Conhecendo Benjamin Moser

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Emoção define. Ninguém mais me aguenta falar dele, eu sei. Mas como não amar um autor que dedicou 12 anos da sua vida a conhecer profundamente Clarice. Que todas as vezes que vem ao Brasil visita o túmulo dela. Que é o grande divulgador dessa diva da literatura ao mundo. Que se sente em casa estando no Brasil e que lê e ama nossa literatura. Que fala português perfeitamente, assim como outras 5 línguas, é PhD e tão jovem e ainda assim é extremamente simples, acessível, simpático e educado. Conversou, sorriu e tirou até uma selfie com uma senhorinha. Me aguentou sendo extremamente brasileira e invadindo seu espaço pra dar dois abraços de urso que ele chamou de simpatia, mas que eu sei que é loucura. Não tem como não ficar apaixonada e não tentar fazer outras pessoas conhecerem o trabalho tão fantástico dele!

E sou tão abençoada por ter podido conhecê-lo numa festa tão encantada quanto a 14ª FLIP. Aliás, foi saber da participação dele na Festa Literária deste ano que me fez mover mundos e fundos pra poder ir até lá e conhecê-lo. E tive até alguns percalços porque as duas mesas que ele estaria, estavam esgotadas quando tentei comprar os ingressos. Mas o pessoal da organização da FLIP foi extremamente atencioso e me ajudou a consegui-los. Um pouco antes da primeira mesa dele “O Breviário do Brasil”, já estava com os ingressos para os dois dias e pude ouvi-lo pela primeira vez. O que primeiro me impressionou  foi o português impecável,DSC00041 inclusive usando algumas gírias. Cheguei ao ponto de me questionar se era realmente americano (rs). Depois foram as ideias e ideais tão próximos, as frases e o respeito pelo povo brasileiro e por esse país com o qual não tem nenhum vínculo de sangue, mas que, segundo ele, se sente parte de algum modo. É claro que fez algumas críticas, nem sempre bem recebidas à nossa política, à arquitetura e ao fato de sentir que há a tentativa de apagar a história do país. Como bem retratou o escritor, “O Brasil é muito mais triste do que aparenta. A tristeza brasileira é como as pessoas bipolares. Tem muita alegria, mas quando as instituições são fracas vem a depressão”. Mas são todas afirmações com as quais eu concordo, assim como uma forte afirmação do autor que diz que “A decepção faz parte da vida brasileira”. É claro que fui para a fila dos autógrafos, com meus três livros a tiracolo (Todos os Contos, Autoimperialismo e Clarice,) e esperei a longa e demorada fila para estar próxima dele. Demorada, porque Benjamin parou para conversar com todas as pessoas, dando atenção e autógrafos. E achei isso lindo da parte dele.

Em sua segunda mesa, “De Clarice a Ana C.”, que por sinal estava lotada, Benjamin falou finalmente de sua musa, Clarice Lispector e de sua obra maravilhosa que de tão íntima chega a doer. “É uma sinceridade que dói muito. É construído um intimismo [do leitor] com a Clarice. Se temos uma plateia lotada hoje é porque muitos outros sentem essa força, não só nós”. Eu sempre senti, em todos os livros que li da autora, e costumo dizer que quem não “gosta” da obra de Clarice não é por falta de identificação, mas por identificação demais. Ela vaDSC00086i fundo na alma da gente e isso é doloroso e nem todos tem essa coragem, ou estão preparados. Como bem disse Benjamin: “A arte que mexe com a gente é uma questão de vida e morte. E no caso delas matou-as [Clarice e Ana C.] de certa forma, mas sem esse desejo não chegariam aonde chegaram. Tem gente que diz que Clarice é bruxaria, não literatura”. As vezes eu concordo! E a frase maravilhosa de Benjamin pode finalizar essa rasa tentativa de por em palavras o que foi esse encontro: “A obra de Clarice não é uma coisa que pode entrar pela cabeça. Tem de ir pelo coração e até pelas entranhas”. A conversa foi linda e emocionante. De encher a alma. Claro que no final, fui de novo conversar com essa pessoa maravilhosa, com quem, com certeza, ficaria horas e horas a fio num café falando sobre literatura.

Sensacional. Mas emoção é a palavra que define. Para os que tiverem interesse, segue a resenha que fiz da sua tão merecidamente elogiada biografia: Clarice,

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