DL 2011: Hamlet, Rei Lear e Macbeth

TEMA: Peças Teatrais
MÊS: Junho


Livro:
Hamlet, Rei Lear e Macbeth
Autor(a): William Shakespeare
Editora:
Abril Coleções
Páginas: 608

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)


Definitivamente, eu não gosto de ler peças teatrais. Esse mês, com toda certeza está sendo um desafio pra mim. Adoro teatro e assistir peças, mas ler esse gênero literário realmente não é minha praia. Porém, apesar de ter sofrido um pouco pra conseguir concluir a leitura, gostei do desafio, pois assim pude ler mais desse gênero literário que jamais faria sem esse empurrão. E não se pode dizer que é um leitor de verdade, sem ter lido de tudo um pouco e principalmente sem ter lido Shakespeare.

Eu já tinha lido uma peça de Shakespeare, A Megera Domada, que procurei após assistir a peça em São Paulo e acredito que por isso li com maior facilidade que estas três peças que compõem o volume que tenho da coleção Abril. Tive uma certa dificuldade em visualizar algumas cenas, e em outras achei alguns atos drásticos e secos demais. Afora isso, é possível notar em toda a obra a beleza dos textos de Shakespeare e sua contemporaneidade, apesar de terem sido escritos na passagem do século XVI para o XVII.

Não há como não trazer para nossa realidade os problemas e tragédias vividos por seus personagens, além de que todo seu texto tem uma conotação de responsabilidade do ser humano pelos seus atos e que ele arca com as conseqüências deles.  Os três livros que li para este desafio: Hamlet, Rei Lear e Macbeth, estão entre as grandes tragédias que Shakespeare escreveu durante sua vida. Em todas as três, o tema é o mesmo: o mal que existe dentro dos homens e o que esse mal faz deles.

Um outro ponto que vale ser ressaltado a cerca das três obras, e de todas as demais obras de Shakespeare é que infelizmente na transposição para o português é impossível não haver uma grande perda em relação ao que Shakespeare poderia querer dizer precisamente em suas palavras. Cada língua tem suas peculiaridades, e não há como não haver um empobrecimento do texto resultante da tradução e interpretação do mesmo.

HAMLET

Hamlet, uma das mais famosas peças teatrais de Shakespeare, tem suas origens nas sagas nórdicas e poderia ser a história de uma vingança, já que o tema está presente do começo ao fim do texto. Mas Shakespeare consegue embutir no texto a condição humana, que é o que realmente lhe interessa. Hamlet, um jovem encantador, procura vingar a morte de seu pai, que lhe aparece em espectro acusando o próprio irmão de sua morte. Desde então, a trama se desenvolve em cenas e passagens interessantes, como a cena dos coveiros e a que Hamlet se passa por louco. Com toda certeza a peça não se resume apenas ao “Ser, ou não ser”, como antes da leitura eu acredita ser. Todos os personagens se encontram num sangrento e trágico drama político e familiar.

REI LEAR

Rei Lear também é uma tragédia familiar, cheia de intrigas. O Rei sente-se velho e cansado e decide dividir seu reino entre suas três filhas: Regan, Goneril e Cordélia. Pede a cada uma delas que declare o seu amor pelo pai. As duas primeiras filhas respondem com adulação que amam o pai acima de tudo e qualquer coisa. Cordélia, no entanto, apoiando-se em sua sinceridade, questiona o porque das irmãs estarem se casando se amam apenas o pai e ninguém mais. Com essa declaração o Rei se irrita e renega a filha, tirando toda  a sua herança.  O conde de Kent, defende a moça contra a atitude intempestiva do Rei e é expulso também do palácio. Cordélia se casa e parte para a França, onde se torna Rainha apesar de não ter nada. As irmãs também se casam, e quando o Rei decide ir ficar com elas, ambas se negam a acolher o pai e seus cavaleiros. Neste ínterim, entra a história do personagem Gloucester e seus filhos, Edgar e o bastardo Edmund. Edmund trama contra seu irmão, para ficar sendo o único herdeiro do pai. Shakespeare nos mostra magistralmente nesta história, como os enganos dos dois velhos em relação a seus filhos, traz a desgraça a ambos.

MACBETH

Em Macbeth, a situação é a ambição pelo poder. O texto todo parece um pesadelo que é lançado por três bruxas que fazem predições, dizendo a Macbeth que ele será rei e que seu amigo Banquo será pai de três reis. O protagonista que havia acabado de retornar de uma batalha como vencedor e herói, começa a bolar um plano ambicioso de matar o rei da Escócia, apoiado por sua esposa Lady Macbeth, que o atiça o tempo todo a manter-se no caminho de alcançar o poder supremo. No entanto, como é esperado, isso será sua destruição. No Trono, enlouquecido, nota que não tem herdeiros e mata Banquo, iniciando uma perseguição a seus filhos. A obra é um mundo banhado de sangue, um grande pesadelo trágico, com assassinatos e planos de assassinatos sem fim. Uma das cenas mais fortes, em minha opinião, é quando Macbeth vê, no auge de seu remorso pela morte do amigo, o fantasma dele durante um banquete. É o ser humano mostrando a que ponto chega para conseguir aquilo que quer.

Enfim, só não pude avaliar com cinco estrelas a obra, por realmente não gostar do gênero literário, mas é impossível não admitir a genialidade de Shakespeare. Leitura recomendada.

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2 comentários sobre “DL 2011: Hamlet, Rei Lear e Macbeth

  1. vivi disse:

    Eu não sabia, Ly! Mas você se saiu muito bem. Amei a sua definição de leitor. Concordo consigo. Eu estou gostando bastante das peças que escolhi. Beijocas

  2. L.C. Junior disse:

    Dos 3 o meu preferido é Rei Lear, que me deixou por muitos dias com a pulga atrás da orelha, eu amei os dialogos entre o bobo e o Rei, os personagens são humanos ao limite, de um jeito que parece até dificil acreditar….

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