, mesmo num ambiente de pobreza material e cultural, buscou o melhor da literatura. Todas essas benesses, porém, só são adquiridas quando o leitor passa a buscar uma leitura mais seletiva e procura o melhor que os autores clássicos e célebres já produziram ao longo do tempo. “Existem livros que tratam a pessoa como consumidora e acompanhante passiva da história. Esses dispensam a atividade do leitor”, diz Luís Augusto Fischer, professor de literatura brasileira na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e autor de Filosofia Mínima – Ler; Escrever; Ensinar, Aprender. E aí se chega a uma recomendação importante: nos primeiros meses, não importa muito o que a pessoa lê, desde que ela adquira a habilidade essencial de ler apenas por prazer. Tom Wolfe, um dos mais celebrados jornalistas e escritores americanos, leu apenas e tão somente sobre beisebol até os 16 anos de idade – mas leu.

DL 2011: O Último Trem de Hiroshima

TEMA: Livro-Reportagem
MÊS: Maio


Livro:
O Último Trem de Hiroshima
Autor(a): Charles Pellegrino
Editora:
Leya
Páginas: 432

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)


Não deveríamos deixar a guerra acontecer nunca mais”.

Nunca mais. Por motivo algum e em hipótese alguma. A leitura deste livro foi uma das mais difíceis pra mim até hoje. Sofri muito com os sobreviventes e suas histórias horripilantes daquele trágico 06 de agosto de 1945. Tive vergonha de, até então, ter feito parte das pessoas que “em número cada vez maior, haviam se tornado complacentes (…) desde o término da constante e amedrontadora rivalidade nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética”. Tive e confesso “uma espécie de amnésia (que) tinha começado a afetar a civilização, uma amnésia particularmente perigosa, na qual as pessoas começavam a esquecer o que as bombas atômicas realmente fazem”.

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Lição Inesquecível

Em um raio de dois quilômetros, uma professora chamada Arai recebeu uma lição inesquecível sobre os efeitos diferenciais de superfícies negras e brancas na absorção da luz. Quando veio o clarão, ela estava sozinha em sua classe, porque havia decidido dar mais alguns minutos para as crianças brincarem no pátio. Arai estava pendurando os melhores exemplos de caligrafia dos alunos em uma janela que dava para o hipocentro. Uma garotinha, executando sua delicada caligrafia em nanquim, tinha pintado o nome de sua professora em uma folha branca de papel-arroz. O clarão foi tão rápido que Arai pensou que uma bomba de quase quinhentos quilos tivesse caído bem ao lado da janela. Seguindo seu treinamento contra bombardeios aéreos, ela se agachou imediatamente para se proteger, esperando somente um ‘rápido desaparecimento’, advindo de uma bomba cheia de dinamite e cargas de fósforo lançada tão perto dela. Ficou perplexa, então, quando a luz diminuiu e o estrondo que esperava não veio pelo que pareceram vários longos segundos. Estava quase levantando a cabeça para dar uma olhada do lado de fora quando a janela explodiu para dentro da classe e milhares de pedaços de vidros voaram sobre suas costas, sem lhe causar dano.
Quando Arai se levantou novamente, ela observou uma grande nuvem vulcânica cheia de vaga-lumes que mudavam de cor: de dourado a violeta e depois para uma tonalidade brilhante de verde, mais deslumbrante que qualquer esmeralda que ela pudesse imaginar. Quando os vaga-lumas desapareceram e uma mosca pousou num corte em seu antebraço, ela tornou-se consciente de duas realidades: as crianças não estavam mais lá fora. Era como se alguma coisa as tivesse silenciosamente removido, deixando pilhas de trapos ardentes em seu lugar. Sua segunda constatação foi a de que seus braços, seu rosto, e tudo o mais que não tivesse sido protegido detrás dos papéis na janela pareciam muito queimados pelo sol.
Em sua mão,  Arai ainda tinha a folha de papel-arroz, mas esta havia se transformado dramaticamente. Os caracteres japoneses, em preto, tinham absorvido a luz, queimando instantaneamente e deseaparecido, enquanto o papel branco ao seu redor refletira a luz de volta para onde tinha vindo e sobrevivera mais ou menos intacto. Quando o raio de calor queimou as pinceladas, apenas uma fração do poder da bomba tinha sido usada e começava a desaparecer. Uma fina folha de papel tinha protegido os olhos da professora, salvando-a da cegueira, mas mesmo uma fração já definhante da fúria não consumida da bomba era significante. Sua luz ardeu através das letras que faltavam como um jato de tinta passadndo por um estêncil. A luz atingiu o rosto de Arai com a força equivalente a um banho de sol de quatro ou cinco dias de verão, marcando permanentemente na pele a caligrafia de uma criança morta. Tudo isso aconteceu antes que Arai pudesse começar a se agachar ─ em quatro décimos de segundo.

Charles Pellegrino in O Ultimo Trem de Hiroshima

Casamento por G. G. Marquez

Coisa bem diferente teria sido a vida para ambos se tivessem sabido a tempo que era mais fácil contornar as grandes catástrofes matrimoniais do que as misérias minúsculas de cada dia. Mas se alguma coisa haviam aprendido juntos era que a sabedoria nos chega quando já não serve para nada”.

. Gabriel Garcia Marquez in Amor nos tempos de Cólera .