Resenha: O Último Leitor


Livro:
 O Último Leitor
Autor(a): Ricardo Piglia
Editora:
 Companhia das Letras
Páginas: 192

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

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Ricardo Piglia reuniu uma série de ensaios sobre o vínculo entre obras e leitores para criar uma espécie de “história imaginária da leitura”. São cenas colhidas ao longo da história literária onde o leitor ficcional é o centro das atenções.

Tudo tem início com o capítulo “O que é um leitor?”, onde Piglia citando Borges, “um dos leitores mais convicentes que conhecemos, a respeito de quem podemos imaginar que perdeu a visão lendo”, introduz sua trajetória em rastrear o modo como a figura do leitor está representada na literatura, ou seja, as representações imginárias da arte de ler na ficção. Já neste primeiro capítulo, cita obras como Hamlet e O Aleph.

Piglia nos traz a partir de então, diversos capítulos interessantes que remotam a este tema: um capítulo sobre Kafka e suas infinitas cartas a Felice Bauer, a garota-datilógrafa, com quem ele trocava impressões sobre o leitor ficcional em cartas que mais pareciam as páginas de um diário; Um ótimo capítulo sobre Che Guevara e seu gosto e vício pela solidão e pela leitura:

“O fato de eu desaparecer para ler, fugindo assim dos problemas cotidianos, tendia a distanciar-me do contato com os companhieros, sem contar que há certos aspectos de meu caráter que não facilitam a aproximação”

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