Empatia, o sentimento que pode mudar a sociedade

Roubartilhei daqui:
“A empatia é a força mais poderosamente perturbadora do mundo, só fica atrás do amor.”

A frase é da professora canadense Anita Nowak, que pesquisa esse sentimento. Sem empatia, sobra intolerância, bullying, violência. Sem gastar um segundo imaginando como o outro se sente, de onde vem, em qual contexto foi criado, ao que foi exposto, sem se lembrar que cada um tem sua história e sem tentar entender como é estar na pele do outro, surgem os crimes de ódio, as discussões acaloradas nas redes sociais, o fim de amizades de uma vida toda.

É preciso ter empatia para aprender que não existe verdade absoluta, que tudo depende do ponto de vista. Segundo uma pesquisa da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, o Brasil não é dos países mais empáticos do mundo. Sim, somos conhecidos pela alegria e pela hospitalidade, mas quando falamos em se colocar no lugar do outro e tentar entender o que ele sente, ainda estamos muito longe do ideal. O estudo analisou respostas de um questionário aplicado em 61 países, com 104 mil pessoas, que tentava medir compaixão e empatia em situações hipotéticas. O Brasil ficou em 51º na lista, atrás de países como o Equador, Arábia Saudita, Peru, Dinamarca e Emirados Árabes, por exemplo. Mas o problema do egocentrismo e da falta de amor ao próximo não é exclusivo dos brasileiros. É uma preocupação mundial.

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Resenha: O Chá de Bebê de Becky Bloom

Livro: O Chá de Bebê de Becky Bloom
Autor(a): Sophie Kinsela
Editora:
 Record
Páginas: 514

Nota: 3
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Será possível existir alguém no mundo como a Becky Bloom? Pior é que deve existir! E olha que eu me acho consumista (principalmente com livros), mas igual a Becky jamais!

Este livro apesar de ser o último da consumista, foi o primeiro que li. Becky descobre que está grávida e fica muito feliz, apesar de estar um pouco chateada porque Luke não quer saber o sexo da criança e como é que ela vai comprar tudo pro bebê sem saber se é menino ou menina? Aí começam as acrobacias mirabolantes de Becky.

Como que se pode imaginar que até pra comprar roupinhas de bebê e itens para o quarto da criança é possível arranjar as maiores confusões? Becky consegue, é claro, e consegue também se desvenciliar de todas elas. Mais divertido ainda é quando ela descobre que tem uma obstetra ultra badalada na cidade que cuida das mamães mais famosas e chiquérrimas e vai fazer de tudo e mais um pouco pra conseguir ser sua paciente.

É de chorar de rir. Um chick-lit gostoso de ler e apesar de não ser o meu favorito da Becky (gosto dos dois primeiros livros, são fantásticos!), vale a pena pra completar a leitura da coleção.

Resenha: Não me Abandone Jamais

Livro: Não Me Abandone Jamais
Autor(a): Kazuo Ishiguro
Editora:
 Companhia das Letras
Páginas: 344

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Quando a vi dançando aquele dia, enxerguei uma outra coisa. Enxerguei um novo mundo chegando muito rápido. Mais científico, mais eficiente, é verdade. Mais cura para as velhas doenças. Muito bem. Mas um mundo duro, um mundo cruel. E vi uma menina novinha, de olhos bem fechados segurando no colo o mundo antigo e bom de antes, o mundo que ela sabia, lá no fundo, que não poderia continuar existindo, e ela segurando esse mundo no colo e pedindo pra ele não deixa-la partir… Aquela cena me partiu o coração. Nunca mais esqueci”. 

Eu vi o filme primeiro. Em 2010. Assim que foi lançado. Lembro de ter ficado olhando pra parede uns bons minutos depois que o filme acabou sem saber o que fazer. Sem saber como é que se vive depois daquilo, de verdade. Uma cena, específica do filme, e juro que não é spoiler, pode ler: estrada vazia, faróis ligados, Tommy desce do carro vai até a frente dos faróis e começa a berrar e berrar até que cai no chão e Kathy desce do carro e o abraça. Foi aí, nesse ponto que eu perdi minha alma. Eu sei que está parecendo dramático, mas é. É mesmo. O assunto é sério, é dramático, é atual e distópico ao mesmo tempo. Ele traz a tona muitos questionamentos e reflexões. E medos. O filme abriu um buraco que eu tinha que preencher com a leitura do livro que ainda não tinha no Brasil. Mas eu PRECISAVA DELE.

Quando finalmente consegui ler, me apaixonei ainda mais pelo tema e pela história. Se eu já tinha gostado do filme, o livro era (que surpresa, né gente? rs) ainda melhor.  A escrita de Kazuo é delicada e começa tão branda, tão tranquila como um diário de memórias de Kathy H.  e você vai se apaixonando por ela, pela forma como ela vai se lembrando dos dias no instituto, da amizade, de Tommy, das relações, dos professores, das sensações. É como uma amiga que você faz ao longo da leitura, que te dá a mão e vai te levando por um passeio tranquilo e você vai se deixando levar. Aparecem algumas palavras como doador, cuidadora e você fica se perguntando o que seria exatamente essas coisas, mas a verdade chega de mansinho e acho que é isso que impacta ainda mais. Você não tá preparado pra verdade quando ela chega. E é um soco no estômago, como diria tão bem Clarice Lispector (sobre outro assunto, mas cabe bem aqui). Continuar lendo

MAY THE 4TH BE WITH YOU!

“O medo é o caminho para o lado negro. O medo leva a raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento”. 

. Mestre Yoda .

O Vício de Ler

O vício de ler tudo o que me caísse nas mãos ocupava o meu tempo livre e quase todo o das aulas. Podia recitar poemas completos do repertório popular que nessa altura eram de uso corrente na Colômbia, e os mais belos do Século de Ouro e do romantismo espanhóis, muitos deles aprendidos nos próprios textos do colégio. Estes conhecimentos extemporâneos na minha idade exasperavam os professores, pois cada vez que me faziam na aula qualquer pergunta difícil, respondia-lhes com uma citação literária ou com alguma ideia livresca que eles não estavam em condições de avaliar. O padre Mejia disse: «É um garoto afectado», para não dizer insuportável. Nunca tive que forçar a memória, pois os poemas e alguns trechos de boa prosa clássica ficavam-me gravados em três ou quatro releituras. Ganhei do padre prefeito a primeira caneta de tinta permanente que tive porque lhe recitei sem erros as cinquenta e sete décimas de «A vertigem», de Gaspar Núnez de Arce.

Lia nas aulas, com o livro aberto em cima dos joelhos e com tal descaramento que a minha impunidade só parecia possível devido à cumplicidade dos professores. A única coisa que não consegui com as minhas astúcias bem rimadas foi que me perdoassem a missa diária às sete da manhã. Além de escrever as minhas tolices, era solista no coro, desenhava caricaturas cómicas, recitava poemas nas sessões solenes e tantas coisas mais fora de horas e de lugar que ninguém entendia a que horas estudava. A razão era a mais simples: não estudava.

No meio de tanto dinamismo supérfluo, ainda não entendo por que razão os professores se interessavam tanto por mim sem barafustar com a minha má ortografia. Ao contrário da minha mãe, que escondia do meu pai algumas das minhas cartas para o manter vivo e outras mas devolvia corrigidas e às vezes com os parabéns por certos progressos gramaticais e o bom uso das palavras. Mas ao fim de dois anos não houve melhorias à vista. Hoje o meu problema continua a ser o mesmo: nunca consegui entender por que se admitem letras mudas ou duas letras diferentes com o mesmo som e tantas outras normas sem razão.

Gabriel Garcia Marquez in Viver para Contá-la

Resenha: Jardim Noturno

Livro: Jardim Noturno
Autor(a): Vinícius de Moraes
Editora:
 Companhia das Letras
Páginas: 160

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Vinícius é sem palavras. Sou apaixonada pelos seus sonetos e muitos dos seus poemas. Sua escrita é toda amor e sonho e suspiros. E como sou uma romântica inveterada, acabo me rendendo a todos os seus encantos, assim como muitas mulheres! Mas tenho que confessar que Jardim Noturno não foi tudo aquilo que esperei. É um ótimo livro, com lindos poemas (afinal é difícil ter algum livro do Vinícius que não seja bom), mas não é tão lindo quanto outros que li.

Destaco neste os poemas: “Eu nasci marcado pela paixão”, “Acontecimento” e “Versos Soltos do Mar” do qual quero compartilhar esse lindo trecho:

“Aqui jaz o mar. Nem ele mesmo
soube jamais o número de ondas
que desfez o seu sonho”.

Dos sonetos, gostei de “Soneto da desesperança” e “Soneto do Amor demais”. Leitura recomendada!