08.03 [21] Dia Internacional da Mulher

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher a Revista Caderno Poético fez uma edição inteirinha dedicada a mulheres maravilhosas da nossa literatura! Quer conferir na íntegra? Clique aqui.

Na Coluna “Poesia” Entre Aspas que tenho orgulho e honra de escrever para esta revista, falei sobre o livro “Mar Absoluto/Retrato Natural” da fantástica Cecília Meireles!! Vem conferir ❤

Mar Absoluto/Retrato Natural é um deleite para as almas sedentas de profundidade revestida pela leveza das palavras e pela melodia tranquila de seus versos. Estes dois livros publicados em uma única edição, são a pura expressão da harmonia e estética que só Cecília poderia traduzir com sua forma de construir seu próprio caminho, sempre à margem de grupos e movimentos. Cecília traz uma qualidade poética que, embora faça paralelo à grande poetas universais, a torna única.

No primeiro livro, o Mar é o protagonista, ensaiando silêncios e solidão. Trazendo e levando sonhos, dores, amores, o próprio tempo e a fragilidade das coisas. São tantos os versos que eu poderia destacar, mas alguns em especial, são impossíveis de não serem citados:

“O mar é só mar, desprovido de apegos,
matando-se e recuperando-se,
correndo como um touro azul por sua própria sombra,
e sendo depois a pura sombra de si mesmo,
por si mesmo vencido. É o seu grande exercício”

Me encanta as imagens bordadas em palavras que Cecília é capaz de nos presentear… “sendo a pura sombra de si mesmo”, “por si mesmo vencido” . É o seu, o meu, o nosso grande exercício diário. Quanta reflexão num vai e vem de ondas “desprovidas de apego”.

“Não precisa do destino fixo da terra,
ele que, ao mesmo tempo,
é o dançarino e a sua dança”.

A Liberdade, a solidão, tantos retratos naturais… O que nos leva ao segundo livro, que traz uma de suas características principais que é a reflexão sobre o ser humano em sua profundidade atrelada ao resgate da beleza, numa variável infinita de palavras e sentimentos. A grande verdade em “Improviso” quando declara:

“Eu mesma sou a culpa
dos malefícios alheios
A quem não podia nada,
eu é que fui dar os meios
para me ver maltratada”.

A sutil beleza de “Inscrição” quando nos desafia a refletir:

“Sou entre flor e nuvem
estrela e mar
Por que havemos de ser unicamente humanos,
limitados a chorar?”.

E tantas outros versos maravilhosos que trazem tanta alma, solidão, pureza e vida. Cecília é magnífica. Primava pela beleza poética e pela expressão de grandes sentimentos e nos faz sonhar, suspirar, colocar a mão no peito e morrer um pouco a cada eu profundo que nos faz encontrar.

Claro que não posso deixar de citar que ela escreveu um poema com meu nome nesse livro, motivo também pelo qual, o comprei tão jovem. EVELYN, isso. Meu nome, é o nome do poema e traz versos lindíssimos com os quais não ouso me comparar, mas ainda assim fico feliz de terem meu nome.

Além disso, vale ressaltar que os poemas desses dois livros foram escritos entre 1945 e 1949, num período de guerra e sentimentos tão difíceis de expressar, Cecília traz alento, reflexão e um pouco de suavidade.

Super recomendo a leitura dessa mulher maravilhosa.

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER PARA TODAS NÓS!

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