Resenha: Nunca Subestime uma Mulherzinha

Livro: Nunca Subestime uma Mulherzinha
Autora: Fernanda Takai @fernandatakai
Editora: @editorapandabooks
Páginas: 135
Nota: 4/5

Quando soube desse livro da Fernanda fiquei apaixonada pelo título e precisei conferir. Fernanda tem uma narrativa tão gostosa quanto sua voz e música. Em suas crônicas aborda temas do seu dia a dia, mas que podem ser nossos e alguns deles muito importantes e carregados de reflexões e até um pouco de ironia.

Todos os textos reunidos nessa coletânea foram escritos originalmente nos jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. O livro traz prefácio da Zélia Duncan e com sua narrativa emocional e bem humorada, Fernanda nos envolve.

Me vi sorrindo no conto “O que se deve usar por baixo” que me fez lembrar dos conselhos da minha mãe e em outros que Fernanda nos conta sobre suas descobertas do idioma Japonês. Destaco as crônicas “As pessoas não suportam as diferenças” e “Você é menino ou menina?” que trazem uma importante reflexão ainda mais para os nossos dias de hoje.

Pra fechar, ela ainda cita Clarice Lispector num dos seus textos e fala do livro Correio Feminino de uma forma que nunca tinha pensado e que fiquei muito feliz de ler.Vale dizer também que o livro é todo muito bonito, a panda books arrasou nos detalhes da editoração!

Fica minha recomendação de leitura, pois adorei conhecer um pouco mais desse lado cronista da Fernanda!
#blogentreaspas #leiamulheres #mulheresnaliteratura 🌹

Resenha: O Peso do Pássaro Morto

Livro: O Peso do Pássaro Morto
Autora: Aline Bei @alinebei
Editora: @editoranosbr
Páginas: 165
Nota: 5/5

O que foi isso?
Esse livro foi indicação e presente de uma amiga querida e me destruiu. Se eu gostei? Amei e foi para os favoritos, porque definitivamente, e parafraseando Clarice (que falava sobre a vida) esse livro é um soco no estômago, um alarme, um chacoalho pra te tirar da zona de conforto, aquela onda do mar que te pega de surpresa e te revira toda devolvendo à areia sem rumo. Se prepare.

O livro é composto por nove capítulos, cada um para uma idade da personagem principal (que não tem nome) – 8, 17, 18, 28, 37, 48, 49, 50 e 52 anos. Esses números estão na capa do livro e achei isso genial, porque antes mesmo de ler, estava tentando decifrar o que seriam, mas a idade não me passou pela cabeça. A narrativa é em versos, o que faz você imaginar que será um livro de poemas, mas é um romance com uma história que a princípio é bem simples, mas que cresce monumentalmente ao longo da leitura.

O que chama a atenção desde o princípio é a originalidade da autora, a forma como cada pausa, pontuação (ou a falta dela), espaço, cadência faz parte da narrativa e dão o tom certo para os momentos que estão sendo relatados. Sem contar a beleza de seus encontros de palavras e a maturidade de sua narrativa que, por ser em primeira pessoa, traz as características específicas da idade de cada capítulo.

Além disso, a genialidade com que nos encanta no primeiro capítulo, quando a protagonista tem oito anos e nos conta em linguagem infantil a magia do primeiro grande amor que é a amizade e traz momentos tão belos que arrancam um sorriso dos lábios e como, com um virar de página, nos tira esse sorriso do rosto com um tapa estalado que vai doer até a última página. Desse momento em diante, é ladeira abaixo. Um mergulho na vida como ela é.

Um livro que fala sobre perdas e ausências, embora a protagonista sempre busque um meio de continuar, se recusando a viver só de dor. Seja da necessidade, ou da coragem, ou daquele impulso vital que nos faz continuar, ela extrai força pra seguir, mesmo que não saiba pra onde. É uma leitura pesada, costurada com delicadeza e beleza. É o peso de um pássaro morto…

Simplesmente fantástico. Recomendo muitíssimo a leitura.

Resenha: A Retornada

Livro: A Retornada
Autor: Donatella Di Pietrantonio
Editora: @taglivros
Páginas: 176
Nota: 4/5

“Eu fiquei órfã de duas mães vivas… Eu era filha de separações, de laços de parentescos falsos ou omitidos, de distâncias…”

Meu Deus que livro doído. Tantos sentimentos contidos em tão poucas páginas, é de partir o coração. A protagonista, que não chega a ganhar um nome, sendo conhecida como “A Retornada”, ou “A devolvida”, nos conta como foi a sua jornada desde que foi levada de volta à casa de sua mãe biológica aos 13 anos e precisou se adaptar a essa nova realidade, sem entender ao certo qual foi o motivo dessa “devolução”.

Nesse novo lar ela precisa aprender a conviver com irmãos que também não entendem o que ela está fazendo ali, com a distância de uma mãe que ela sequer consegue chamar de mãe, a escassez de comida, a sujeira, a violência doméstica, ou seja, a falta total de recursos financeiros e emocionais que é totalmente diferente do universo que ela tinha antes na casa da “mamãe do mar” como ela chama sua mãe adotiva.

O ponto forte dessa narrativa é o fato de que a protagonista é tão abandonada que ninguém se dá ao trabalho de explicar nada pra ela, e você se vê tão confusa quanto, querendo descobrir o que realmente aconteceu. O choque do abandono, que por si só, já é bastante traumático, é só o começo de inúmeras situações terríveis pelas quais ela passa nesse novo lar.

Já de início ela se vê obrigada a dividir a cama com a irmã mais nova, que logo ela descobre tem esse cheiro porque a irmã faz xixi na cama todas as noites e ela se vê acordando molhada diversas vezes.

Porém é justamente com essa irmã que um laço afetivo é criado e ambas se apoiam e se defendem nas situações terríveis a que são submetidas dia a dia nesse lar descompensado.