07.01 [17] – Dia do Leitor

A leitura não depende da organização do #tempo social, ela é, como o amor, uma maneira de ser. A questão não é saber se tenho tempo para ler ou não (tempo que, aliás, ninguém me dará), mas se me ofereço ou não à felicidade de ser leitor”.

. Daniel Pennac in Como um Romance .

Resenha: As Pequenas Memórias


Livro:
As Pequenas Memórias
Autor(a): José Saramago
Editora:
 Cia das Letras
Páginas: 142

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

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Mais um livro genial de Saramago, embora não esteja entre os meus favoritos. A obra é uma autobiografia dos primeiros quinze anos de vida do autor, desde seu nascimento em 1922 na aldeia da Azinhaga até os estudos na escola industrial de Lisboa, de onde saiu serralheiro mecânico. O intuito do autor ao escrever o livro era “que os leitores soubessem de onde saiu o homem que sou”. Conseguiu. Foi uma leitura muito agradável pelas recordações desse autor tão querido.

A narrativa das recordações é feita da mesma forma como as demais obras do autor, sem pontuações nos diálogos, sua marca registrada. Esse recurso, neste livro, não tornou a leitura cansativa como as vezes em obras mais longas do autor. Para quem é fã de Saramago, a leitura é curiosa e traz aquele gostinho de quero mais em cada página, pois você quer conhecê-lo mais a fundo, saber de suas descobertas, alegrias e medos.

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Império das Perdas

Cruéis convenções nos convocam: estar em forma, ser competente, ser produtivo, mostrar serviço, prover, pagar, e ainda ter tempo para ternura, cuidados, amor. O curso da existência começa a ser para muitos uma ameaça real. A sociedade é uma mãe terrível, a vida um corredor estreito, o tempo um perseguidor implacável: belos e competentes, ou belos ou competentes, atordoados entre deveres e frestas estreitas demais de liberdade ou sonho.
Nós construímos isso.
Só não prevíamos as corredeiras, as gargantas, os redemoinhos, a noite lá no fundo dessas águas. É quando toda a competência, a eficiência, o poder, se encolhem e ficam nus, e sós, na nossa frágil maturidade, sob o império das perdas que começam a se apresentar sem cerimônia.

Lya Luft in O Tempo é um Rio que Corre