Ciência Moderna

Que tipo de ciência é essa, capaz de colocar um homem na lua, mas incapaz de colocar um pedaço de pão na mesa de cada ser humano?” 

. Carlos Ruiz Zafón in Marina .

A relação dos homens com os livros

A relação dos homens com os livros, em particular a dos bibliófilos, aqueles que por eles se apaixonam, passa por três estágios. Primeiro, os homens pensam que conseguirão ler um número de livros maior do que de fato é possível. Num segundo estágio, consequência imediata do primeiro, passam a desejar ter em mãos o maior número possível de obras dos autores de quem gostam. Num terceiro momento, já siderados, surgem o interesse pelas primeiras edições, geralmente raras, e a atração pelo livro como objeto de arte. Esta última fase é definida pelo mais célebre bibliófilo brasileiro, o empresário paulista José Mindlin, como perdição. “Quando se chega a esse estágio, aquele que pensava em ser na vida apenas um leitor metódico está irremediavelmente perdido”, confessa Mindlin. A patologia – doce patologia – está instalada em definitivo.

José Mindlin, em entrevista ao Jornal do BAN
Fonte: http://bibliomanias.no.sapo.pt/Mindlin.htm

Não seria eu

Se não fossem as minhas malas cheias de memórias
Ou aquela história que faz mais de um ano
Não fossem os danos
Não seria eu”

. Da canção “Capitão Gancho”, de Clarice Falcão .

País tristíssimo

Aquela prostituta chorando, além de eu mesmo, era também o Brasil: explorado, humilhado, pobre, escroto, vulgar, maltratado, abandonado, sem um tostão, cheio de dívida, solidão, doença e medo. Cerveja e cigarro na porta do boteco vagabundo: Carnaval, futebol. E lágrimas. Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola esse país tristíssimo?”.

Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifanias .

Sete resoluções de Ano Novo para quem gosta de ler

Não basta começar a dieta e ir à academia. Em 2014, precisamos ler mais e melhor

31 de dezembro é dia de fazer promessas para o ano que vem – e de lembrar, com alguma vergonha, das promessas que não conseguimos cumprir. Sedentários correm maratonas imaginárias. Comilões planejam dietas para a primeira segunda-feira do ano. Estressados prometem relaxar mais, embora as praias e estradas lotadas não ajudem. Todos se unem no exercício esperançoso de acreditar, ao menos por alguns dias, que 2014 será melhor.

Os apaixonados por livros não escapam dessa regra. Em 2014 leremos mais e melhor. Desbravaremos clássicos que nunca ousamos abrir e ainda teremos tempo para não perder os principais lançamentos. Ao menos é nisso que acreditamos hoje. Eu, ao menos, acredito. Divido com os leitores da coluna minha lista de promessas para o próximo ano. Para os que quiserem segui-las comigo e também para os que quiserem usá-la contra mim no fim de 2014, quando eu terei inevitavelmente fracassado. Aproveito para convidá-los para compartilhar suas promessas literárias na caixa de comentários. Que ao menos algumas delas sejam cumpridas. E que em 2014 a leitura continue a nos dar prazer.

1. Ler todos os dias, sem falta

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