Resenha: Os Delírio de Consumo de Becky Bloom

Livro: Os Delírio de Consumo de Becky Bloom
Autor(a): Sophie Kinsela
Editora:
 Record
Páginas: 432

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Engraçadíssimo!
“Rebecca sou eu. São minhas irmãs. São todas as minhas amigas que já saíram para comprar um chocolate e voltaram para casa com um par de botas. Rebecca é todas as mulheres (e homens) que já se viram parados diante de uma vitrine e souberam, com certeza absoluta, que precisavam comprar aquele casaco e… ai, meu Deus, calças que combinassem com ele!”. – Sophie Kinsella

Realmente quem é que nunca fez isso? Que mulher pode dizer que foi ao shopping só pra ir ao cinema, ou dar uma passeada e não conseguiu voltar pra casa sem pelo menos uma sacola? Mesmo que seja só um livrinho, ou um cinto, ou um sapatinho…rs Eu sou uma das que não pode negar que faz isso! Embora eu não chegue nem aos pés da Becky no quesito consumismo! Meu Deus, ela é demais…

Os Delírios de Consumo de Becky Bloom é o primeiro livro da série de Becky Bloom e o primeiro da autora Sophie Kinsella. A história é sobre uma jornalista financeira que ensina as pessoas como administrar seu dinheiro, enquanto ela mesma se afunda em dívidas por ser uma consumidora compulsiva. Rebecca “Becky” Bloom não consegue resistir a uma vitrine onde haja uma placa de liquidação. Não importa se ela precisa ou não do item, afinal está barato! E quem é que não precisa na verdade de um lencinho roxo para levar na bolsa quando… enfim, ela inventa inúmeras utilidades para o item inútil que está querendo comprar e COMPRA, mesmo que TODOS os seus cartões de crédito estejam estourados e já faça semanas (ou meses) que ela está fugindo do gerente do seu banco!

E quanto mais cartas de cobrança chegam, quanto mais ligações ela recebe, mais ela precisa comprar porque afinal, comprar é uma terapia e deixa ela bem! Endividada até a alma, Becky passa o livro todo inventando fórmulas mirabolantes para pagar as faturas dos cartões de crédito e fugir do seu gerente que já está pra lá de furioso. Mas não vão pensando que Becky é apenas ligada ao mundo material e só quer saber de compras. Ela vai te conquistar, porque é sensivel, carinhosa, otimista e em meio a toda confusão de créditos e cobranças, ela ainda arranja tempo pra se apaixonar por um bonitão expert em finanças (que coisa!) chamado Luke Brandon.

Não tem como não gostar da leitura desse chick lit de Sophie Kinsella. Ela criou uma personagem apaixonante, engraçada e que traz em si um pouco de cada mulher que somos e conhecemos. Não tem como não se identificar com pelo menos alguma coisa desse livro!

Leitura super agradável e recomendada!

Completamente?

“— É possível um rio secar completamente?
— Claro que é.
— Mas será que ele não enche depois? Nunca mais?
— Alguns sim, outros não.
— Mas nunca mais?
— Sei lá, acho que não.
— Você tem certeza?
— Certeza eu não tenho. Só estou dizendo que acho. Afinal não sou nenhuma especialista em matéria de rios, secos ou não.
— Sabe?
— O quê?
— Eu tinha esperança que o rio voltasse a encher um dia.”

. Caio Fernando Abreu in O Inventário do Ir-remediável .

Sorte

“Descobri que o que a maioria das pessoas chama de sorte é muitas vezes pouco mais do que puro talento combinado com a habilidade de aproveitar as oportunidades ao máximo”.

. Timothy Zahn in Herdeiro do Império .

Resenha: Memórias Inventadas

Livro: Memórias Inventadas: as infâncias de Manoel de Barros.
Autor(a): Manoel de Barros
Editora:
 Planeta do Brasil
Páginas: 160

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Lindo e encantador!
“Tudo que não invento é falso”.

Este livro é todo beleza e poesia: a escolha do papel para impressão, a capa, as iluminuras do interior feitas pela filha do autor, Martha Barros, e que são encantadoras entre as belíssimas palavras de seu pai, enfim, todos os detalhes mostram o amor pelas palavras e o cuidado em publicar com qualidade.

O livro começa com a explicação do autor de que não era uma criança peralta:

“Quando eu era criança eu deveria pular muro do vizinho para catar goiaba, mas não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia solidão”.

E desde que a palavra solidão foi escrita nesta primeira explicação, não largou mais as palavras de Manoel e acompanhou-o em todas as demais páginas deste livro, que em minha opnião é de uma sensibilidade incrível e emocionante. São inúmeras lembranças infantis que muitos de nós compartilhamos (alguns não, principalmente nos dias de hoje) e que nos aproxima do autor. A maneira gostosa com que Manoel de Barros brinca com as palavras, encanta e admira. Foram inúmeras as citações que separei para guardar, mas de todas esta foi a que mais me emocionou:

“Agente só descobre isso depois de grande(…). Que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor”.

Leitura super recomendada!

Para ir além do plágio.

A cópia não é só um problema de pesquisa e produção textual, mas também ético.

Se por um lado a democratização da internet ampliou e diversificou o acesso às fontes de pesquisa, por outro, facilitou uma má conduta comum entre estudantes de Ensino Médio e Superior: o plágio.

O comando é simples e tentador. Um ctrl + c seguido de ctrl + v e aquela tela, antes em branco, enche-se de frases, parágrafos ou, até mesmo, páginas inteiras de trabalhos alheios.

Marcada pela violação dos direitos autorais e comumente associada ao campo das artes como a música e a literatura, a infração também problematiza o ambiente escolar ao mostrar-se presente em trabalhos, lições e outras atividades do cotidiano do aluno.

Ao “roubar” as palavras de outro e, consequentemente, suas ideias, o delito coloca-se não somente como um problema de domínio da produção textual e de pesquisa, mas também de cunho ético”.

Identificá-lo, porém, não é tão fácil.

Continuar lendo “Para ir além do plágio.”

E agora, adeus.

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“Você ainda enfrentará grandes perigos, Luke” – disse. “Mas também encontrará novos aliados, em momentos e lugares onde menos esperar”.
“Novos aliados?” – Luke repetiu. “Quem são eles?”
A visão pareceu ondular e se tornar mais fraca.
“E agora, adeus” – despediu-se Ben, como se não tivesse ouvido a pergunta. “Eu amei você como a um filho, e como a um aluno, e como a um amigo. Até nos encontrarmos novamente, que a Força esteja com você”.
“Ben!”
Mas ele se virou, a imagem se desvaneceu… e, no sonho, Luke soube que estava só. Então estou sozinho, ele disse a si mesmo. Eu sou o último dos Jedi. 
Ele pareceu ouvir a voz de Ben, fraca e indistinta, como se de uma grande distância:
“Não o último dos antigos Jedi, Luke. O primeiro dos novos”…

Timothy Zahn in Herdeiro do Império.

Seja como for…

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… Os romances têm o poder de nos transportar para outra existência e nos fazer ver o mundo por outra perspectiva. Quando se está entretido em um romance, incapaz de desviar os olhos da página, está-se vendo que o personagem vê, tocando o que ele toca, aprendendo o que ele aprende. Podemos pensar que estamos sentados no sofá da sala de estar mas partes importantes de nós – os pensamentos, os sentidos, o espírito – estão em outro lugar, totalmente diferente. ‘Ler um escritor é, para mim, não apenas ter uma ideia do que ele diz, mas partir com ele e viajar em sua companhia’, disse André Gide. Ninguém volta igual de uma viagem como essa”.

Ella Berthoud [e] Susan Elderkin in Farmácia Literária .

 

DIREITO DE MATAR

No começo da Gênese está escrito que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro, o Gênese foi escrito por um homem e não por um cavalo. Nada nos garante que Deus desejasse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado Deus para santificar o poder que usurpou da vaca e do cavalo. O direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa sobre a qual a humanidade inteira manifesta acordo unânime, mesmo durante as guerras mais sangrentas.
Esse direito nos parece natural porque somos nós que estamos no alto da hierarquia. Mas bastaria que um terceiro entrasse no jogo, por exemplo, um visitante de outro planeta a quem Deus tivesse dito: “Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas”, para que toda a evidência do Gênese fosse posta em dúvida. O homem atrelado à carroça de um marciano ─ eventualmente grelhado no espeto por um habitante da via-láctea ─ talvez se lembrasse da costeleta de vitela que tinha o hábito de cortar em seu prato. Pediria então (tarde demais) desculpas à vaca.

Milan Kundera
in A Insustentável Leveza do Ser

Porque é muito fácil esquecer…

A vida passa. Então vem a depressão. Aquela sensação de que você nunca mais vai ficar bem. O medo de que aquelas crises se tornem mais comuns – ou pior, que elas nunca mais acabem. Você fica tão cansada de lutar que começa a dar ouvidos a todas as mentirinhas que seu cérebro conta. Aquelas que dizem que você é um peso para sua família. As que dizem que está tudo na sua cabeça. Que, se você fosse mais forte ou melhor, isso não estaria acontecendo. Que há uma razão para seu corpo estar tentando matá-la, e que você deveria simplesmente parar com todas as injeções, esteroides, medicamentos e terapias.
No mês passado, enquanto Victor me levava até em casa para que eu pudesse descansar, eu disse que às vezes, achava que a vida dele seria mais fácil sem mim. ele fez uma pausa, como se estivesse reletindo, e então respondeu: ‘Poderia ser mais fácil. Mas não seria melhor‘.
Tento me lembrar dessa frase nos dias em que parece que a escuridão nunca vai acabar. Mas sei que vai passar. Sei que amanhã as coisas vão parecer um pouquinho melhores. Sei que na semana seguinte vou pensar nessa frase e dizer: ‘Eu deveria parar de ouvir meu cérebro quando ele está tentando me matar. Por que sequer escrevi isso?’ E é precisamente por esse motivo que estou escrevendo agora. Porque é muito fácil esquecer que já estive aqui e cheguei do outro lado desse túnel. Talvez, se eu tiver essa frase pra ler, me lembre disso da próxima vez e seja mais fácil continuar respirando até os medicamentos fazerem efeito e eu sair do buraco outra vez.

Jenny Lawson
in Alucinadamente Feliz