Resenha: Outra Volta do Parafuso

Livro: Outra Volta do Parafuso
Autor(a): Henry James
Editora:
 Abril
Páginas: 208

Nota: 2
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Tudo bem, é considerado um clássico e Jorge Luis Borges, a quem admiro demais, pode até dizer que Henry James era mestre em criar “situações deliberadamente ambíguas e complexas, capazes de indefinidas e quase infinitas leituras”, mas achei-o cansativo e monótono. Raras exceções quando algum momento da trama prendeu minha atenção e pensei que a narrativa estava enfim avançando, mas logo voltava a morosidade normal. Não é uma história de todo péssima e até me fez lembrar ─ e bastante ─ do livro ‘A menina que não sabia ler’, afinal neste também a história gira em torno de duas crianças, sua preceptora, um casarão no meio do nada e um tio tutor que jamais aparece. Aliás, os nomes das crianças são até parecidos: Miles e Flora em ‘Outra Volta do Parafuso’ e Giles e Florence em ‘A Menina que não sabia ler’.  Claramente houve uma inspiração de Henry James na escrita do segundo. Mesmo assim, a leitura foi apenas razoável e o final não correspondeu às expectativas em minha humilde opnião de leitora.

Devemos ter raiva.

“Estou com raiva. Devemos ter raiva. Ao longo da história, muitas mudanças positivas só aconteceram por causa da raiva. Além da raiva, também tenho esperança, porque acredito profundamente na capacidade de os seres humanos evoluírem”.

Chi­ma­man­da Ngo­zi Adi­chie in Sejamos Todos Feministas .

Por meio dos livros…

“Não havia nada que ela apreciasse mais do que sentir o peso de um exemplar bem volumoso nas mãos e sentir que cada tomo de sabedoria daqueles era mais raro, maravilhoso e fascinante que o anterior. Se deliciava com o cheiro da tinta, a aspereza do papel junto dos dedos, o farfalhar das páginas, a forma das letras encantando seus olhos. Mas, acima de tudo, adorava o modo como os livros a faziam sair de sua vidinha mundana e sufocante e ofereciam experiências de uma centena de outras vidas. Por meio dos livros, conseguia ver o mundo”.

. Cynthia Hand, Brodi Ashton e Jodi Meadows in Minha Lady Jane .

Resenha: Querido John

Livro: Querido John
Autor(a): Nicholas Sparks
Editora:
 Novo Conceito
Páginas: 288

Nota: 3
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

É bonitinho, romântico e tem um drama envolvido, mas esperei muito mais desse livro. Do Sparks eu só conhecia mesmo a adaptação para o cinema de “The Notebook” que é uma história maravilhosa e super envolvente. O problema é que fiquei cheia de expectativas que não foram atingidas. Mas não estou dizendo que o livro é horrível ou algo do gênero. É bom sim, é uma leitura agradável e tranquila e tem os seus momentos, só que esperei por mais! Só uma coisa me agradou muito e me fez não perder as esperanças por Sparks ainda: o final! Foi ótimo, nada piegas e fugiu totalmente do “happily ever after”. Porque afinal, a vida não é um conto de fadas, certo?

Correio para Mulheres

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Por Patrícia Rochaàs 14h30]

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Afinidade

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. E o mais independente. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido. Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar
a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento…
Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios. Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar. Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas, quanto das impossibilidades vividas. Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.

Artur da Távola*


*Pseudônimo de Paulo Alberto Artur da Tavola Moretzsonh Monteiro de Barros, foi um advogado, jornalista, radialista, escritor, professor e político brasileiro.

Sobre a 25ª Bienal do Livro de SP

Ah, o que falar desse evento? É maravilhoso demais, podem dizer as más línguas o que quiserem, é um local mágico de encontro de leitores, autores, profissionais da área (me incluo, bibliotecária com orgulho ❤ ), e muitas trocas de experiências, conhecimento, olhares, enfim…  A Bienal do Livro é um momento que proporciona muita interação nesse mundo literário e eu fico sempre muito feliz de ver aquele galpão lotado de gente em busca de cultura, conhecimento, e aprendizado para a vida! Tem atrações para todas as idades, gêneros literários para todos os gostos, e muita, muita promoção desta vez. Vamos quebrar a ideia de que livro na Bienal é mais caro que na internet?  Vou mostrar minhas aquisições:

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Resenha: Amor Além da Vida

Livro: Amor Além da Vida
Autor(a): Richard Matheson
Editora:
 Butterfly
Páginas: 288

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Assisti ao filme há alguns anos atrás. Me lembrava de ser uma linda história, mas não me recordava dos detalhes maravilhosos que o livro me trouxe. Não sei dizer se são diferentes, pois terei que assitir ao filme novamente, mas essa linda história carrega valiosas lições de amor, paciência, dignidade e nos faz refletir sobre toda nossa existência: nossos atos, nossas palavras, nossos gestos de amor e/ou ódio e suas consequências. Sem contar que é lindo ler sobre esse amor maravilhoso que Chris sente por Ann e vice e versa. O amor de Ann tão forte por Chris que não pode suportar a separação e acaba destruindo o destino de ambos. Destino esse salvo por Chris que é capaz de suportar coisas além de nossa imaginação para encontrá-la. Uma leitura realmente maravilhosa e muito mais do que recomendada. Até mesmo para aqueles que não acreditam em vida pós morte.

“Todos nós precisamos examinar nossa vida.
Com muita atenção”.

Amigos que não sabem SER

Nas noites em que você se sentir sozinha, Victoria, feche os olhos. Troque seus olhos. Mude eles todas as noites se for preciso e acorde enxergando o mundo de outra forma. As pessoas e as luzes na rua ainda acesas quando você vai pra aula de manhã. Afaste as memórias dos amigos que te afastaram. A Primavera todo ano tenta ensinar pessoas teimosas que não querem aprender: a vida é feita de ciclos. Folhas caem. E folhas que caem, adubam. Passados ruins são folhas secas que representam a secura do coração de alguns. Aduba a sua vida e faz florescer o que diabos o seu sorriso desejar. Rega com vontade de vencer e espera que o tempo faz crescer dias melhores.

Sabe, menina, um dia eu já estive no topo do mundo ao som de Imagine Dragons, hoje me encaixo ao pé da minha cama ao som das risadas que certa vez eu dei. Victoria, qual a música que toca no seu fone? Quando eu coloquei o mundo no aleatório me acostumei com o acaso. A próxima música é o próximo dia, eu não espero mais nada de ninguém. Amigos vão e vem. Pessoas são difíceis, tem dias bons e dias ruins. Mas Victória, não me diga que um punhados de companhias erradas te fizeram deitar no colo da solidão. A própria solidão agora te estende a mão. Coloca a playlist no aleatório. Dança conforme o som aparecer e não espere que toquem a sua música favorita quando você achar que vai tocar. O acaso vai te mostrar bandas desconhecidas para você seguir a vida sem precisar lamentar nem um outro dia de amigos que não sabem ser amigos.

Texto: @akapoeta
Arte: @elesq 

Respirar Relâmpagos

Tendo reconhecido que sobre grande parte de O morro dos ventos uivantes paria “o horror das trevas”, que em sua atmosfera tempestuosa e elétrica por vezes temos a impressão de respirar relâmpagos, permitam-me indicar aqueles pontos em que a luz de um dia nublado e o sol eclipsado ainda atestam sua existência. Para um espécime de verdadeira benevolência e prosaica fidelidade, vejam a personagem de Nelly Dean; para um exemplo de constância e ternura, observem a de Edgar Linton. (Alguns pensarão que essas qualidades não reluzem tanto encarnadas num homem como o fariam numa mulher, mas Ellis Bell¹ nunca pôde ser levada a compreender essa noção: nada a perturbava mais que qualquer insinuação de que a fidelidade e a clemência, a paciência e amorosa bondade, consideradas virtudes nas filhas de Eva, tornam-se fraquezas nos filhos de Adão. Ela sustentava que misericórdia e perdão são atributos mais divinos do Grande Ser que fez tanto o homem como a mulher, e que o que reveste a divindade de glória não pode desonrar nenhuma forma de débil humanidade). Há um humor seco e amargo na delineação do velho Joseph, e alguns lampejos de graça e bom humor animam a Catherine mais jovem. E tampouco a primeira heroína com esse nome é desprovida de certa estranha beleza em sua paixão pervertida e em sua perversidade apaixonada.

Heathcliff, de fato, permanece não redimido; nunca se desvia de seu curso certeiro rumo à perdição, desde o momento em que “a coisinha morena de cabelo preto, tão escura que mais parece ter vindo do Diabo”, foi desenrolada da trouxa e posta de pé na cozinha da casa até a hora em que Nelly Dean encontrou o cadáver, firme e sinistro, deitado de costas nas cama com painéis, com olhos arregalados que pareciam “zombar de sua tentativa de fechá-los, e lábios entreabertos com dentes brancos e afiados que zombavam também”. Heathcliff revela um único sentimento humano, e não é seu amor que poderia ferver e fulgurar na perversa essência de um gênio mau, um fogo que poderia formar o cerne atormentado, a alma em perpétuo sofrimento de um senhor do mundo infernal; e que, por sua insaciável e incessante devastação, promove a execução da sentença que o condena a carregar o Inferno consigo para onde quer que vá. Não. O único elo que vincula Heathcliff à humanidade é o afeto que rudemente confessa sentir por Hareton Earnshaw – o jovem a quem arruinou; e sua semi-insinuada estima por Nelly Dean. Se omitirmos esses traços isolados, diríamos que ele não era filho nem de um lascar nem de um cigano, mas uma forma de homem animada por uma vida demoníaca.

Se é certo ou aconselhável criar seres como Heathcliff, não sei: não creio que seja. Mas disso eu sei: o escritor dotado da dádiva criativa possui algo que nem sempre domina – algo que por vezes, estranhamente, deseja e age por si mesmo.

Currer Bell
in Prefácio do Organizador à Nova Edição de O Morro dos Ventos Uivantes


¹ Nome que Emily Brönte utilizou para publicar pela primeira vez, em 1847, O Morro dos Ventos Uivantes.