Como eu sou

Nunca antes uma coisa, nem ninguém me doeu tanto como eu mesmo me dôo agora, mas ao menos nesse agora eu quero ser como eu sou e como nunca fui e nunca seria se continuasse”.

. Caio Fernando Abreu in O Inventário do Ir-remediável .

Resenha: Um Dia


Livro:
Um Dia
Autor(a): David Nicholls
Editora:
Íntrinseca
Páginas: 416

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

 

A primeira palavra que me vem a cabeça ao pensar nesse livro é real. Acho que dificilmente se encontra um romance onde os personagens e os momentos sejam tão reais e verdadeiros como neste livro. Nicholls acertou no tom da narrativa, na criação dos personagens, no toque perfeito de contar a história em flashs de ano a ano, todos no mesmo dia, 15 de julho, que foi quando os protagonistas se conheceram. Simplesmente brilhante.

Dexter e Emma passam juntos a noite depois da formatura em 15 de julho de 1988 e ambos sabem que no dia seguinte irão trilhar caminhos totalmente diferentes. Porém, mesmo depois de apenas um dia, descobrem que não conseguem parar de pensar um no outro. Ainda assim, seguem seus caminhos, isoladamente, conversando através de cartas, postais e telefonemas que nos presenteiam com diálogos inteligentes e cativantes.

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Fome

De repente senti muita fome. Não de comida, mas de todas as palavras escondidas naquelas estantes. Mas eu sabia que, por mais que eu lesse por toda a minha vida, nunca conseguiria ler um milésimo de todas as frases que já foram escritas. Sim, pois há tantas frases no mundo como há estrelas no céu. E elas se multiplicam e se expandem continuamente, como o espaço infinito.

Mas ao mesmo tempo eu sabia que a cada vez que eu abrisse um livro, eu veria um pedacinho desse céu. Sempre que lesse uma frase, saberia um pouco mais do que antes. E tudo o que leio faz o mundo ficar maior, ficando maior eu também. Por um momento, eu contemplei o fantástico, o mágico mundo dos livros.
Jostein Gaarder e Klaus Hagerup in A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken

Eu continuo.

É fácil morrer. A toda hora, em todos os lugares, a morte está se oferecendo. Mais difícil é continuar vivendo. Eu continuo. Não sei se gosto, mas tenho uma curiosidade imensa pelo que vai me acontecer, pelas pessoas que vou conhecer, por tudo que vou dizer e fazer e ainda não sei o que será“.

. Caio Fernando Abreu in Limite Branco .

14.03 [12] – Dia Nacional da Poesia

Um poema como um gole dágua bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na floresta noturna.

Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição de poema.

Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza”.

. Mário Quintana in 80 anos de poesia .

12.03 [12] – Dia do Bibliotecário

Passeio pelas estantes da biblioteca. Os livros me dão as costas. Não para me rejeitar, como as pessoas: são convidativos, querendo apresentar-se a mim. Metros e mais metros de livros que nunca poderei ler. E sei: o que aqui se oferece é a vida, são complementos à minha própria vida que esperam ser postos em uso. Mas os dias passam rápido e deixam para trás as possibilidades. Um único desses livros talvez bastasse para mudar completamente a minha vida. Quem sou eu agora? Quem eu seria então?”

. J. Gaarder e K. Hagerup in A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken .

Resenha: A Garota dos Pés de Vidro

Livro: A Garota dos Pés de Vidro
Autor(a): Ali Shaw
Editora:
Leya
Páginas: 287
Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5- Adorei)

A Garota dos Pés de Vidro sem dúvida é o tipo de livro que me faz suspirar. Adoro narrativas poéticas, meio fantasiosas e que emocionam até o último fio de cabelo. Foi exatamente assim que me senti lendo esse livro, além dele ter sido o livro que me despertou de novo para o prazer da leitura e as maravilhas de mergulhar num bom livro. Confesso que esse ano, até então, estava lendo sem muitas emoções. Mas Ali Shaw e sua narrativa lindíssima e cheia de descrições poéticas mudou isso totalmente. E são tantas coisas a comentar sobre esse livro que não sei nem por onde começo.

Vou começar falando do livro em si. A capa é linda e chamou muito minha atenção, assim como o título que também é lindo. As páginas são de um tom meio envelhecido com as bordas em cinza quase prateado que também deixa tudo muito encantador e charmoso. Tudo isso é importante, pelo menos pra mim, na hora de comprar ou escolher um livro pra ler. Nem sempre a beleza exterior nos leva a bons conteúdos, mas este foi um caso bem sucedido.

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