Egoísmo

“A doença mortal do homem como homem é o egoísmo”.

. José Saramago in As Palavras de Saramago .

Resenha: A Vendedora de Livros

Livro: A Vendedora de Livros
Autor(a): Cynthia Swanson
Editora:
Taglivros/Suma
Páginas: 380
Nota: 4
(1.Não gostei 2.Gostei pouco; 3.Gostei;
 4.Gostei bastante;
5.Adorei)

Uma pessoa pode ter duas vidas?
Uma enquanto está acordada e outra quando está dormindo?
Aparentemente, Kitty Miller pode.

O livro começa com ela acordando num quarto de paredes verdes numa casa elegante muito diferente do seu quarto pequeno e despretensioso num apartamento próximo ao trabalho, uma livraria de bairro que gerencia junto com sua melhor amiga Frieda. Ao abrir os olhos neste quarto diferente, ela sabe que está sonhando e fica esperando o momento em que vai acordar, enquanto descobre um marido atencioso e uma garotinha angelical que a chama de mamãe. Pouco depois ela realmente acorda e está de volta à sua vida de solteira aos 38 anos, à seu trabalho que ama na livraria com Frieda, ao seu quarto que recentemente pintou com uma parede amarela e seu gato laranjinha (lembrei do meu Melão) Aslam, homenagem a seu livro favorito: As Crônicas de Nárnia. Está super feliz de ter finalmente acordado, mas com uma sensação estranha de ter gostado da vida que viu em seus sonhos.

E a partir de então, você vai viver junto com Kitty, sua vida real durante os dias, trabalhando na livraria com Frieda, cuidando de Aslan e trocando cartões postais com os pais que estão em uma viagem pelos 40 anos de casados, e outra vida a noite, quando ela vai dormir e em seus sonhos se transforma em Katharyn Anderson, casada com Lars, o amor de sua vida e com lindos filhos (a cada sonho, mais detalhes da outra vida vão sendo revelados).

A narrativa da autora é bastante envolvendo e o tempo todo você fica querendo saber mais e mais sobre a vida misteriosa que vai sendo revelada a Kitty e a você aos pedaços, nos curtos períodos de sono da protagonista e cada vez mais vai se envolvendo com as doçuras e angústias de cada uma de suas vidas. Qual das duas é a que ela realmente quer viver? Qual o preço de escolher esta ou aquela vida? O que vai ser preciso abrir mão para ter aquilo que desejou pra si a vida inteira?

Adorei a história, a autora trabalha o enredo do sonho/vida real super bem e apesar de ter lido muitas resenhas dizendo que o final é super previsível, eu não achei tanto assim e gostei principalmente dele não ter definido certas situações de forma tão açucarada como se esperaria.

Gostei muito e recomendo a leitura!

Pássaros

“Pássaros, todos os que no chão desconhecem morada”.

. Mia Couto in Cada Homem é uma Raça .

#TBR de Agosto


📖Morra, amor – #ArianaHarwicz: super curiosa pra ler sobre essa mãe que teve depressão pós-parto e nos conta nesse livro essa angustiada rotina. Empréstimo de uma amiga;

📖 A Cidade Sitiada – #ClariceLispector: leitura do mês do clube de leitura Toda Clarice;

📖 O Aleph – #JorgeLuisBorges: homenageado de agosto @clubetripas;

📖 Mrs. Dalloway – #VirgíniaWoolf: não consegui fazer a LC junto com o @blogliteraturese, mas continuo e termino esse mês;

📖 Wuthering Heights – #EmilyBrönte: LC com @realidadeliteral 💕;

📖Eu sei por que o pássaro canta na gaiola – #MayaAngelou: faz tempo que estou querendo ler esse livro e me comprometi a ler pelo menos um livro da @taglivros por mês;

📖 Objetos Cortantes #GillianFlynn e Três Coroas Negras – #kendareblaker : presente e indicação que estou devendo a leitura há séculos 😜;

📖 DUNA – #FrankHerbert: quero pelo menos começar essa leitura que me foi indicada há anos tb e preciso ler antes do filme;

📖Relatos de um Gato Viajante #HiroArikawa: amo gatos ❤️, indicação do @clubetripas;

📖A Casa dos Espíritos – #IsabelAllende: indicação e empréstimo de uma amiga, mas não chegou o livro ainda e não saiu na foto!

COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Dica de Leitura: O Olho Mais Azul – Toni Morrison

“Cada livro nos abre um horizonte, uma reflexão, e é um eterno lembrete de que a vida pode ser múltipla, inexata, complexa”. Essa frase foi enviada a TAG por uma leitora, Renata Sanches, e está na revistinha que acompanha esse livro. Coloquei ela nessa resenha porque não poderia escrever isso de forma melhor e o tanto que essas palavras são verdadeiras, principalmente ao terminar de ler esse livro… A vida é múltipla, inexata, complexa… na crueza dos dias, não segue regras e padrões, acontece. São tantas vidas, inúmeras possibilidades e sentimentos!

“Entraram devagar na vida pela porta dos fundos”.

Esse é o primeiro livro que li dessa autora e fui arrebatada por sua narrativa. Ela conseguiu me fazer chorar na página 22 do livro com uma imagem que não sei se esquecerei tão cedo. Uma frase, tão dolorida e ao mesmo tempo tão doce, que tocou no fundo da minha alma…

“Assim, quando penso em outono, penso em alguém que tem mãos e que não quer que eu morra”.

Assim, solta, talvez não tenha o impacto que teve em mim ao final de algumas outras descrições, mas só de escrevê-la me emociono de novo, ao lembrar do que li. Depois disso foi só desconforto e palavras que não conseguia parar de ler. O livro é dividido por estações e conta muitas histórias em poucas páginas, mas a principal é a da menina Pecola Breedlove que reza todas as noites para ter olhos azuis.

“Toda noite sem falta, ela rezava para ter olhos azuis. Fazia um ano que rezava fervorosamente. (…) Levaria muito, muito tempo para que uma coisa maravilhosa como aquela acontecesse. Lançada dessa maneira na convicção de que só um milagre poderia socorrê-la, ela jamais conheceria a própria beleza. Veria apenas o que havia para ver: os olhos das outras pessoas”.

Pecola é invisível para a sociedade e a comunidade que vive. Invisível não é a palavra, o problema é que ninguém está disposto a vê-la com humanidade. É zombada, rejeitada, desprezada, violentada. Ela sabe que o problema é a sua aparência, sua pele negra e seus cabelos crespos, e acredita que sua única solução seja ter olhos azuis, como os das bonecas, das mulheres brancas que são invejadas, elogiadas, lindas e amáveis. Acompanhamos seus passos nessa busca delirante pelo olho mais azul, pela aceitação, por uma realidade que não seja só dor, como a que unicamente ela conhece.

 “O amor nunca é melhor que o amante. Quem é mau, ama com maldade, o violento ama com violência, o fraco ama com fraqueza, gente estúpida ama com estupidez, e o amor de um homem livre nunca é seguro. Não há dádiva para o ser amado. Só o amante possui a dádiva do amor. O ser amado é espoliado, neutralizado, congelado no fulgor do olho interior do amante”.

Como bem diz, Djamila Ribeiro, no prefácio desta edição “são letras que rasgam, mas por incrível que possa parecer você vai gostar de ser cortado, reinventado”. Esse livro é uma forte reflexão sobre a desigualdade, o preconceito, os padrões impostos e vale muito a leitura. Essencial. Vale também ressaltar que Toni Morrison foi a primeira mulher negra a ganhar um Nobel de Literatura em 1993 e que O Olho mais azul, escrito em 1970 conta a história de outros tempos, outra época, mas que é extremamente atual como se ainda fosse hoje, infelizmente.

Fica um exercício para nossa reflexão do porquê. Recomendo demais a leitura, o corte e a reinvenção!

EVELYN RUANI
Bibliotecária e leitora compulsiva! Apaixonada por livros e palavras.
SERVIÇO
Blog: http://blogentreaspas.com
Instagram: @blog_entreaspas
Email: entreaspasb@gmail.com

Palavras

“Não temos outra coisa [que palavras]. Somos as palavras que usamos A nossa vida é isso”.

. José Saramago in As Palavras de Saramago .

Cegueira

“Há um morrer de cegueira, que é um morrer de quem não usa a razão para viver”.

. José Saramago in As Palavras de Saramago .

Resenha: Somos Todos Inocentes

Livro: Somos Todos Extraordinários
Organizador: R. J. Palacio
Editora:
Intrínseca
Páginas: 32
Nota: 5
(1.Não gostei 2.Gostei pouco; 3.Gostei;
 4.Gostei bastante; 5.Adorei)

Mensagem de inclusão, gentileza, amor ao próximo…
Não tenho como falar desse livro sem falar do romance Extraordinário, apaixonante e inspirador que emocionou e tocou a vida de muitos leitores. Conta a história do carismático Auggie Pullman, um menino de dez anos que possui uma grave deformidade facial e começa a frequentar a escola pela primeira vez, encontrando amigos verdadeiros, preconceito e situações que irão marcar sua vida para sempre.

Essa edição é dedicada às crianças e foi elaborada pela autora na intenção de levar a elas a forte mensagem de inclusão, gentileza, amor ao próximo que a autora imprimiu a todas as suas obras sobre esse extraordinário garotinho. A versão infantil traz elementos da história original e insere os personagens em ilustrações belíssimas representando a imaginação do menino. Não tem como não se apaixonar por essa maravilhosa história de superação, amizade e amor, muito amor!

Incrível para trabalhar com as crianças/alunos sobre a inclusão, o respeito e amizade. Super recomendo!

Saímos

“Algumas vezes, saímos para chegar a algum lugar. Outras, simplesmente para andar e andar e continuar andando, até a neblina se dissipar, o desespero baixar ou concluirmos um pensamento”.

. Nicolas Barreau in O Sorriso das Mulheres .

Feliz

“- O que é que se consegue quando se fica feliz?, sua voz era uma seta clara e fina. A professora olhou para Joana.
– Repita a pergunta…?
Silêncio. A professora sorriu arrumando os livros.
– Pergunte de novo, Joana, eu é que não ouvi.
– Queria saber: depois que se é feliz o que acontece? O que vem depois? – repetiu a menina com obstinação.
A mulher encarava-a com surpresa.
– Que idéia! Acho que não sei o que você quer dizer, que idéia! Faça a mesma pergunta com outras palavras…
– Ser feliz é para se conseguir o quê?”.


. Clarice Lispector in Perto do Coração Selvagem .