Resenha: O Morro dos Ventos Uivantes

Livro: O Morro dos Ventos Uivantes
Autor(a): Emily Brönte
Editora: Record
Páginas: 397

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Há uma linda citação de Zafón em seu igualmente lindo livro A Sombra do Vento que diz que “poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho ao seu coração”. E eis então o que me ocorreu com O Morro dos Ventos Uivantes e sua história de amor controversa. Desde a primeira vez que peguei a primeira edição com tradução de Rachel de Queiroz nas mãos, aos 19 anos, já li o livro quatro vezes. Em todas elas me emociono de derramar lágrimas e não me canso de venerar a brilhante e sensível escrita de Emily Brönte, magnífica escritora que morreu aos 30 anos sem sequer saber que seu livro seria consagrado como um dos romances mais importantes da literatura inglesa e mundial.

Aliás, é muito triste saber que Emily se foi com a rejeição de seu livro pela sociedade inglesa que não apreciara a mistura de romantismo, realismo cru e trama complexa e nem sequer acreditava que tivesse realmente sido escrito por uma mulher. Curioso lembrar que, para poder publicar em 1847, Emily utilizou um pseudônimo masculino. Mais um motivo para minha profunda admiração.

Não consigo precisar do que mais gosto neste romance. Se é o drama que se sente em cada palavra, por mais simples que seja, se a forma quase impossível como tudo se encaixa tão perfeitamente, ou se o fato de fugir daquele tipo de romance comum e meloso onde no fim tudo sempre dá certo. Algo, inexplicável se deu quando li esse livro e o encanto persiste até hoje. Por mais que eu leia, sempre acabo retornando ao Morro dos Ventos Uivantes, suas citações grandiosas e seus personagens tão bem trabalhados.

Heathcliff é, sem sombra de dúvidas, meu personagem favorito não só deste livro, mas de todos que já li até então. Seu caráter e sua história foram tão magistralmente trabalhados que mesmo com suas atitudes mais cruéis e revoltadas, se torna impossível sentir raiva dele. É daqueles tipos de personagens que não se esquece jamais. Cuja força e grandeza os tornam memoráveis. Catherine, ainda que tão grandiosa quanto Heathcliff, nos inspira um ódio quase colossal por culpa de sua forte, mas indecisa personalidade. O clima mórbido da casa localizada num morro eternamente açoitado por ventos uivantes é o ingrediente que faltava para completar as terríveis e apaixonantes cenas desse romance tórrido e obsessivo.

Emily quebra muitos clichês românticos da época com esse livro e deixa embasbacados os ingleses acostumados com o formato esquematizado do romantismo piegas. Acho que também por isso, esse livro tornou-se de imediato, meu favorito hoje e sempre. Não sei se algum dia será possível superar toda essa magnitude do romance de Brönte. E eu poderia ficar aqui citando dezenas de lindíssimas passagens. São tantos os momentos passíveis de serem julgados como emocionantes, mas de todos, a mim fica a frase utilizada em dois diferentes momentos do drama, uma vez por Catherine e outra por Heathcliff:

Como posso viver sem minha vida? Como posso viver sem minha alma?”.

Resta a mim dizer, que O Morro dos Ventos Uivantes é inesquecível, e já li o livro e assisti ao filme tantas vezes que a história me parece real. E quem poderá dizer que não o foi?

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