Resenha: Apátrida


Livro:
 Apátrida
Autor(a): Ana Paula Bergamasco
Editora: Todas as Falas
Páginas: 338

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

 

~

Resolvi ler Apátrida pelo tema. Não é novidade para aqueles que me conhecem, pois já sabem do meu interesse por livros com essa temática. E também não é novidade que todos esses relatos infindáveis do horror da Segunda Guerra Mundial e as odiosas atitudes humanas daquela época sempre me deixam emocionalmente abalada. Não foi diferente com este livro. Apátrida trouxe-me lágrimas aos olhos em muitas tristes passagens.

Ana Paula Bergamasco tem uma narrativa embriagante e o livro tem início com uma citação simplesmente maravilhosa:

“__Você é jornalista. Portanto conhece parte da história. Diga-me, em qual local do mundo há vencedores numa guerra? O conflito só existe porque houve fracasso, seja o resultado que ele tiver. Sim, minha querida, os seres humanos são os únicos a compreenderem-se por palavras. Desenvolvem retóricas, dialéticas, gramáticas, filosofia e ética. Produzem os mais diversos tipos de linguagem. Estudam à exaustão a diplomacia e veem-se incapazes de chegar a uma solução pacífica. Os medos, os anseios, a ganância, a soberba, a hybris, a riqueza ou a pobreza impedem que compreendam seus iguais. A nossa forma de ‘inteligência’ fez com que nos transformássemos em predadores. Algozes de nós mesmos. Ainda não consigo entender o grau de loucura com que uma pessoa se reveste para, seguindo ordens de superiores, matar seu igual ou atentar contra a vida de alguém, não importa o quanto este outro seja diferente. Autodefesa? Duvido. A maioria das guerras foram decididas por interesses econômicos. Então, quando há o primeiro ferimento e a primeira morte, não importa se de um soldado ou de um civil, as partes envolvidas se tornaram perdedoras. A vida tem um preço inestimável, imensurável. Nada justifica a sua perda. Desse modo, desconheço qualquer vencedor na Segunda Grande Guerra. Todos tiveram baixas. Todos sofreram muito”.

Daí em diante a autora já tinha minha atenção, muito embora eu tenha ficado um pouco decepcionada no início, pois não gosto muito de livros narrados em primeira pessoa. Notei logo que isso não se mostrou um problema. Os fatos narrados por Irena, a protagonista, têm um tom natural que cativa e faz a leitura fluir sem dificuldades.

A história gira em torno das recordações de Irena sobre a Segunda Guerra Mundial e como os acontecimentos daquela época destruíram sonhos, ceifaram e marcaram a vida de milhões de pessoas. A escolha pela narrativa em primeira pessoa ficou então clara pra mim. As agruras e horrores vividos por famílias inteiras expostas desta forma tornou o livro mais humano e envolvente. Houveram muitas cenas que me trouxeram lágrimas aos olhos.

Fiquei realmente impressionada com a história, e com as reviravoltas e destinos que levam Irena de um lugar ao outro sempre encontrando dor e perda por onde passa. Achei os personagens muito reais e cativantes e a única coisa com a qual fiquei um pouco confusa foram as idas e vindas ao passado e ao presente no início do livro. Já do meio para o final, esse recurso se tornou mais claro.

Apátrida, assim como tantos outros livros que relatam esses horrores, tem por objetivo principal lembrar! É um alerta para que jamais esqueçamos do que os seres humanos são capazes e até onde vão por ambição, poder e dinheiro. Uma demonstração de que precisamos nos cuidar para que isso não se repita nunca mais.

Só por este motivo eu recomendaria a leitura, mas o faço também pela qualidade do texto e belíssima história.

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s