Resenha: A Farsa de Inês Pereira


Livro:
 A Farsa de Inês Pereira
Autor(a): Gil Vicente
Editora:
 Global
Páginas: 80

Nota: 3
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

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Desafio Literário!
A Farsa de Inês Pereira, ao contrário de outras obras de Gil Vicente, conta com personagens que correspondem bastante à realidade, sem imagens simbólicas e alegóricas. Os diálogos são naturais e espontâneos, e a obra retrata situações comuns da vida doméstica com um certo exagero, o que a caracteriza como uma comédia.

Não foi, das peças teatrais que li, a que mais me agradou, muito embora tenha achado certas cenas engraçadas e alguns dialogos muito bem elaborados. O que tornou a leitura um pouco desagradável, é que por ter sido escrita em meados de 1500, o português é bastante rebuscado e o texto possui diversas partes em espanhol (sou totalmente avessa a essa lingua).

A história, resumidamente, gira em torno da escolha de Inês Pereira para marido. Inês é uma moça simples e casadoura, mas que possui grande ambição e procura um marido astuto e sedutor. Sua mãe, preocupada com a filha, incita-a a casar-se com Pero Marques, um pretendente arranjado, filho de lavrador. Inês o rejeita por ser ignorante e inculto. Logo, ela conhece Escudeiro, com quem se casa acreditando que enfim encontrara o que desejara.

O casamento, porém, se mostra desastroso desde o início. Logo que se casam, o marido sai para a guerra e dá ordens a um moço que fique a vigiar Inês que sequer pode sair de casa ou conversar com qualquer pessoa. A agonia da vida de Inês não dura muito, pois alguns meses após sua partida, recebe a notícia de que seu esposo fora morto. Mal consegue guardar para si a alegria de ser viúva e não tarda a querer casar novamente.

Chega-lhe a noticia de que Pero Marques continua solteiro e, mais experiente, fingindo tristeza pela morte do marido tirano, Inês aceita casar-se com ele. Inês aproveita-se da ingenuidade de seu novo marido e logo o trai quando é procurada por um ermitão que tinha sido uma antiga paixão. A cena de Inês exigindo que seu marido Pero, a leve ao encontro de seu amante e o mesmo obedecendo-lhe e carregando-a nas costas até o local marcado é a representação perfeita do ditado que conduz a história “mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube”.

O que achei interessante, no início e decorrer da peça é a personalidade de Inês Pereira que critica não o fato de ser mulher, mas as obrigações do trabalho doméstico, a clausura do lar e a falta de liberdade feminina. Por isso é que no início, Inês não aceita Pero Marques como marido, já que ele possui o caracter de homem cumpridor e respeitador dos valores de uma sociedade que Inês já não compreendia.

Gostei de ter lido a peça. Recomendo.

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