Não tem conserto.

A ironia disso tudo, a ironia de pensar que havia sido salva por Nick, era como um golpe violento intensificado por um arrependimento profundo. O arrependimento de cada coisa de nossa vida juntos. Nosso primeiro encontro, o dia de nosso casamento, nossa mudança para Boston, nossa casa e tudo dentro dela, até a lata mais empoierada de sopa de lentilha no fundo de nosso armário.
(…)
─ Sinto Muito – ele disse parecendo desolado, sem forças e perdido. ─ Farei qualquer coisa para consertar esse erro.
─ Não há nada que possa fazer. Isso não tem conserto.
─ Tessa, não há mais nada entre mim e ela…
Não há mais nada entre nós, Nick. Não há mais nós… Agora saia daqui.

Emily Giffin in Questões do Coração

Resenha: O Guardião de Memórias


Livro:
O Guardião de Memórias
Autor(a): Kim Edwards
Editora: Sextante
Páginas: 331

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

 

Fazia bastante tempo que não lia um livro que me emocionasse tanto a ponto de me fazer chorar. Acredito que o último que li assim foi “O Ultimo Trem de Hiroshima” para o Desafio Literário no começo de 2011. Portanto há quase um ano eu não me sentia constrangida de chorar dentro do ônibus lendo um livro e foi exatamente isso que aconteceu praticamente a história inteira.

A narrativa de Kim Edwards me cativou desde as primeiras linhas e só demorei muito pra terminar a leitura porque ficava prorrogando o meu sofrimento. É uma história muito triste, mas também muito linda. Tudo começa com uma tempestade violenta de neve que obriga o Dr. David Henry a fazer o parto de seus próprios filhos. O primeiro a nascer, Paul, é perfeitamente saudável, enquanto Phoebe, nasce com síndrome de Down. Assombrado por lembranças doloroas do passado e por um impulso que nem mesmo ele entende, Henry toma a decisão de entregar sua filha a enfermeira, pedindo que a leve para uma instituição e conta a sua esposa, Norah, que a menina não sobreviveu.

Continuar lendo “Resenha: O Guardião de Memórias”

23.04 [12] – Dia Internacional do Livro

O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria”.

. Jorge Luís Borges in Ensaio: O Livro .

Não dói mais

Eu queria te contar que não dói mais. Só que agora não importa tanto o que você vai pensar sobre isso.  Queria que você soubesse que já vi nossos filmes milhares de vezes e nem chorei. Ok, chorei. Mas pelo filme, e não por você. Queria que você soubesse que tirei a poeira das nossas músicas, e que as ouço quase todos os dias. Porque elas me faziam mais falta do que você fez”.

. Caio Fernando Abreu  .

Resenha: Um Trabalho Sujo


Livro:
Um Trabalho Sujo
Autor(a): Christopher Moore
Editora:
Bertrand
Páginas: 448

Nota: 3
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)


E esse é mais um da lista de livros que compro pela capa e pelo título. Achei o trabalho editorial desse livro fantástico, mas infelizmente não posso dizer que gostei tanto assim do conteúdo. Não que eu não tenha achado a história de Charlie Asher, um macho beta que se vê numa situação inusitada, engraçada e bacana o suficiente. Pelo contrário, eu até me apaixonei pelo personagem fofo que Charlie é, apesar de suas trapalhadas e momentos deprês. O fato é que não simpatizei muito com a linguagem do autor.

A história, tenho que admitir, é muito criativa e bastante envolvente, e gira em torno de Charlie, um macho-beta normal, atrapalhado e engraçado que ama sua esposa e sua filhinha que acabou de nascer. O problema é que Rachel, sua esposa, morre minutos depois de dar luz a Sophie e Charlie tem certeza que viu um homem extremamente alto e de terno verde-menta no quarto dela logo após sua morte.

Continuar lendo “Resenha: Um Trabalho Sujo”

Um Pecado

Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente a variação do roubo. Quando você mata um homem, está roubando uma vida. Está roubando da esposa, o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça“.

. Khaled Hosseini in O Caçador de Pipas .

Passagem das Horas II

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
(…)
Seja o que for, era melhor não ter nascido,  

Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,  
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,  
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair  
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,  
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,  
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs“.

. Álvaro de Campos in Passagem das Horas .