Entre os cadáveres…

Os livros bombardearam seus ombros, braços, o rosto voltado para cima, um livro pousou, quase obediente, como uma pomba branca, em suas mãos, as asas trêmulas. À luz mortiça, oscilante, uma página pendeu aberta e era como uma pluma de neve, as palavras nela pintadas delicadamente. Em meio à correria e à fúria, Montag teve tempo apenas de ler uma linha, mas esta brilhou em sua mente durante o minuto seguinte, como se marcada a ferro em brasa. ‘O tempo adormece ao sol da tarde‘. Soltou o livro. Imediatamente, outro caiu em seus braços.
– Montag, por aqui!
A mão de Montag se fechou como uma boca, esmagando o livro com selvagem devoção, com descuidada insanidade, junto ao peito. Os homens lá em cima lançavam braçadas de revistas para o ar poeirento. Elas caíam como pássaros abatidos e a mulher permanecia ali embaixo, parada como uma garotinha, entre os cadáveres.

Ray Bradbury in Fahrenheit 451

Resenha: O Fim de Semana


Livro:
 O Fim de Semana
Autor(a): Bernard Schlink
Editora:
 Record
Páginas: 256

Nota: 3
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

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Fiquei um pouco decepcionada, porque conheci Bernhard Schlink através do lindíssimo “O Leitor” e fui fisgada por sua narrativa apaixonante e clara. A partir deste livro, decidi que leria todos os demais e fui me apaixonando em cada uma das seguintes leituras. Talvez porque eu já criara uma expectavia muito alta, eu não tenha gostado tanto assim da história de “O fim de Semana”. Achei que ficou faltando aquela conotação profunda e envolvente que encontrei nas demais. Neste, nada me cativou completamente.

A história gira em torno de um reencontro entre amigos num final de semana após um deles ter estado preso por 23 anos. Além de debater as idéias políticas e sua atualidade, a história aborda as neuroses, paixões e medos de suas personagens. O tema me fez acreditar que haveria maior dramaticidade nos diálogos que se mostraram simples e pouco elaborados e das personagens, apenas Ilse me chamou atenção.

Não que seja um mal livro e que não mereça um olhar mais experiente, apenas não atendeu às minhas expectativas já criadas pelas ótimas leituras anteriores que fiz deste mesmo autor.

A Escritora como Leitora


Roubartilhado daqui:

Na infância, na adolescência, a leitura não era apenas minha distração predileta, mas também a chave que me abria o mundo. Ela me anunciava meu futuro: identificando-me com heroínas de romance, através delas pressentia meu destino. Nos momentos ingratos de minha juventude, salvou-me da solidão. Mais tarde, ajudou-me a ampliar meus conhecimentos, a multiplicar minhas experiências, a compreender melhor minha condição de ser humano e o sentido de meu trabalho de escritora. Hoje, minha vida está realizada, minha obra está realizada, ainda que possa prolongar-se: nenhum livro me proporcionaria uma revelação fulminante. No entanto, continuo lendo muito: pela manhã, à tarde, antes de começar a trabalhar, ou quando estou cansada de escrever; se, por acaso, passo uma noite sozinha, leio; no verão, em Roma, passo horas lendo. Nenhuma ocupação me parece tão natural. No entanto, pergunto-me: se nada mais de decisivo pode ocorrer-me através dos livros, por que continuo tão presa a eles?

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Resenha: O Projeto Hades


Livro:
 O Projeto Hades
Autor(a): Lynn Sholes
Editora:
 Pensamento
Páginas: 343

Nota: 3
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

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Indicação e empréstimo de uma professora da escola, esse livro chegou num ótimo momento em que eu precisava mesmo de um triller de supense que prendesse bastante atenção. A narrativa lembra muito Dan Brown e a história de Anjos e Demônios é um dos meus temas favoritos, ao contrário de Vampiros que não é o meu forte.

Apesar de não ter lido os livros que precedem esta história e que tem os mesmos protagonistas, Cotten Stone, a bela jornalista que na verdade é filha de um anjo caído que se regenerou e John Tyler, o belo cardeal que a ajudará no desenrolar de mais uma trama envolvendo religião, foi possível entender através da explicação dos autores a proximidade e intimidade entre os personagens que com certeza foram bem desenvolvidos nos primeiros dois livros.

Nesta história, Cotten Stone volta a suas origens para ajudar uma amiga de infância cuja filhinha está passando por problemas espirituais. A princípio Cotten imagina ser apenas trauma pela perda recente do pai da garota, mas no fim descobre que é o início de uma grande catástrofe que pode cumilnar na vitória final das forças do mal e do grande Filho do Amanhecer. Inicia-se então uma incansável corrida através de diversos países para encontrar uma antiga relíquia que é o ponto chave para lançar o “Projeto Hades”.

A narrativa é empolgante e os personagens, como já disse, muito bem delineados. Li super rápido, no desespero de saber o que iria acontecer na próxima página e adoro livros neste estilo. Só realmente não gostei de como as coisas terminaram. Deu a impressão de que tinham que resolver tudo na ultima página e acabou ficando um final parecido com os finais de novela.

Afora isso, vale a pena conhecer!

Dizendo sim

Não é preciso decidir segundo leis da sociedade ou críticas alheias, nem, a essa altura, fazer o impossível para ser aceito na tribo, como na adolescência: descobrir o que se quer é essencial. É raro. E, como afirmou um personagem meu, quando alguém resolve não pagar mais o altíssimo tributo da acomodação, mas construir sua história além dos ditames e dos preconceitos, está pela primeira vez para si mesmo dizendo sim.
Dizendo: eu sou esse, não outro; meu jeito é assim, essa é a minha voz, isso eu quero, não o que os outros esperam de mim. E , se não faço mal a ninguém, eu vou por esse caminho.
Aprendemos eventualmente a gostar de nós. Gente demais se subestima, se desvaloriza, aceita qualquer vida, qualquer pessoa, qualquer roteiro.
Conseguimos até ficar sozinhas nessa pequena liberdade: a de que o tempo é um fato natural, é crescimento e mudança permanente. Que ele não só nega e rouba com uma das mãos, mas com a outra mão, oferece.

Lya Luft in O Tempo é um Rio que Corre

As Letras

As letras são o alimento da juventude, a paixão da idade madura e a recreação da velhice; dão-nos brilho na prosperidade, e são uma consolação, um recurso no infortúnio; fazem as delícias do gabinete, e não embaraçam em nenhuma situação da vida; de noite servem-nos de companhia, e vão connosco para o campo e em viagem”.

. Marcus Cícero in (Citador.pt) .

Resenha: Ler, viver e amar em Los Angeles


Livro:
 Ler, viver e amar em Los Angeles
Autor(a): Jennifer Kaufman e Karen Mack
Editora:
 Casa da Palavra
Páginas: 320

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

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Começa com Ler, …
Eu gostei bastante desse livro, embora eu tenha visto várias opniões bastante diversas a respeito dele. Concordo com algumas opniões de que a história e a narrativa não são lá daquelas que nos fazem suspirar ou ficar extremamente entusiasmados com a leitura e que o desenrolar dos fatos é lento e a protagonista não muito cativante.

Mas, como costumo fazer com algumas leituras, eu foco em um aspecto que me chama muita atenção e o restante fica em segundo plano não pesando muito na minha avaliação. E o meu foco, nesse livro, como devem imaginar, é a leitura e os livros.

A maioria dos livros com esse tema central (e principalmente os que tem alguma biblioteca envolvida), tendem a me influenciar de forma a gostar da história imediatamente. Isso, e o fato da protagonista mergulhar nos livros como forma de escapar de sua realidade (coisa que costumo fazer também), me fizeram automaticamente me identificar com a história.

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