Dor n’alma

‘Mestre, que dor n’alma estão sentindo,
que seu lamento assim se faz tão forte?’.
E ele: ‘Respondo ao que estás inquirindo:

Estes não têm a esperança da morte
e cega vida vivem na desgraça,
tanto que invejam qualquer outra sorte.”

. Dante Alighieri in Divina Comédia: Inferno .

Lovely ♥

Roubei daqui: » time for me to let it go . on @weheartit http://whrt.it/qg99PZ 😉

Encontrei por acaso…

A relação dos homens com os livros, em particular a dos bibliófilos, aqueles que por eles se apaixonam, passa por três estágios. Primeiro, os homens pensam que conseguirão ler um número de livros maior do que de fato é possível. Num segundo estágio, consequência imediata do primeiro, passam a desejar ter em mãos o maior número possível de obras dos autores de quem gostam. Num terceiro momento, já siderados, surgem o interesse pelas primeiras edições, geralmente raras, e a atração pelo livro como objeto de arte. Esta última fase é definida pelo mais célebre bibliófilo brasileiro, o empresário paulista José Mindlin, como perdição. “Quando se chega a esse estágio, aquele que pensava em ser na vida apenas um leitor metódico está irremediavelmente perdido”, confessa Mindlin. A patologia – doce patologia – está instalada em definitivo.

Paixão e perdição
Texto de José Castello, para ISTO É, 12/11/97

Eu ainda estou no segundo estágio e espero não chegar ao terceiro tão cedo!!! O.o

Necessário

A vida é igual em toda a parte e o que é necessário é a gente ser a gente”.

. Clarice Lispector .

DL 2011: Dom Casmurro

TEMA: Literatura Brasileira
MÊS: Agosto


Livro:
Dom Casmurro
Autor(a): Machado de Assis
Editora: Klick (Estadão – Coleção Ler é Aprender)
Páginas: 274

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Definitivamente sou fã de Machado de Assis e não sei dizer o porque de ter passado tanto tempo sem ler esse clássico da literatura brasileira. Acho que toda vez que pensava em ler alguma coisa de Machado eu corria reler Memórias Póstumas de Brás Cubas que é um dos meus livros favoritos. No entanto Machado se mostrou tão surpreendentemente irreverente neste livro como em Memórias, muito embora não tão irônico quanto. De qualquer forma, sua narrativa é extremamente envolvente e não há como não gostar.

Adoro a maneira como Machado conversa com o leitor e vai relatando os fatos com pausas e reflexões que deixam todo o romance mais leve e cativante. A história é sobre Bentinho (futuramente Dom Casmurro), filho de um falecido fazendeiro e deputado e Capitu, filha de um modesto funcionário público. Os dois crescem juntos e quando Bentinho atinge uma certa idade se vê tendo que cumprir uma promessa feita por sua mãe, Dona Glória, de torná-lo padre.

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Decepção

Dizem que decepção não mata, ensina a viver…eu discordo, ela mata aquilo que nos torna especiais, nos difere dos animais: a fé, as esperanças, a vontade de ser alguém melhor e que faz a diferença, os sonhos, o brilho nos olhos… se isso não é pior que a morte..alguém me diga…o que é?”.

. Nicholas Basano .

Sugestões para atravessar Agosto!

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro- e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco.É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente”.

. Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifânias .

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Hard Question

“Why” is a hard question to answer in any language”.

. Elizabeth Gilbert in Eat, Pray, Love .

DL 2011: O Quinze

TEMA: Literatura Brasileira
MÊS: Agosto


Livro:
O Quinze
Autor(a): Rachel de Queiroz
Editora: José Olympio
Páginas: 112

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

 

O Quinze é um romance seco e doloroso que trata da grande seca que assolou o sertão em 1915 e da qual Rachel de Queiroz ouviu muito falar em sua infância. A autora conseguiu transmitir em suas palavras toda a misério do povo retirante e criou quadros desoladores descrevendo cenas terríveis da fome e da seca. Este livro dói.

A história se divide em dois planos: um que enfoca o relacionamento afetivo de Vicente e Conceição e o outro com um peso bem maior que enfoca o vaqueiro Chico Bento e sua família. Conceição é uma moça culta, professora na cidade e que passa suas férias na fazenda da Família em Quixadá. A avó, Mãe Nácia, arreigada as velhas tradições se preocupava com a neta que já tinha 22 anos e não pensava em casar, apesar de ficar de gracejos com Vicente, seu primo. Vicente era criador rude de gados, apaixonado por suas terras e reses e quando todos decidiram abandonar o sertão na seca, inclusive Conceição e Mãe Nácia, ficou e resistiu lutando bravamente. Apesar das diferenças, ambos se gostam, muito embora os acontecimentos da vida os tenham mantido separados por toda a história.

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06.08 [11] – 66 anos depois da Bomba de Hiroshima

Li este ano um livro chamado O Último Trem de Hiroshima de Charles Pellegrino. E esse livro, me fez lembrar dessa data, para nunca mais esquecer.

Ano passado, infelizmente eu não postei nada, já esquecida de que esse horror um dia aconteceu. Fiz parte das pessoas que “em número cada vez maior, haviam se tornado complacentes (…) desde o término da constante e amedrontadora rivalidade nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética”. Tive e confesso, com vergonha, “uma espécie de amnésia (que) tinha começado a afetar a civilização, uma amnésia particularmente perigosa, na qual as pessoas começavam a esquecer o que as bombas atômicas realmente fazem”.

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada

. Vinicius de Moraes in Rosa de Hiroshima .

O livro me fez lembrar, e agora eu compartilho com vocês: temos que ser lembrados disso ano a ano, porque…

Não deveríamos deixar a guerra acontecer nunca mais”.

─ Um sobrevivente,
Charlles Pellegrino in O Último Trem de Hiroshima