Resenha: O Inimigo de Deus

Livro: O Inimigo de Deus
Autor(a): Bernard Cornwell
Editora:
 Record
Páginas: 518

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Fascinante!
Acho que me acostumei à densidade e ao ar árido da narrativa de Cornwell, por que achei esse livro fantástico. Desde o começo até a última linha fiquei emocionada e estarrecida diante dos acontecimentos. Claro, são acontecimentos novos para o meu conhecimento da história de Rei Artur e seus cavaleiros, mas foram excepcionalmente narrados nesse volume (devem ter sido igualmente narrados no volume 1, o Rei do Inverno, mas naquele eu ainda não havia me acostumado e estava chocada com as novas versões de personagens e história)

A leitura da saga está me fazendo conhecer personagens até então desconhecidos para mim e me mostrando novas versões dos conhecidos: é uma nova versão de Guinevere, Lancelot, Morgana e até Nimue que fui entender só no final deste livro e lendo a nota do autor que em outros romances ela é chamada de Vivien. Tudo se encaixou, e mesmo assim é uma nova história cheia de muita emoção, realidade, vivacidade e claro: tragédias.

Neste volume há ainda o encanto da lindíssima e tristíssima história de Tristan e Isolda que em minha ignorância eu não sabia ter ocorrido na época de Rei Artur. A história, nesta versão foi lindamente narrada. Como disse Derfel, o narrador (pelo qual acabei simpatizando muito):

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LOUCURAS de Compras

 

Essa #compulsãobenéfica que também ficou conhecida como #loucuramansa por José Mindlin!!

Aprender a Ver

Aprender a ver – habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este é o primeiroensino preliminar para o espírito: não reagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam. Aprender a ver, tal como eu o entendo, é já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, o poder não «querer», o poder diferir a decisão. Toda a não-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo — tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que é já doença, decadência, sintoma de esgotamento, — quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de «vício» é apenas essa incapacidade fisiológica de não reagir. — Uma aplicação prática do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-á a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, ao novode qualquer espécie deixar-se-o-á aproximar-se com uma tranquilidade hostil, — afasta-se dele a mão. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outras coisas, em suma, a famosa «objectividade» moderna é mau gosto, é algo não-aristocrático par excellence.

Friedrich Nietzsche in Crepúsculo dos Ídolos.

Resenha: O Rei do Inverno

Livro: O Rei do Inverno
Autor(a): Bernard Cornwell
Editora:
 Record
Páginas:  546

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Acho que assim como Igraine, Rainha de Powys, casada com Brochvael e patrona de Derfel, o narrador dessa história, eu ansiava pelo romance e beleza que sempre imaginei na história de Rei Artur. Assim como ela, também, imaginava feitos grandes para personagens como Morgana e Lancelot e ficava esperando flores onde as paisagens só podiam ser áridas, como a realidade: nua e crua.

A história começa com Derfel, um dos mais próximos guerreiros de Artur, reescrevendo a lendária história do próprio Artur a pedido da Rainha Igraine. Gostei muito desse recurso utilizado pelo autor, pois faz com que pareça ainda mais real a nossos olhos. Além disso, a narrativa é bastante objetiva e prende a atenção. O Rei do Inverno é o primeiro livro da coleção “As Crônicas de Artur” e é grande a diferença dessa história com outras tantas já contadas sobre ele. Cornwell, pelo que pude notar na leitura e pelo que escreveu em sua “nota do autor” foi o mais fiel possível aos fatos históricos da época e embasou sua pesquisa em recentes descobertas arqueológicas deste imortal personagem, o que deixa tudo ainda mais interessante.

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O Ser Gritante

By Oswaldo Guayasamin

“Mas se eu gritasse uma só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam os que saem para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser gritante”.

Clarice Lispector in A Paixão Segundo G. H. .

Canal?!?!?

Sim. Ou talvez, pelo menos… 😛

Faz bastante tempo que tenho uma certa vontade efêmera de fazer vídeos falando sobre a minha paixão: LIVROS! Mas sempre fiquei com vergonha, não tenho talento pra edição de vídeos, não fazia nem ideia de como começar. Mas, estava um dia de bobeira em casa e resolvi tentar! Filmei no celular mesmo!! Cheio de erros, amadorismo, convidados especiais (minha calopsita e minha cachorra rsrsrs), mas feito com amor, isso foi!! ❤

Assistindo alguns tutoriais encontrei um editor e fiz as edições no próprio celular, então os cortes e efeitos não ficaram tão legais. Tentando subir o vídeo no youtube descobri que não estava no formato correto e assisti mais alguns tutoriais até achar um conversor legal. No fim, achei que a qualidade não ficou tão boa quanto eu gostaria, mas como é um teste, uma tentativa, uma experiência, resolvi colocar no ar, pra ver no que daria!!

Está aí pra vocês assistirem e curtir, criticar, sugerir melhorias, mudanças, sugerir que eu pare (kkk), enfim… DIVIRTAM-SE e me ajudem com feedback , por favor!! ❤

Ah, e eu não poderia deixar de pedir um PERDÃO imenso a linda Beatriz PALUDETTO!!! Eu errei seu sobrenome no vídeo, me perdoa!!! Sou sua fã!!! Prometo que já decorei o jeito certinho agora ❤

=D

BAD VIBE

Amanhã completaríamos 5 anos de matrimônio. No plano oficial, iríamos voltar a Bariloche, mas amanhã oficializaremos o divórcio! Uma dor que dói no peito, que queima a alma, que fere a mente e faz sangrar o coração. Queria eu agora correr para os braços dele e encontrar paz, carinho, certezas e amor, mas eis que quando tento encontro cobranças, paradigmas e lembranças amargas que deixam minhas entranhas como fel, minha alegria em letargia, minha fé em medo. Me sinto sem chão, um fracasso enquanto ser humano, afinal como não posso mais estar junto daquele com quem escolhi casar?
Quanta frieza de minha parte! Quem sou? Onde estou? Caí num mundo desconhecido dentro do meu próprio eu, estou como pêndulo entre os fios que ligam a mente e o coração, balançando nos fios da razão e da emoção, perdida, cega, gritando onde ninguém pode me ouvir!
O que faço agora? Suporto? Arrego? Peço perdão? Mas perdão a quem? A mim? A ele? Às famílias?….

Silêncio ensurdecedor, solidão de platéia alfa, medo estarrecedor, corpo? Ainda o tenho?
E como um dia perguntou Drummond, e agora José? A festa acabou…“. 

Texto escrito pela pedagoga e amiga querida Franciele Peres Santana
e cedido carinhosamente a este blog para publicação. 

12.09 – 70º Aniversário de Caio Fernando Abreu

Retrato: Caio Fernando Abreu (abril, 2016)  / Artista: Pedro Franz

Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências: desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem”.

. Caio Fernando Abreu in Morangos Mofados .

Resenha: O Dia do Curinga

Livro: O Dia do Curinga
Autor(a):
Jostein Gaarder
Editora:
 Record
Páginas: 382

Nota: 3
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Ótimo!
Ótima leitura, cheia daquilo que Gaarder sabe fazer muito bem: unir mistério, filosofia, questionamentos desconcertantes e uma narrativa cativante.

A história é sobre uma viagem do sul da Noruega à Grecia, passando pelos Alpes Suíços, feita por um rapaz e seu pai “filósofo” em busca da mulher que os tinha abandonado oito anos atrás.

O que achei fascinante foi a divisão do livro. Gaarder constrói a história com as cartas de um baralho, com cada capítulo correspondendo a um número e um naipe. Além disso, neste livro a “filosofia” embutida é bem rasa e não cansa. Ao contrário disso são os questionamentos levantados ao longo da história que fazem refletir, o que é o ponto importante e forte do livro.

Legal também foi ler na orelha do livro que Gaarder conta que ao terminar o livro, viu seu próprio personagem (o garoto) recém-chegado de sua incrível aventura, procurar em vão nas livrarias da cidade uma história da filosofia adequada a alguém de sua idade. Desapontado com a procura frustrada do garoto, Gaarder voltou para casa disposto a preencher essa lacuna. E é assim que nasce “O mundo de Sofia”.

Leitura recomendada!

Das Vantagens de ser Bobo

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo. Estou pensando.”

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoiévski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: “Até tu, Brutus?”

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor.

E só o amor faz o bobo.

Clarice Lispector
in Clarice na Cabeceira: Crônicas