Resenha: A Elegância do Ouriço

A Elegância do Ouriço - Muriel Barbery

Livro: A Elegância do Ouriço
Autor(a): Muriel Barbery
Editora:
Companhia das Letras
Páginas: 350

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

 

 

[…] afinal, talvez seja isso a vida: muito desespero, mas também alguns momentos de beleza”.

Eu amo citações, e esse livro foi um banquete real em relação a isso. Marquei tantas páginas com post-it coloridos que nem soube quais citações escolher para esta resenha. Este livro ficou parado na estante da minha casa por no mínimo cinco anos. Eu queria muito lê-lo, mas sempre tinha algum outro que acabava entrando na frente. Por fim, depois de ver duas amigas queridas falando muito bem dele, eu decidi começá-lo e já no primeiro capítulo fui pega por uma citação estonteante:

Como sempre, sou salva pela incapacidade dos seres humanos de acreditar naquilo que explode as molduras de seus pequenos hábitos mentais”.

Ela foi proferida pela protagonista da história, Renée Michel que é a concierge (zeladora) de um prédio nobre em Paris. Segundo a própria, ela é “viúva, baixinha, feia, gordinha”, tem calos nos pés e em certas manhãs, um bafo de mamute. Sra. Michel não estudou, sempre foi pobre, discreta e insignificante. Ou isso, é o que ela pensa de si mesma. Essa maravilhosa senhora, na verdade, revela por trás da fachada de concierge ranzinza e sem cultura, uma apaixonada por boa leitura, música clássica e filmes antigos. Esconde esse fato, vamos descobrir muitas páginas depois, para sobreviver a classe da nobreza a qual tem a “grande ilusão universal de que a vida tem um sentido que pode ser facilmente decifrado”. E em seu esconderijo particular, lê Tolstoi, ouve Mozart, come chocolate amargo e toma chá. Eu me apaixonei pela Sra Michel na primeira citação que tocou meu coração. Ela tem um gato gordo, apenas uma amiga chamada Manuela e a curiosidade e paixão pela leitura que a faz especial, mas não aos olhos dos moradores  do prédio onde ela tão servilmente trabalha há 27 anos.

O livro é dividido em duas pessoas que narram os acontecimentos, a Sra. Michel e Paloma, a encantadora criança de 12 anos que não se encaixa em sua família nobre e decidiu que vai se suicidar no dia do seu aniversário, pois se recusa a seguir o destino que lhe está traçado pela sociedade: casar-se com um homem rico e criar uma família tão vazia quanto a própria. Ela vai narrando em vários “pensamentos profundos” como chama, o dia a dia em sua casa, e o que pensa acerca de vários acontecimentos. É então que se nota a afinidade de pensamentos dela com a Sra. Michel e nos faz esperar ansiosos o dia em que as duas vão se descobrir e dividir suas opiniões e críticas a sociedade alienadora. Não posso deixar de mencionar também a chegada de um novo morador, o Sr. Ozu, sorridente e misterioso e que traz um novo brilho ao romance quando se mostra um profundo conhecedor das pessoas e consegue visualizar suas personalidades apesar das aparências.

É um livro delicioso, uma crítica a sociedade e um convite ao pensamento, mas em tom humorado, filosófico e repleto de belíssimas palavras. Como diz a própria quarta capa, o livro nos leva a refletir que nenhuma vida vivida a fundo deveria evitar: o tempo e a eternidade, a justiça e a beleza, a arte e o amor. O tipo de livro que faz pensar, sonhar, refletir. Que emociona, que faz rir, que faz chorar. O tipo de livro que me encanta.

Não poderia deixar de colocá-lo entre os favoritos e de recomendá-lo a todos aqueles que queiram encontrar “um sempre no nunca”. A beleza neste mundo.

9 comentários sobre “Resenha: A Elegância do Ouriço

  1. Lucia disse:

    Lyani, gostei muito do livro. Mas, o final me deixou um pouco confusa; a frase dita pelo vizinho simpático, “você não é sua irmã” me fez curiosa e não achei explicação para essa colocação.
    Alguém poderia me ajudar? obrigada!

  2. Paulo Braz disse:

    Adicionei Rosa Freire Daguiar no Facebook e pesquisando sobre ela vi que a mesma ganhou um premio pela tradução de A elegância do Ouriço. Depois do seu comentário, então me rendi. Vou lê-lo.

  3. Maria Faria disse:

    Esse livro fez muito sucesso quando foi lançado, eu também não li. Que resenha maravilhosa, senti vontade de lê-lo. Pelo que você nos conta o título tem muito a ver com a história. 😉

    • Lyani disse:

      Maria, fico tão feliz sempre que leio “senti vontade de lê-lo”. Enquanto eu conseguir através do meu blog incentivar a leitura de bons livros, me sentirei fazendo aquilo que estou destinada a fazer, minha vocação verdadeira! Obrigada pelo carinho e pela visita! Abraços, Ly.

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