DL 2011: Felicidade Clandestina

TEMA: Contos
MÊS: Novembro


Livro:
Felicidade Clandestina
Autor(a): Clarice Lispector
Editora: Rocco
Páginas: 159

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

 

Acabei lendo os livros do Desafio Literário fora de ordem e este ficou por último dos que tinha pra ler da Clarice Lispector, sendo de todos, o que mais gostei. É realmente uma felicidade clandestina ler Clarice, mergulhar com ela nas profundezas da alma e desvendar mistérios da essência humana. Todos os contos abordam acontecimentos simples do dia a dia, mas que mostram tanto sobre a personalidade e a vida dos que estão retratados na linguagem única e extremamente estruturada de Clarice. Além disso, Clarice também se revela em alguns contos, como é o caso do que dá título a este livro.

Em “Felicidade Clandestina”, Clarice nos conta um pedaço de sua infância quando já era apaixonada por livros e foi torturada por uma garota da escola, que por inveja de sua beleza, a fazia andar todos os dias até sua casa para buscar um livro que nunca estava lá. Clarice na ânsia de ler o tão desejado livro, saía pulando pelo caminho na felicidade e esperança de ter o livro nas mãos e voltava sempre tristonha pra casa com as desculpas que a garota inventava para não emprestar o livro desta vez. Certo dia porém, a mãe da garota vai até a porta quando Clarice está lá para descobrir porque a menininha loira vai todo dia a sua casa e descobre a perversidade da filha, obrigando-a a emprestar o livro na mesma hora. Esta parte do conto é lindíssima e não tenho palavras para explicar por isso posto o trecho do conto:

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Um Sopro de Vida

Em todo caso o futuro parecia vir a ser muito melhor. Pelo menos o futuro tinha a vantagem de não ser o presente, sempre há um melhor para o ruim. Mas não havia nela miséria humana. É que tinha em si mesma uma certa flor fresca. Pois, por estranho que pareça, ela acreditava. Era apenas fina matéria orgânica. Existia. Só isto. E eu? De mim só se sabe que respiro.
Embora só tivesse nela a pequena flama indispensável: um sopro de vida”.

. Clarice Lispector in A Hora da Estrela .

DL 2011: A Legião Estrangeira

TEMA: Contos
MÊS: Novembro


Livro:
A Legião Estrangeira
Autor(a): Clarice Lispector
Editora: Rocco
Páginas: 111

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

E mais uma vez, cá estou fazendo resenha de Clarice. E mais uma vez com aquela sensação de que nada do que eu possa escrever chegue perto da genialidade de suas obras. Nesta em especial, conheci alguns contos na íntegra dos quais só conhecia um trecho, como é o caso de “Tentação”, que traz uma citação que conheci com uma amiga e que me apaixonei na hora por relacionar com a história de dois personagens que amo de mangá:

Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos. Mas ambos eram comprometidos. Ela com sua infância impossível. {…} Ele, com sua natureza aprisionada. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, até vê-lo dobrar a outra esquina. Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás“.

E também me deparei com alguns contos que já conhecia de outras leituras, como é o caso do triste “Viagem a Petrópolis” onde a precoe escritora, afinal Clarice tinha 14 anos quando o escreveu, narra a história da solidão de uma velhinha que, não tendo onde morar, é empurrada de uma casa para outra. E “Os Desastres de Sofia” em que Clarice aborda a perversidade infantil através do relacionamento de uma aluna com seu professor.

Além destes já citados, também acho pertinente destacar “Uma amizade sincera” e “A Legião Estrangeira” que dá título a obra. Clarice mais uma vez nos presenteia com o íntimo do ser humano, suas sensações e reações diante de objetos, sentimentos e animais. Outro mergulho no mistério das relações.

Leitura super recomendada!

Leia também no Skoob.

Amar com coragem, só isso.

Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem: que ele não ame com coragem. Pode ter os maiores defeitos, atrasar-se para os compromissos, jogar futebol no sábado com os amigos, soltar gargalhada de hiena, pentear-se com franjinha, ter pêlos nas costas e no pescoço, usar palito de dente, trocar os talheres de um momento para outro. Qualquer coisa é admitida, menos que não ame com coragem.
Amar com coragem não é viver com coragem. É bem mais do que estar aí. Amar com coragem não é questão de estilo, de gosto, de opinião. Não se adquire com a família, surge de uma decisão solitária. Amar com coragem é caráter. Vem de uma obstinação que supera a lealdade. Vem de uma incompetência de ser diferente. Amar para valer, para dar torcicolo. Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar, para fugir, para não nadar até o começo do corpo. Não usar atenuantes como “estou confuso”. Não se diminuir com a insegurança, mas se aumentar com a insegurança. Não se retrair perante os pais. Não desmarcar um amor pela amizade. Não esquecer de comentar pelo receio de ser incompreendido. Não esquecer de repetir pela ânsia da claridade. Amar como se não houvesse tempo de amar. Amar esquisito, de lado, ainda amar. Amar atrasado, com a respiração antecipando o beijo. Amar com fúria, com o recalque de não ter sido assim antes. Amar decidido, obcecado, como quem troca de identidade e parte a um longo exílio. Amar como quem volta de um longo exílio. 
(…) Amar com coragem, só isso.

Fabrício Carpinejar

Sonho de Consumo

J’adore ma vie on We Heart It. http://weheartit.com/entry/17779135

12.09 – 63º Aniversário de Caio

“Exigimos o eterno do perecível, loucos”

. Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifanias .

07.11 – 110º Aniversário de Cecília Meireles

Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida”.

. Cecília Meireles in Antologia Poética .

DL 2011: Cadeiras Proibidas

TEMA: Contos
MÊS: Novembro


Livro:
Cadeiras Proibidas
Autor(a): Ignácio de Loyola Brandão
Editora: Global
Páginas: 140

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

 

Cadeiras Proibidas é o segundo livro que leio de Ignácio de Loyola Brandão e é uma das boas descobertas que o Desafio Literário me proporcinou. A narrativa deste autor é vigorosa, humorada e irônica. Tenho a impressão de que Loyola vai escrevendo o que lhe vêm à cabeça e nos presenteia com os contos profundos que compõem essa obra que, na minha opnião, assim como “Não Verás País Nenhum”, deveria ser lida por todos.

Mais uma vez, a obra de Loyola me lembrou muito 1984. George Orwell certa vez explicou-se dizendo “escrevo porque existe uma mentira que pretendo expor, um fato para o qual pretendo chamar a atenção, e minha preocupação inicial é atingir um público”. E acredito que, assim se dá também com Loyola. Sinto em sua narrativa a vontade da denúncia, da exposição, da intenção de chamar a atenção para este ou aquele fato que passa desapercebido para a sociedade.

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Saudade de Mim

Estou com saudade de mim.  Ando pouco recolhida, atendendo demais ao telefone, escrevo depressa, vivo depressa. Onde está eu? Preciso fazer um retiro espiritual e encontrar-me enfim – enfim, mas que medo – de mim mesma”.

. Clarice Lispector .