Luz e escuridão (Reescrito)

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“Verifico que, tantas vezes alegre,
tantas vezes contente, estou sempre triste”
Fernando Pessoa

Ela tenta, já sabendo que vai falhar, esquecê-lo enquanto colhe as flores para levar à mesa da casa de sua mãe. Não quer amá-lo, nem desejar sua escuridão e seu sorriso sombrio, mas sempre que é primavera e os dias claros invadem as janelas do imenso castelo em que vive com sua mãe nessa época do ano, a falta que sente dele é um sem nome de sentimentos que não consegue explicar.

Os passos lentos entre as flores do campo é um retrato imperfeito da letargia em que sua alma se encontra quando está sob o sol e o ar impregnado de aromas doces preenche os pulmões e o peito de esperança e uma alegria que poderia ser completa, mas desde que o conhecera não era mais. Até mesmo no interior do castelo a luz se faz intensamente presente em todos os cômodos. Não havia sequer um canto de sombra, um ponto de escuridão que pudesse, de alguma forma, amenizar a saudade.

Sorri ao chegar à mesa com as flores colhidas, como tem que ser ao estar ali. Ouve as palavras de carinho de sua amada mãe e se sente confortada, quase feliz. As conversas, as horas, os sorrisos, os carinhos, as tarefas diárias naquela época do ano eram ótimas, não poderia reclamar, mas sempre falta alguma coisa. E o sorriso se desmancha quando está sozinha, a luz do olhar se apaga um pouco tentando relembrar, voltar ao lado sombrio em que ele estará presente.

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