Que ano!!!

Parecia que estava tudo bem, até março chegar e entrarmos num “recalcular rota” que não parou até agora… Cada vez que parecemos estar começando a encontrar um caminho, é preciso recalcular de novo.

Foram muitas perdas, muitos danos, mas eu não consigo olhar pra tudo isso e não ver os ganhos também. Pois, como dizia Caio F. “Certo, muitas ilusões dançaram. Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas”.

E foi um ano de tanto aprendizado, superação, reinvenção. Eu, que costumava ler muitos livros por mês, estava há pelo menos 4 anos passando meses sem ler, lendo um a cada dois meses…

E de repente a pandemia, meses de #ficaemcasa e voltei a ler como antes, fazendo #TBR, cuidando mais do IG, fazendo novas amizades, parcerias, trocando experiências ou só jogando papo fora e conseguindo sobreviver ao medo, ao desânimo, a tristeza…

Foram os piores e os melhores momentos. Teve muita coisa ruim, mas também muita coisa boa e muito, muito aprendizado!!

A palavra pra esse ano é #gratidão!!🙏🏼📚💜

COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Retrospectiva Literária 2020

  • O livro infanto-juvenil que mais gostei: Coraline – Neil Gaiman

É uma história grandiosa contada com simplicidade e poesia, os acontecimentos vão sendo descritos com uma sutileza tenebrosa. São retalhos dos nossos próprios medos. As personagens são profundas e inesquecíveis, nos fazendo refletir sobre as muitas faces que cada um esconde sobre sutilezas e sorrisos e os diálogos, mesmo os mais pequenos, tem sempre muito a dizer. Me encantou muito como ele construiu a personagem Coraline, que apesar de ser uma criança, é extremamente esperta e consegue pressentir perigos e reconhecer certas situações com grande clareza.

  • A aventura que me tirou o fôlego: O Labirinto dos Espíritos – Carlos Ruiz Zafón

Não dá nem pra pensar em como explicar as tantas reviravoltas mesclando presente e passado, personagens antigos e queridos com novos personagens fantásticos e percorrendo caminhos tortuosos até finalmente juntar todas as pontas soltas e fechar a história com maestria. A narrativa especial de Zafón traz o melhor e o pior de seus personagens a tona, nos mostrando a realidade nua e crua da natureza humana. Tudo isso permeado por cenários que vão de lugares sombrios e escabrosos a encantados e belos, além é claro do fato de o leitor estar o tempo todo cercado por citações, personagens e livros, fechando com chave de ouro o encantamento dessa obra.

  • O terror que me deixou sem dormir: Escuridão Total sem Estrelas – Stephen King

Acredito mesmo que ele nos trouxe um tanto da vida como ela é e acho que isso é muito mais aterrorizante que qualquer monstro ou histórias sobrenaturais, porque está ali, ao nosso alcance. São 4 contos que poderiam ser livros separados, mas que compuseram com maestria esse livro cujo título vim a entender somente nas linhas finais do posfácio e faz todo sentido. Não preciso dizer o quanto recomendo a leitura desse livro, o quanto amo a narrativa desse autor e o quanto esse livro, bem a vida como ela é, é um tipo de terror que nos assombra por muito tempo.

  • O suspense mais eletrizante: Colega de Quarto  – Victor Bonini

Você já imaginou chegar em casa e a televisão estar ligada sendo que você tem certeza que a desligou antes de sair? E se encontrasse um chinelo que não é seu no quarto de hóspedes? Uma escova de dentes a mais no banheiro? E se você acordasse ás 2h da manhã com o microondas apitando? Em outras noites, a descarga? E quando você vai checar… NADA. Apavorante não? Das primeiras às ultimas palavras, a narrativa de Victor Bonini te prendem nesse mistério assustador.

  • O romance que me fez suspirar: Comentários a Respeito de Evelyn – Cah Muniz

Este é o romance de estreia da escritora Cah Muniz, que sigo no instagram e blog há algum tempo!! O enredo a princípio me pareceu super adolescente e clichê e quase pensei em não continuar por já estar um pouco saturada desse tipo de leitura e também por não ser o meu gênero favorito! Todos já sabem que romance romântico não é meu forte. Mas fico feliz de ter persistido na leitura, pois fui surpreendida ao longo da narrativa por uma história envolvente e de grande carga emocional.

  • A saga que me conquistou: Duna – Frank Herbert

É muito difícil explicar em poucas palavras a profundidade dessa história e tudo que disse é bastante superficial em relação à todas as suas vertentes filosóficas, religiosas e ambientais. Acompanhamos nesse livro a jornada de um herói e sua incessante busca pelo conhecimento, ponto bastante abordado nesse livro. A trama é muito bem amarrada, a narrativa de Herbert é genial e empolgante e apesar de alguns momentos se tornar um pouco cansativa nos detalhes e descrições, são extremamente necessários para o desenrolar da história. Com certeza quer continuar a ler os livros dessa saga!

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Seres humanos?

“A vida era boa. O sol, quente. Mas os seres humanos?”.

. Virgínia Woolf in Mrs. Dalloway .

COLUNA “Entre Aspas”

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Dica de Leitura: Apenas Uma Vez – Cleia Lira

Hoje conheceremos melhor a autora Cleia Lira e o primeiro livro do seu box Garotos de Jersey: Apenas Uma Vez! Cleia nasceu numa pequena cidade do interior de São Paulo chamada Arco-íris, porém adotou Sumaré como sua cidade. Aqui se casou e teve duas filhas. É professora e nas horas vagas lê, na verdade, segundo seu marido ela devora os livros esse é o seu vício, quando começa não consegue parar mais. E foi assim que se tornou escritora, leu tanto que um dia procurou uma história diferente para ler e como não achou, resolveu escrever e alguns meses depois surgiu seu primeiro livro: Sob Sua Proteção.  .

Vem comigo conhecer um pouco mais dessa autora:

Como a literatura entrou em sua vida?

CLEIA LIRA: A literatura sempre esteve presente na minha vida, amo ler e escrever se tornou uma consequência.

Como é sua rotina para escrever? Você tem alguma rotina para escrever, alguma disciplina, um horário determinado ou escreve quando surge oportunidade?

CLEIA LIRA: Eu gostaria muito de ter uma rotina, mas não sou disciplinada a esse ponto, já escrevi em muitas ocasiões diferentes e circunstâncias também, mas agora estou escrevendo com música coloco uma playlist e começo a escrever, não tem funcionado muito esse ano está complicado para escrever, mas espero ter mais tempo o ano que vem.

Quanto tempo demora para concluir um livro?

CLEIA LIRA: Depende muito do livro, alguns vem pronto na minha cabeça e é só escrever e outros levo mais tempo pensando, pesquisando e fazendo roteiros e esses levam um ano ou mais.

As histórias “se escrevem” sozinhas ou você pensa na trama inteira?

CLEIA LIRA: Bem que eu queria que as histórias se escrevessem sozinhas, mas não é assim que acontece, escrever é um trabalho solitário e longo, ninguém escreve um livro do dia pra noite. O que acontece é que algumas histórias já aparecem prontas na nossa cabeça com começo, meio e fim. Porém, ainda precisamos sentar para escrever elas.

De onde vem a inspiração?

CLEIA LIRA: É difícil mencionar apenas uma coisa, pois a inspiração chega de diversas formas,  pode ser pelas músicas, filmes, histórias e muito dos livros que leio.

Quais são seus livros e autores/autores favoritos?

CLEIA LIRA: Nossa tenho muitos, sou apaixonada pela literatura então sempre encontro um novo autor para me inspirar, mas se tivesse que citar alguns deles seria a Clarice Lispector com suas histórias que tendem a mexer com algo mais profundo no nosso íntimo, o Ernest Hemingway que consegue escrever as melhores histórias com uma precisão cirúrgica de palavras, a Carolina Maria de Jesus com uma escrita realista enfim tem muitos autores bons por aí para se inspirar. E meu livro favorito da vida é Senhora de José de Alencar.

Tem planos para livros futuros?

CLEIA LIRA: Eu tenho alguns rascunhos guardados para começar a escrever em 2021. Entre eles um livro infanto juvenil com uma protagonista adolescente negra, pretendo escrever um livro com contos que abordem diferentes temas enfrentados pelos adolescentes na escola. Essa ideia está esperando tem dois anos, acho que está na hora de mostrar ela para meus leitores.

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Jamais

“Porque é uma baita pena jamais dizer o que se sente, pensou”.

. Virgínia Woolf in Mrs. Dalloway .

Fascinante

“Nada mais fascinante do que entrever a verdade existente por trás dessas imensas fachadas de ficção – se a vida é de fato verdadeira, se a ficção é mesmo fictícia. E, provavelmente, a conexão entre as duas é extremamente complicada”.

. Virgínia Woolf in Mrs. Dalloway .

10.12 – Centenário CLARICE LISPECTOR

Eu poderia tentar escrever algo sobre essa mulher que tanto admiro, mas minhas palavras jamais fariam juz a tudo que ela representa, então escolhi as próprias palavras dela para essa singela homenagem, que com certeza, exprimem quem ela era muito melhor do que eu jamais faria…

“Um nome para o que sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser. O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis.Porque foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de “a protetora dos animais”. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la. E eu sentia o drama social com tanta intensidade que vivia de coração perplexo diante das grandes injustiças a que são submetidas as chamadas classes menos privilegiadas. Em Recife eu ia visitar aos domingos  a casa de nossa empregada em mocambos. E o que eu via me fazia prometer que não deixaria aquilo continuar. Eu queria agir. Em Recife onde morei até os 12 anos de idade, havia muitas vezes nas ruas  um aglomerado de pessoas diante das quais alguém discursava  ardorosamente sobre a tragédia social. E lembro-me de como eu vibrava e de como eu me prometia que  um dia  esta seria minha tarefa: a de defender os direitos dos outros. No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura profundamente o que sente e usa a palavra que o exprima. É pouco, é muito pouco”.

#ClariceLispector 💭📝
➡️”Aprendendi a viver”, @editorarocco, 2004

#blogentreaspas#leiamulheres#mulheresnaliteratura 🌹

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Dica de Leitura: Duna – Frank Herbert

Extraordinário!!

Há anos que estou para ler esse livro que foi indicação de um amigo muito querido e hoje me pergunto porque demorei tanto! Duna é um livro com uma história incrível e cheia de reflexões, o que tão bem caracteriza o seu gênero literário, a ficção científica. Além disso muitos dos questionamentos levantados nessa trama são extremamente atuais e podem se encaixar perfeitamente a alguns dos nossos acontecimentos cotidianos.

“Grave isso na memória, rapaz: um mundo é sustentado por quatro coisas… – ela ergueu quatro dedos nodosos – … o conhecimento dos sábios, a justiça dos poderosos, a prece dos justos e a coragem dos bravos. Mas tudo isso de nada vale… – ela cerrou o punho – … sem um governante que conheça a arte de governar. Faça disso a ciência de sua tradição!”

Duna é como ficou conhecido o planeta Arrakis, composto por um gigantesco deserto onde vivem enormes criaturas chamadas de “vermes”, pouquíssima água, algumas cidades e um povo nômade, os Fremen. As condições do planeta são severas e para sobreviver ao deserto é preciso utilizar um traje que reaproveita a água do corpo. É esse o nível de escassez de água do planeta conhecido como Duna. Além disso Duna possui “A Especiaria” que é um tipo de tempero especial que pode proporcionar a expansão da inteligência humana e permitir viagens intergaláticas e que só é encontrado neste planeta.

“Que sentidos nos faltam para que não consigamos ver nem ouvir um outro mundo a nossa volta?”

O ano é 10 mil, a humanidade já se espalhou pelas estrelas e a Terra é apenas uma lembrança. A sociedade é comandada por um Imperador e é composta por uma Guilda Espacial, duas casas que disputam entre si pelo governo de Duna, os Atreides (considerados os bons moços) e os Harkonnen (considerados os degenardos) e as Bene Gesserit, uma ordem de mulheres com poderes e propósitos misteriosos.

Da união do Duque Leto Atreides e da Bene Gesserit Lady Jéssica, nasce Paul Atreides, herdeiro da casa e suspeito de ser “O Escolhido”, o messias esperado pela ordem Bene Gesserit há anos e que tem o propósito de liderar o povo de Duna e salvá-lo de sua casa rival. Os três vão para Arrakis e acabam caindo numa armadilha ardilosa do Barão Vladmir Harkonnen, uma criatura terrível que abusa sexualmente de escravos e mantém sua população à base do medo.

“O respeito pela verdade é praticamente o alicerce de toda moral”

É muito difícil explicar em poucas palavras a profundidade dessa história e tudo que disse é bastante superficial em relação à todas as suas vertentes filosóficas, religiosas e ambientais. Acompanhamos nesse livro a jornada de um herói e sua incessante busca pelo conhecimento, ponto bastante abordado nesse livro. A trama é muito bem amarrada, a narrativa de Herbert é genial e empolgante e apesar de alguns momentos se tornar um pouco cansativa nos detalhes e descrições, são extremamente necessários para o desenrolar da história.

Acho interessante abordar também toda a preocupação do autor em relação ao nosso meio ambiente que fica bem explícita em Duna principalmente pelo personagem Kynes, o planetólogo de Arrakis e pai de Chani. O que me faz lembrar de dois pontos muito relevantes nessa história: as personagens femininas são sensacionais e é impossível não se tornar fã de pelo menos uma delas, ou todas elas; e o livro traz textos complementares maravilhosos, incluindo um glossário que ajuda muito na leitura e compreensão.

Afora tudo isso, quero deixar registrado o quanto eu fiquei apaixonada pela personagem Alia, irmã de Paul Atreids e protagonista de uma cena simplesmente FANTÁSTICA e que com certeza é a razão pela qual eu vou continuar a leitura dos próximos dois livros para pelo menos fechar a trilogia. É um livro de ficção científica de peso e que indico muito a leitura!

“Não terei medo. O medo mata a mente. O medo é a pequena morte que leva à aniquilação total. Enfrentarei meu medo. Permitirei que passe por cima e através de mim. E, quando tiver passando, voltarei o olho interior para ver seu rastro. Onde o medo não estiver mais, nada haverá. Somente eu restarei.”

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

EVELYN RUANI
Bibliotecária e leitora compulsiva! Apaixonada por livros e palavras.
SERVIÇO
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Processo de viver

“Não havia prazer que se igualasse, pensou ela, endireitando as poltronas, ajeitando um livro na estante, tendo-se esvaído os triunfos da juventude e perdido a si mesma no processo de viver, para então reencontrar tudo isso, com um jorro de alegria, no raiar do dia, no cair da noite”.

. Virgínia Woolf in Mrs. Dalloway .